Pioglitazona x Genfibrozila


Pioglitazona é um hipoglicemiante oral pertencente ao grupo das tiazolidinodionas (grupo escrito de forma diferente em algumas fontes) que depende da presença da insulina para exercer seu mecanismo, reduzindo a resistência periférica e hepática.

Genfibrozila é um agente regulador de lípides indicado em casos de dislipidemia, prevenção de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio. Inibe a lipólise periférica e diminui a captação hepática de ácidos graxos livres, elevando também o clearance de apolipoproteína B.

INTERAÇÃO: A bula descreve a genfibrozila como um inibidor de CYP2C8 capaz de elevar em até três vezes a área sob a curva da pioglitazona. O potencial para efeitos adversos relacionados a este hipoglicemiante são relacionados à dose, portanto a administração concomitante dos fármacos em questão pode gerar a necessidade de ajuste na posologia.

Paroxetina x Risperidona


Paroxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento da depressão e transtornos de ansiedade.

Risperidona é um neuroléptico atípico que age como antagonista seletivo das monoaminas cerebrais. Possui afinidade pelos receptores serotoninérgicos e dopaminérgicos

INTERAÇÃO: A paroxetina, assim como outros ISRS, produz inibição da isoenzima CYP2D6, interferindo no metabolismo hepático de outros fármacos. A risperidona é um exemplo de neuroléptico cuja concentração plasmática pode ser aumentada quando feito o uso concomitante.

A bula de risperidona informa que, dependendo do inibidor de CYP2D6 que for utilizado, a fração antipsicótica ativa não é aumentada, mas no caso da paroxetina isso tem maior chance de ocorrer.




Bupropiona x Levodopa


Bupropiona é um fármaco indicado no tratamento de depressão ou prevenção de recaídas. Atua como inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina e dopamina, com menor efeito sobre a serotonina.

Levodopa é um precursor da dopamina utilizado como pró-fármaco com a finalidade de aumentar os níveis do neurotransmissor no tratamento da doença de Parkinson.

INTERAÇÃO: A bula informa que dados clínicos sugeriram maior incidência de reações adversas de origem neuropsiquiátrica em indivíduos tratados com levodopa e que passaram a receber bupropiona. Deste modo, há a recomendação de cautela na associação destes fármacos.

Levando em consideração que a levodopa é um precursor da dopamina e que a bupropiona inibe a recaptação deste neurotransmissor, é possível associar os efeitos colaterais à maior estimulação dopaminérgica e ação simpatomimética.

Rivastigmina x Atenolol


Rivastigmina é um inibidor da acetilcolinesterase (AChE), indicado no tratamento da doença de Alzheimer.

Atenolol é um antagonista dos receptores beta-1 adrenérgicos (betabloqueador seletivo) indicado no tratamento da hipertensão arterial, angina e arritmias.

INTERAÇÃO: O uso combinado de rivastigmina com betabloqueadores pode produzir efeitos aditivos que levam à bradicardia. O mecanismo da interação se justifica pelo bloqueio dos receptores beta-1 adrenérgicos no coração associado à inibição da acetilcolinesterase, resultando em níveis elevados de acetilcolina e, consequentemente, maior atividade parassimpática.

Betabloqueadores seletivos, como o atenolol, são associados ao maior risco, mas também há relatos de interação quando utilizados outros que não possuem seletividade.

Metilfenidato x Anti-hipertensivos


Metilfenidato é um fármaco indicado no tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), cujo mecanismo de ação está relacionado com a inibição da recaptação de dopamina, porém sem disparo na liberação do neurotransmissor.

INTERAÇÃO: Na sessão de interações medicamentosas da bula de metilfenidato há a informação de que este fármaco pode diminuir a efetividade de medicamentos utilizados para tratamento da hipertensão arterial. Não é citada uma classe de anti-hipertensivos específica.

A causa da interação possivelmente envolve a estimulação simpática produzida pela inibição da recaptação de dopamina, tendo como efeitos colaterais a taquicardia e aumento da resistência vascular periférica.




Valsartana x Lítio


Valsartana é um antagonista específico dos receptores de angiotensina II, indicado no tratamento da hipertensão arterial.

Lítio é um fármaco utilizado no tratamento de transtorno afetivo bipolar, mania e depressão. Altera o transporte do sódio nas células nervosas e musculares, modificando o metabolismo intraneural das catecolaminas.

INTERAÇÃO: De acordo com a bula, foram relatadas alterações séricas do lítio, incluindo casos de toxicidade, durante a administração concomitante com antagonistas dos receptores de angiotensina II, grupo no qual estão incluídos fármacos como a valsartana, losartana e irbesartana. A mesma informação está associada ao uso de lítio em conjunto com inibidores da ECA.

O risco é aumentado em pacientes idosos ou que apresentam fatores de risco, tais como restrição de sódio, insuficiência renal, insuficiência cardíaca congestiva ou desidratação.

