A Hematose


Hematose é o nome que se atribui ao processo que ocorre nos alvéolos e consiste na transformação do sangue venoso (pobre em O2) em sangue arterial (rico em O2), o qual será distribuído aos tecidos e permitirá o correto funcionamento do organismo.

É por meio do processo de inspiração que o oxigênio (O2) atinge os alvéolos pulmonares, onde a concentração do gás é maior em relação à dos capilares sanguíneos que os envolvem. Isso permite ao oxigênio atravessar a membrana alveolar por difusão, penetrando nos capilares e promovendo a oxigenação do sangue.

A maior parte do oxigênio presente no sangue é encontrado nas hemácias, onde combina-se à hemoglobina para formar a oxiemoglobina. Quando este sangue atinge os tecidos, o oxigênio se desliga da hemoglobina e penetra no interior das células também por difusão.

Ao mesmo tempo em que o oxigênio entra nas células, o gás carbônico (CO2), gerado no processo de respiração celular e em maior concentração no interior, passa para o sangue. Percebemos, com isso, que nos tecidos o sangue arterial é convertido em sangue venoso, o qual será transportado novamente até os pulmões para a ocorrência de troca gasosa nos alvéolos. Este é um processo cíclico da respiração pulmonar.

Varfarina x Prednisona


Varfarina é um anticoagulante cumarínico cujo mecanismo de ação consiste na inibição de fatores de coagulação dependentes da vitamina K.

Prednisona é um corticosteroide utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

INTERAÇÃO: Quando varfarina e prednisona são utilizadas em associação, pode ocorrer tanto o aumento quanto a diminuição do efeito anticoagulante, exigindo maior cuidado e possivelmente o ajuste posológico. Esta informação se aplica tanto à associação com prednisona como com outros fármacos corticosteroides.

Drug Interaction: Warfarin x Prednisone

Using these medications together may alter your blood levels. You may need a dose adjustment based on your prothrombin time. Call your doctor if you experience symptoms like chest pain, shortness of breath, sudden loss of vision or swelling in an extremity.




Classificação Clínica das Crises Convulsivas


Os acessos convulsivos podem ser classificados em duas categorias principais, havendo em cada uma delas outras subdivisões. A forma mais simples de organizar as informações é dividir o assunto em crises parciais e generalizadas.

As crises parciais podem ser simples ou complexas. As crises simples apresentam atividade anômala em um ponto do cérebro, sem perda de consciência e com sintomas em um membro ou grupo muscular, assim como alteração sensorial. As crises complexas são associadas à distorção mental e perda de consciência que pode variar entre 30 e 120 segundos.

As generalizadas, por sua vez, podem ser divididas em crises de ausência, tônico-clônicas e mioclônicas. As crises de ausência (pequeno mal), geralmente ocorrem até a puberdade e possuem como característica a perda de qualquer atividade do paciente, inclusive a fala. As crises tônico-clônicas se identificam por contração de toda a musculatura, com espasmos rígidos e prolongados, além da possibilidade de salivação e micção. As crises mioclônicas se relacionam com episódios súbitos e curtos de contrações musculares, limitando-se a determinados segmentos.

Quanto à farmacologia, inicialmente se busca suprimir a ocorrência de crises de acordo com o tipo apresentado pelo paciente, havendo também o cuidado com toxicidade para a escolha do fármaco. A teratogenicidade é uma preocupação no tratamento de gestantes acometidas por epilepsia. Vale dizer ainda que, caso o fármaco de escolha seja ineficaz, há a possibilidade de se estabelecer associação terapêutica. 

Dimenidrinato x Clonazepam


Dimenidrinato é um fármaco utilizado no tratamento e profilaxia de náuseas e vômitos em geral. Seu mecanismo está relacionado com a inibição da acetilcolina nos sistemas vestibular e reticular.

Clonazepam é um benzodiazepínico com atividades anticonvulsivante, sedativa, relaxante muscular e ansiolítica, comuns aos representantes deste grupo farmacológico.

INTERAÇÃO: Há a possibilidade de potencialização dos depressores do sistema nervoso central quando associados ao dimenidrinato. O fármaco selecionado para falarmos a respeito desta interação foi o clonazepam, porém o mesmo vale para os demais benzodiazepínicos, assim como outras classes de medicamentos com ação sedativa e tranquilizante.




Buclizina x Hidroxizina


Buclizina é um orexígeno que também produz ação anti-histamínica e antiemética. A estimulação do apetite parece possuir relação com atividade no hipotálamo. Efeitos antimuscarínicos também são associados a este fármaco.

Hidroxizina é um anti-histamínico de primeira geração indicado no tratamento de manifestações alérgicas. Promove o antagonismo dos receptores H1 da histamina.

