Teofilina x Cimetidina


Teofilina é uma metilxantina com ação broncodilatadora que atua como inibidor da fosfodiesterase. O aumento de AMPc ocasionado pela inibição enzimática é o responsável pelo efeito relaxante sobre a musculatura brônquica.

Cimetidina é um fármaco utilizado no controle da secreção ácida gástrica, agindo como inibidor das ações da histamina nos receptores H2. Através deste mecanismo, reduz tanto o volume quanto a acidez da secreção.

INTERAÇÃO: Esta associação de medicamentos poderá aumentar os níveis séricos de teofilina, ocasionando o surgimento de reações adversas importantes. A interação ocorre devido à inibição do citocromo P450 produzida pela cimetidina, afetando a biotransformação da metilxantina. Como informação complementar, é válido salientar que a teofilina possui baixo índice terapêutico, de forma que a dose tóxica fica próxima da terapêutica.

Apesar de a cimetidina ser conhecidamente o inibidor do sistema citocromo P450 entre os anti-histamínicos H2, a bula de teofilina também cita relatos de toxicidade na associação com ranitidina.

Digoxina


A digoxina é um glicosídeo cardíaco indicado no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca congestiva. Influencia os fluxos dos íons sódio e cálcio no músculo cardíaco e assim proporciona aumento da sua contratilidade.
Este fármaco merece atenção especial pelo fato de possuir uma faixa terapêutica estreita, o que significa que a dose tóxica é muito próxima à dose utilizada para o tratamento. Por tal razão, relaciono abaixo diversas interações possíveis com a digoxina, já que algumas delas podem alterar a sua cinética e elevar sua toxicidade. É importante lembrar que haverão ainda outras interações, fato que exigirá uma pesquisa em cada caso pois normalmente um paciente que faz uso de digoxina também usa outros medicamentos.

INTERAÇÕES:

- inibidores da ECA: sem importância clínica
- amiodarona: os níveis de digoxina podem dobrar com o uso de amiodarona
- antiácidos: podem reduzir os níveis de digoxina, porém intervalos entre um fármaco e outro resolvem a questão
- benzodiazepínicos: aumento dos níveis de digoxina que podem chegar à toxicidade, principalmente em idosos
- carvedilol: aumento da biodisponibilidade da digoxina
- antifúngicos azólicos: risco de toxicidade por aumento dos níveis de digoxina
- verapamil: aumento dos níveis de digoxina
- estatinas: sem importância clínica
- levotiroxina: indivíduos com hipotireoidismo são mais sensíveis à digoxina
- corticóides: aumento do risco de toxicidade
- macrolídeos: aumento do risco de toxicidade
- ginkgo biloba: sem importância clínica
- topiramato: ligeira redução nos níveis de digoxina, parece não haver importância clínica
- fenitoína: redução dos níveis de digoxina, a importância clínica não é bem conhecida
- cloroquina: aumento dos níveis de digoxina
- aminoglicosídeos: a gentamicina pode elevar ao dobro os níveis de digoxina

AINEs x Alimentos


Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) se enquadram em uma classe de medicamentos de elevado consumo pela população, sendo usados tanto quando prescritos como de forma espontânea (caso em que a orientação é mais importante).

Costuma-se administrar este tipo de medicamento após as refeições, devido à possibilidade de efeitos colaterais de origem gástrica, que de fato podem ocorrer em razão do mecanismo de ação envolvido: a inibição da biossíntese de prostaglandinas responsáveis pelo revestimento da mucosa gástrica.

Para os mais curiosos, contudo, pode surgir uma dúvida: o alimento de fato interfere no efeito efeito produzido pelo medicamento? O mais comum é que a presença do alimento reduza a velocidade de absorção do AINE devido ao retardo do esvaziamento gástrico, porém há baixa interferência na sua extensão e interação com o organismo, seja na produção dos efeitos terapêuticos ou considerando-se o risco de reações desagradáveis.




Interações entre fármacos e alimentos

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Seguem algumas possíveis interações envolvendo fármacos e alimentos:

- A tiramina presente em alimentos como queijos, iogurte, chocolate, vinho tinto, cerveja, carnes e peixes embutidos ou defumados, atuam liberando noradrenalina nas terminações adrenérgicas, o que pode potencializar os efeitos dos IMAO, causando crises hipertensivas. 