Escopolamina x Hidroxizina


Escopolamina é um fármaco anticolinérgico que exerce atividade espasmolítica sobre a musculatura lisa do trato gastrintestinal, geniturinário e vias biliares.

Hidroxizina é um anti-histamínico de primeira geração indicado no tratamento de manifestações alérgicas. Promove o antagonismo dos receptores H1 da histamina.

INTERAÇÃO: Anti-histamínicos de primeira geração, tais como a hidroxizina, prometazina ou dexclorfeniramina, possuem atividade anticolinérgica e podem intensificar as reações já esperadas com a utilização da escopolamina. Apenas para recordar, alguns dos efeitos desagradáveis decorrentes do bloqueio de receptores muscarínicos da acetilcolina são: boca seca, visão turva, retenção urinária, taquicardia e constipação.

Fluoxetina x Alprazolam


Fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) utilizado no tratamento dos casos de depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e outras patologias.

Alprazolam é um benzodiazepínico com atividades anticonvulsivante, sedativa, relaxante muscular e ansiolítica, comuns aos representantes deste grupo farmacológico.

INTERAÇÃO: Recomenda-se cautela na administração concomitante destes fármacos, devido ao potencial da fluoxetina como inibidor de CYP2D6. De acordo com informação de bula, foram observadas alterações nos níveis séricos de alprazolam quando administrado em pacientes tratados com fluoxetina.




Salbutamol x Escopolamina


Salbutamol é um agonista seletivo dos receptores beta-2 adrenérgicos da musculatura brônquica, indicado no controle e prevenção dos espasmos durante as crises de asma.

Escopolamina é um fármaco anticolinérgico que exerce atividade espasmolítica sobre a musculatura lisa do trato gastrintestinal, geniturinário e vias biliares.

INTERAÇÃO: Um efeito colateral conhecido dos agonistas beta-2 adrenérgicos, apesar de sua seletividade, é a taquicardia produzida em decorrência de estimulação dos receptores beta da musculatura cardíaca. Esta reação pode ser potencializada se houver uso concomitante com a escopolamina, uma vez que sua atividade anticolinérgica torna mais evidente a ação do sistema nervoso autônomo simpático.

Metformina x Enalapril


Metformina é um antidiabético oral do grupo das biguanidas que exerce sua ação através de diferentes mecanismos. O resultado obtido é a redução da glicemia pós-prandial e basal.

Enalapril é um anti-hipertensivo inserido no grupo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

INTERAÇÃO: Fármacos que agem como inibidores da ECA, tomando como exemplo o enalapril, podem ocasionar redução da glicemia nos pacientes diabéticos tratados com metformina. Em decorrência desta interação, é possível que exista a necessidade de ajuste na dose da metformina a fim de se evitarem descompensações. Este procedimento deve ser levado em consideração durante o uso dos inibidores da ECA ou após sua interrupção.




Levofloxacino x Antiácidos


Levofloxacino é um agente antimicrobiano quinolônico que possui ação bactericida por meio da inibição das topoisomerases II (DNA-girase) e IV.

INTERAÇÃO: A bula de levofloxacino informa que sua administração associada aos antiácidos que contenham magnésio ou alumínio, assim como sucralfato, em intervalos inferiores a duas horas pode formar quelatos e prejudicar a absorção. Este processo também pode ocorrer na presença de ferro e preparações multivitamínicas contendo cálcio ou zinco.

O mesmo tipo de interação é encontrada na bula de ciprofloxacino, onde consta a informação de que a restrição não se aplica aos antagonistas dos receptores histamínicos H2, tendo como exemplo a ranitidina. 




Clonazepam x Olanzapina


Clonazepam é um benzodiazepínico com atividades anticonvulsivante, sedativa, relaxante muscular e ansiolítica, comuns aos representantes deste grupo farmacológico.

Olanzapina é um antipsicótico atípico com perfil farmacológico amplo, exercendo seu efeito por meio da ação em diferentes sistemas de receptores.

INTERAÇÃO: O uso concomitante destes fármacos pode provocar queda na pressão arterial, fraqueza muscular, vertigem, dificuldades na dicção e baixa pulsação. Tais reações são mais prováveis de ocorrer em pacientes idosos ou que apresentam condição debilitante, tendo como exemplo a dificuldade respiratória.

As advertências e precauções na bula da olanzapina informam que o aumento da mortalidade em pacientes idosos tratados com este fármaco tem como um dos fatores de risco o uso concomitante de benzodiazepínicos.




Sertralina x Sumatriptana


Sertralina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento de depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo e outras patologias.

Sumatriptana é um fármaco indicado no alívio das crises de enxaqueca que age como agonista seletivo vascular de receptores 5-HT1, produzindo vasoconstrição cerebral.