INTERAÇÃO: A bula informa que há a possibilidade de efeitos aditivos anticolinérgicos quando se administra a buclizina associada aos anti-histamínicos. Como a atividade anticolinérgica é relacionada aos anti-histamínicos de primeira geração, considera-se que a probabilidade de se produzir uma interação envolva fármacos como a hidroxizina, aqui descrita, além de prometazina e dexclorfeniramina. 

Hemostasia e Trombose


O termo hemostasia corresponde à interrupção da perda de sangue em vasos lesados, sendo essencial à vida devido ao fato de estancar sangramentos. As plaquetas são os componentes sanguíneos que respondem à lesão celular por meio de processos de ativação.

Há a possibilidade de formação de coágulos no interior dos vasos sanguíneos, sendo este um evento que corresponde à trombose, alteração mais frequente no processo hemostático.

Na trombose arterial, o principal efeito é a interrupção ou lentidão do fluxo sanguíneo em determinada região, com possibilidade de isquemia ou morte tecidual. A trombose venosa pode ocorrer tanto na superfície corpórea quanto em vasos mais profundos, gerando processo inflamatório com obstrução local (parcial ou total), dor intensa e edema.

São fatores que favorecem a trombose: a estase, traumatismos nas veias, hipercoagulação durante a gravidez, uso de contraceptivos orais, insuficiências congênitas e o tabagismo.

Quanto à farmacologia empregada na hemostasia e na trombose, os mecanismos são os seguintes: modificações nos processos de ativação e adesão plaquetária, alterações na formação da fibrina e também no processo de fibrinólise.




Oxicodona x Paroxetina


Oxicodona é um analgésico opioide indicado no tratamento de dores moderadas a severas, quando é necessário a administração de um fármaco por período prolongado no alívio da dor.

Paroxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento da depressão e transtornos de ansiedade. 

INTERAÇÃO: A bula descreve a oxicodona como um fármaco que sofre metabolização parcial pela CYP2D6. Esta isoenzima tem como um de seus inibidores a paroxetina, assim como ocorre com os demais representantes incluídos no grupo dos ISRS. Não foi bem estabelecido se a inibição ocasiona alterações que possuam significado clínico, contudo a possibilidade de interação não pode ser descartada.

Fator Rh e Eritroblastose Fetal


O fator Rh, proveniente de Rhesus, foi descoberto em 1940 por Landsteiner e Wiener. Os descobridores extraíram de algumas cobaias o soro contendo aglutininas anti-Rh e as misturaram com o sangue de diferentes indivíduos. A constatação foi a de que havia aglutinação das hemácias em alguns casos, os quais foram denominados como Rh+. Já em outros casos, quando não havia aglutinação, a classificação foi a de Rh-.

Indivíduos portadores de sangue Rh- normalmente não possuem aglutininas anti-Rh, mas podem produzi-las quando recebem sangue Rh+. Esta informação é relevante em casos de transfusão sanguínea, pois a aglutinação talvez não ocorra na primeira transfusão, devido à produção lenta das aglutininas pelo receptor. Em uma segunda transfusão, no entanto, a produção será mais acelerada e causará aglutinação, com consequente obstrução dos capilares sanguíneos e óbito.

No feto, a condição para que a eritroblastose fetal (doença hemolítica do recém nascido - DHRN) ocorra, é a de que ele seja Rh+ e a mãe Rh-. Neste caso, durante a gestação pode haver o intercâmbio de sangue entre mãe e filho, fazendo com que a mãe produza aglutininas (anticorpos) anti-Rh, as quais passarão à circulação fetal e promoverão aglutinação na criança.

Mais uma vez, como a produção de aglutininas anti-Rh é lenta, não deve haver problema na primeira gestação, porém se o segundo filho também for Rh+, então pode haver destruição considerável das hemácias no feto. Assim surge a eritroblastose fetal, que se caracteriza por anemia profunda, icterícia e aumento de volume do fígado e baço, assim como possíveis perturbações mentais.

Enalapril x Lítio


Enalapril é um anti-hipertensivo inserido no grupo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

Lítio é um fármaco utilizado no tratamento de transtorno afetivo bipolar, mania e depressão. Altera o transporte do sódio nas células nervosas e musculares, modificando o metabolismo intraneural das catecolaminas.

INTERAÇÃO: Há recomendação de se monitorar os níveis de lítio caso o enalapril seja administrado em associação, devido à possibilidade de redução na depuração do lítio. Ao inibir a conversão de angiotensina I para angiotensina II, o enalapril reduz a liberação de aldosterona e, consequentemente, a reabsorção de sódio (íon diretamente relacionado ao mecanismo de ação do lítio).