- O ácido tânico presente no café, chá, mate, frutas e vinhos pode precipitar vários tipos de medicamentos como clorpromazina, prometazina, alcaloides, entre outros.

- As tetraciclinas, apesar de irritarem o estômago, devem ser administradas longe das refeições, pois além de formarem complexos insolúveis com o cálcio do leite e derivados, as tetraciclinas são instáveis em meio ácido e a diminuição da motilidade gastrintestinal pelos alimentos diminui a sua absorção. 

- A L-Dopa e a Metildopa competem com os aminoácidos provenientes de uma dieta proteica, pelo transporte para o Sistema Nervoso Central. 

- Penicilina V deve ser administrada pelo menos com 2 horas de diferença com as refeições, pois estas aumentam a ocorrência da inativação (abertura do anel beta-lactâmico). 

- Os alimentos causam retardo do esvaziamento gástrico, da liberação e da dissolução de muitos medicamentos diminuindo e/ou prolongando o seu tempo de absorção. 

Relatos - Sua participação no blog


O blog Interação Medicamentosa pretende abrir espaço para a sua participação através de relatos sobre efeitos tóxicos produzidos por interações. 
No cotidiano, nos deparamos com situações referentes ao paciente que podem nos indicar um problema decorrente de uma interação. Seja nas farmácias e drogarias atendendo a uma queixa pessoalmente, seja em hospitais onde houve uma queixa notificada ou ainda em qualquer outro serviço de responsabilidade farmacêutica, pode ocorrer algum fato interessante para dividir com os colegas.
Assim como é dito logo abaixo do título do blog, o leitor pode opinar. Uma opinião leva a uma idéia que gera uma contribuição, porém um relato é uma contribuição direta! Sua participação será importante!

Aquele(a) que tem algo a dizer e quer participar, entre em contato comigo. Basta acessar o meu perfil (quem sou eu) no menu à direita e pegar o e-mail para que possamos combinar tudo ou ainda enviar um comentário por aqui.

Amitriptilina x Tranilcipromina


Amitriptilina é um antidepressivo da classe dos tricíclicos, que age inibindo a recaptação de serotonina e noradrenalina
Tranilcipromina é um inibidor da monoaminaoxidase (IMAO), indicado também no tratamento da depressão.

INTERAÇÃO: Os tricíclicos (amitriptilina) aumentam a concentração sináptica dos neurotransmissores citados e os IMAO (tranilcipromina) inibem a sua degradação. A consequência desta associação é uma estimulação excessiva nos receptores da serotonina e noradrenalina, produzindo efeitos que podem ser tóxicos ou até mesmo fatais, incluindo a possibilidade de síndrome serotoninérgica.
A selegilina é um IMAO que possui atividade seletiva sobre a enzima e por esta razão os riscos podem ser menores em relação à tranilcipromina, porém a indicação deste se refere ao tratamento da doença de Parkinson já que o efeito mais importante conseguido é em relação à dopamina.

Albendazol x Anticoncepcionais


Albendazol é um fármaco com ação anti-helmíntica que atua por inibição da polimerização tubulínica, comprometendo o aporte energético do helminto e ocasionando sua morte.

INTERAÇÃO: O agravante do albendazol é a teratogenicidade e, por esta razão, é recomendado pelo fabricante que mulheres que suspeitem de uma gravidez não o utilizem.

No caso de mulheres em uso de contraceptivos hormonais, é recomendado um método alternativo ou adicional durante o tratamento com albendazol, assim como no período sucessivo de um mês após o seu término. Esta medida evitará o risco de gravidez indesejada e problemas ao feto.




Captopril x Hidroclorotiazida


Captopril é um antihipertensivo classificado como um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA)

Hidroclorotiazida é um diurético tiazídico que atua no túbulo distal reduzindo a reabsorção de sódio e cloreto, com perda também de potássio

INTERAÇÃO: A associação destas duas drogas normalmente é segura e eficiente, sendo inclusive desejável a soma de seus efeitos na terapia antihipertensiva. O que eventualmente pode ocorrer é uma hipotensão de primeira dose, incluindo sintomas como tontura ou desmaio no caso de dose elevada do diurético ou se o paciente apresentar condições especiais, tais como insuficiência cardíaca, hemodiálise, dieta com redução de sódio ou desidratação.
De qualquer forma, reações graves são raras e este tratamento é muito comum.