INTERAÇÃO: A bula relata que nos estudos realizados em período pós-comercialização da sumatriptana, surgiram relatos de pacientes que fizeram uso concomitante deste fármaco com  os ISRS, como é o caso da sertralina, e apresentaram sintomas associados à síndrome serotoninérgica. 

Alguns dos sintomas descritos são: incoordenação motora, confusão, fraqueza e agitação. Os relatos foram classificados como raros.

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Amiodarona x Varfarina


Amiodarona é agente um antiarrítmico que atua por meio de diferentes mecanismos, tais como o alongamento do potencial de ação da fibra cardíaca, inibição adrenérgica alfa e beta não competitiva, entre outros.

Varfarina é um anticoagulante cumarínico cujo mecanismo de ação consiste na inibição de fatores de coagulação dependentes da vitamina K.

INTERAÇÃO: Quando estes fármacos são administrados concomitantemente, há risco de exacerbação do efeito do anticoagulante oral, tendo como consequência a maior probabilidade de hemorragia. O mecanismo da interação pode ser explicado pela inibição de enzimas do citocromo P450 produzida pela amiodarona ou seu metabólito.

Há recomendação de monitoramento dos níveis de protrombina (INR) com regularidade, assim como ajuste na dose da varfarina durante e após o tratamento com amiodarona, conforme os exames apontem esta necessidade.

Drug Interaction: Amiodarone x Warfarin

Using amiodarone together with warfarin may cause you to bleed more easily. You may need a dose adjustment based on your prothrombin time or INR. 




Ácido Acetilsalicílico x Valproato de Sódio


Ácido Acetilsalicílico é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que possui propriedades analgésica e antipirética, sendo usado também como antiagregante plaquetário. Atua por inibição da enzima ciclo-oxigenase (COX).

Valproato de Sódio (ácido valproico) é um anticonvulsivante utilizado como monoterápico ou adjuvante em crises parciais complexas. Seu efeito se justifica pelo aumento dos níveis cerebrais do neurotransmissor GABA.

INTERAÇÃO: Está relatado em bula o aumento da toxicidade do valproato de sódio quando associado ao ácido acetilsalicílico, devido à maior taxa de deslocamento das proteínas plasmáticas e consequente elevação nos níveis de fármaco em sua forma ativa. Alguns sintomas que poderão surgir em decorrência desta interação são os seguintes: fraqueza, náusea, vômito, sonolência ou dor abdominal. O ajuste na dose pode ser necessário visando garantir maior eficácia e segurança ao tratamento.




Dipirona x Ciclosporina


Dipirona é um derivado pirazolônico com efeitos analgésico e antipirético cujo mecanismo de ação envolve a inibição da síntese de prostaglandinas e a dessensibilização de nociceptores periféricos.

Ciclosporina é um agente imunossupressor que inibe o desenvolvimento das reações de células mediadoras, visando prolongar a sobrevida de transplantes alogênicos.

INTERAÇÃO: A bula de dipirona indica que a administração concomitante com ciclosporina ocasiona redução nos níveis plasmáticos do imunossupressor, havendo, portanto, a necessidade de monitoramento das concentrações para manutenção do efeito terapêutico.

Nifedipino x Cimetidina


Nifedipino é um anti-hipertensivo incluído na classe dos bloqueadores seletivos dos canais de cálcio, inibindo o processo de contração do músculo liso ao bloquear o influxo celular do íon.

Cimetidina é um fármaco utilizado no controle da secreção ácida gástrica, agindo como inibidor das ações da histamina nos receptores H2. Reduz tanto o volume quanto a acidez da secreção.

INTERAÇÃO: A metabolização do nifedipino ocorre por meio do CYP3A4, de forma que fármacos com ação indutora ou inibidora deste sistema enzimático poderão interferir em sua depuração. Esta é justamente a possibilidade de interação entre o citado antagonista do cálcio e a cimetidina, fármaco inibidor de CYP3A4. Ritmo cardíaco irregular, edema ou queda na pressão arterial são sintomas sugestivos da interação.

A bula do anlodipino, também antagonista do cálcio, cita que a coadministração com cimetidina não alterou sua farmacocinética.

Nimesulida x Espironolactona


Nimesulida é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição preferencial da isoenzima COX-2, a qual é induzida durante o processo da inflamação. 

Espironolactona é um diurético poupador de potássio que tem como mecanismo de ação o antagonismo da aldosterona, resultando na excreção de sódio e água.

INTERAÇÃO: Pacientes que seguem tratamento com a espironolactona e fizerem uso de nimesulida poderão ser submetidos ao risco de hipercalemia e nefrotoxicidade, além de haver diminuição do efeito diurético na presença do anti-inflamatório. O mesmo tipo de interação, segundo informação de bula, pode ocorrer no caso de uso concomitante da nimesulida com outros diuréticos poupadores de potássio, por exemplo a amilorida.




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