Levando-se em consideração o mecanismo de ação do enalapril, talvez não se possa descartar a mesma chance de interação com os demais inibidores da ECA. Só para lembrar: o lítio possui baixo índice terapêutico, de forma que as interações medicamentosas podem produzir efeitos tóxicos. 




Loperamida x Genfibrozila


Loperamida é um fármaco indicado no tratamento de diarreias, assim como ileostomias e colostomias com perda excessiva de água e eletrólitos. Liga-se ao receptor opiáceo da parede intestinal e, consequentemente, inibe a liberação de acetilcolina e aumenta o tempo de trânsito intestinal

Genfibrozila é um agente regulador de lípides indicado em casos de dislipidemia, prevenção de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio. Inibe a lipólise periférica e diminui a captação hepática de ácidos graxos livres, elevando também o clearance de apolipoproteína B.

INTERAÇÃO: Foi verificado em estudo que a genfibrozila pode aumentar os níveis plasmáticos da loperamida em duas vezes, devido à inibição de CYP2C8. Ainda considerando-se o mesmo estudo, foi utilizado itraconazol associado à loperamida, sem que se retirasse a genfibrozila. Neste caso, o aumento foi quadruplicado e o fato é justificado pela inibição de CYP3A4 produzida pelo antifúngico.

Helicobacter pylori


No homem, a presença do H. pylori está associada a diversas doenças do aparelho digestório, incluindo a gastrite crônica, a úlcera péptica, o linfoma do tipo TLAM (sigla para tecido linfoide associado à mucosa) e o câncer gástrico.

A primeira vez que se estabeleceu uma associação entre a gastrite e a presença de uma bactéria espiralada no estômago de humanos foi em 1983, com descrição feita por dois australianos: Barry J. Marshall e J. Robin Warren.

Parece haver relação entre o risco de infecção e o nível socioeconômico do local. Fatores como superpopulação, precariedade no saneamento básico e moradias compartilhadas contribuem para o surgimento de casos.

Não se esclareceu perfeitamente o mecanismo de transmissão, mas a maior hipótese é a de que o H. pylori seja transmitido pelas vias fecal/oral, oral/oral, água e alimentos como vegetais crus.

A realização do diagnóstico ocorre com métodos que são invasivos, por meio de coleta de material durante o exame de endoscopia para a realização de cultura, teste histológico e da urease. O tratamento é feito com a associação de antimicrobianos e inibidor da bomba de prótons.

Piracetam x Levotiroxina


Piracetam é um fármaco que pertence ao grupo dos nootrópicos e está indicado no tratamento de condições como a perda de memória, distúrbios de atenção, vertigem e distúrbios de equilíbrio. 

Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: É possível que se manifestem sintomas como confusão, irritabilidade e alteração do sono no uso concomitante de piracetam e hormônios tireoidianos, como é o caso da levotiroxina. Diante de qualquer desconforto que surgir após a administração de um destes fármacos quando já houver tratamento anterior com o outro, é importante que o médico seja comunicado para que se encontre a melhor alternativa terapêutica.

Venlafaxina x Metoprolol


Venlafaxina é um inibidor potente da recaptação de serotonina e norepinefrina, com menor efeito sobre a recaptação de dopamina. Este fármaco é indicado no tratamento da depressão, ansiedade e transtornos do pânico, com ou sem agorafobia

Metoprolol é um antagonista dos receptores beta-1 adrenérgicos (betabloqueador seletivo) indicado no tratamento da hipertensão arterial, angina e alterações do ritmo cardíaco.

INTERAÇÃO: Em estudo realizado para se avaliar os resultados da administração concomitante destes dois fármacos, foi verificado o aumento de 30% a 40% nas concentrações plasmáticas do metoprolol, sem que houvesse alterações nos níveis séricos de seu metabólito ativo. Não se determinou a relevância clínica da interação, apesar de haver a conclusão de que a venlafaxina pode reduzir a eficácia hipotensora do metoprolol.

Os dados do estudo mencionado estão descritos em bula, onde também encontra-se a informação de que é necessário cautela quando venlafaxina e metoprolol forem utilizados em associação.

Bromazepam x Cimetidina


Bromazepam é um benzodiazepínico que reduz a tensão e a ansiedade quando administrado em doses baixas. Se a dose for elevada, as propriedades sedativa e relaxante muscular serão manifestadas.

Cimetidina é um fármaco utilizado no controle da secreção ácida gástrica, agindo como inibidor das ações da histamina nos receptores H2. Reduz tanto o volume quanto a acidez da secreção.