Diazepam x Teofilina


Diazepam é um benzodiazepínico usado como sedativo e ansiolítico, possuindo também atividade anticonvulsivante e miorrelaxante

Teofilina é uma metilxantina indicada na prevenção e tratamento de bronquites e asma, por sua atividade broncodilatadora

INTERAÇÃO: A teofilina, assim como a aminofilina, podem antagonizar os efeitos dos benzodiazepínicos, já que estes aumentam a concentração de adenosina no SNC enquanto a teofilina e aminofilina bloqueiam os seus receptores. Partindo de uma abordagem mais simples, basta lembrar que os benzodiazepínicos possuem atividade depressora no SNC enquanto as metilxantinas são estimulantes.

Lamotrigina e drogas que interferem no seu metabolismo


A lamotrigina é usada como droga antiepilética no tratamento de crises convulsivas parciais e generalizadas. Age nos canais de sódio estabilizando as membranas neuronais e inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, responsáveis pelo desencadeamento das crises.

A UDP-glicuronil transferase foi identificada como sendo a enzima responsável pelo metabolismo da lamotrigina. Desta forma, há drogas que interferem no processo de glicuronidação da lamotrigina e assim aumentam ou reduzem o seu metabolismo, consequentemente reduzindo ou aumentando a sua meia vida.

Valproato produz significativa inibição da glicuronidação da lamotrigina (Reduz o metabolismo e aumenta a meia vida)

Carbamazepina, fenitoína, primidona, fenobarbital, rifampicina, lopinavir/ritonavir, atazanavir/ritonavir e associação de levonorgestrel/etinilestradiol produzem significativa indução da glicuronidação da lamotrigina (Aumentam o metabolismo e reduzem a meia vida)

Lítio, bupropiona, olanzapina, oxcarbazepina, felbamato, gabapentina, levetiracetam, pregabalina, topiramato e zonisamide não interferem de forma significativa no metabolismo da lamotrigina.

Cetoconazol x Omeprazol


Cetoconazol é um fármaco com ação fungicida ou fungistática. Promove inibição da biossíntese do ergosterol no fungo e altera a composição de outros componentes lipídicos na membrana.

Omeprazol é um inibidor da bomba de prótons (H+K+ATPase), utilizado no tratamento de patologias que exigem a redução da secreção gástrica.

INTERAÇÃO: O cetoconazol depende de meio ácido para que sua absorção ocorra satisfatoriamente, de modo que o tratamento da infecção causada por fungos seria dificultado no caso de associação com omeprazol. A mesma informação se aplica aos antagonistas da histamina nos receptores H2 (ex: ranitidina, cimetidina) e aos antiácidos (ex: hidróxido de alumínio), pois estes também alteram as condições de absorção do antifúngico.

Na bula do cetoconazol há a recomendação de administrá-lo com bebida ácida, como um refrigerante à base de cola, caso medicamentos que reduzem a acidez gástrica sejam utilizados.

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Losartana potássica x Heparina


Losartana potássica é um antihipertensivo que age por antagonismo dos receptores de angiotensina II
Heparina é um anticoagulante de ação imediata que interfere na formação da fibrina e modifica também a agregação plaquetária.

INTERAÇÃO: É constatado através de literatura que as heparinas, sejam elas não fracionadas ou fracionadas (baixo peso molecular), inibem a secreção de aldosterona e assim provocam gradual perda de sódio e retenção de potássio. Sendo a losartana um fármaco antagonista dos receptores de angiotensina II, também irá interferir na secreção de aldosterona e, da mesma forma, causar retenção de potássio.
O efeito aditivo de ambos os fármacos em relação à retenção de potássio pode gerar um quadro de hipercalemia.

Duloxetina x Tramadol


Duloxetina é um antidepressivo que inibe a recaptação de serotonina e noradrenalina
Tramadol é um analgésico opióide não seletivo, que age também inibindo a recaptação neuronal de noradrenalina e aumentando a liberação de serotonina

INTERAÇÃO: O uso simultâneo de duloxetina com tramadol pode levar à síndrome serotoninérgica, que é considerada um resultado de estimulação excessiva dos receptores de serotonina do sistema nervoso central. Esta síndrome pode ocorrer excepcionalmente com o uso de um medicamento, porém é muito mais frequente quando dois ou mais fármacos de ação serotoninérgica são administrados juntos.

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