INTERAÇÃO: A cimetidina, devido à sua capacidade de produzir inibição da CYP3A4, pode prolongar a meia vida de eliminação do bromazepam. Esta ação é decorrente da redução na depuração plasmática que, segundo informação de bula, pode atingir 50%. O propranolol também aparece em bula, sendo associado à possibilidade de interferência na farmacocinética do bromazepam.

Bromoprida x Codeína


Bromoprida é um fármaco indicado nos distúrbios da motilidade gastrintestinal e refluxo gastroesofágico, além de aliviar náuseas e vômitos de origem central e periférica. Sua ação está relacionada ao bloqueio dos receptores D2 da dopamina. 

Codeína é um analgésico opioide que também possui atividade antitussígena. Atua como agonista dos receptores opioides e é indicada para o alívio de dores moderadas a intensas.

INTERAÇÃO: Um dos efeitos colaterais possíveis com o uso da codeína é a constipação e isso pode atrapalhar o objetivo pretendido na terapia com a bromoprida. A bula relata que analgésicos com ação narcótica, assim como sedativos e anticolinérgicos, antagonizam os efeitos da bromoprida. Pode ocorrer também a potencialização de efeitos sedativos.

Fexofenadina x Antiácidos


Fexofenadina é um anti-histamínico com atividade seletiva nos receptores H1 periféricos. Destina-se ao alívio dos sintomas associados às manifestações cutâneas sem complicações e alívio sintomático da rinite alérgica sazonal.

INTERAÇÃO: Foi verificada redução na biodisponibilidade da fexofenadina quando administrada com antiácidos em intervalos considerados curtos, que seriam de aproximadamente quinze minutos entre um fármaco e outro. Por este motivo, recomenda-se aguardar o período aproximado de duas horas entre uma dose da fexofenadina e antiácidos que contenham alumínio ou magnésio em sua formulação.

A interferência na absorção do anti-histamínico não foi observada quando se utilizou omeprazol. Ranitidina ou cimetidina, que são fármacos que reduzem a secreção ácida por bloqueio dos receptores H2 da histamina, não estão descritos em bula.

Drug Interaction: Fexofenadine x Aluminum hydroxide

Using fexofenadine together with aluminum hydroxide may decrease the effects of fexofenadine. Fexofenadine should be administered at least 2 hours before aluminum hydroxide.




Metformina x Topiramato


Metformina é um antidiabético oral do grupo das biguanidas que exerce sua ação por meio de diferentes mecanismos. O resultado obtido é a redução da glicemia pós-prandial e basal.

Topiramato é um fármaco indicado no tratamento da epilepsia. Seu mecanismo de ação está relacionado com o estímulo de receptores do neurotransmissor inibitório GABA e indução do influxo de íons cloreto.

INTERAÇÃO: Resultados de estudos descritos em bula relatam que houve aumento na concentração máxima e na área sob a curva da metformina quando este fármaco foi associado ao topiramato. Os valores identificados foram de 18% para a Cmáx e de 25% para a ASC, assim como redução de 20% na depuração do hipoglicemiante.

A depuração do topiramato também parece sofrer redução, porém não se verificou a extensão. Recomenda-se ter os cuidados necessários quanto ao monitoramento glicêmico de diabéticos tratados com metformina, caso o topiramato seja administrado ou retirado da terapia.




Metilfenidato x Haloperidol


Metilfenidato é um fármaco indicado no tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), cujo mecanismo de ação está relacionado com a inibição da recaptação de dopamina, porém sem disparo na liberação do neurotransmissor.

Haloperidol é um neuroléptico identificado como butirofenona e incluído entre os antipsicóticos clássicos. Promove o bloqueio de receptores dopaminérgicos centrais. 

INTERAÇÃO: Há possibilidade de interações farmacodinâmicas quando se faz o uso associado de metilfenidato com antagonistas dopaminérgicos, a exemplo de antipsicóticos como o haloperidol. A bula não recomenda este tipo de associação de fármacos, devido ao mecanismo contrário que exercem. O metilfenidato inibe a recaptação de dopamina, visando ampliar os efeitos deste neurotransmissor, enquanto os antipsicóticos o antagonizam.

O fármaco citado em bula é o haloperidol, representando os antipsicóticos clássicos. Contudo, é possível que o mesmo mecanismo de interação se processe quando um antipsicótico atípico estiver associado, exigindo a avaliação caso a caso.

Albendazol x Carbamazepina


Albendazol é um fármaco com ação anti-helmíntica que atua por inibição da polimerização tubulínica, comprometendo o aporte energético do helminto e ocasionando sua morte.

Carbamazepina é um anticonvulsivante utilizado no tratamento dos quadros de epilepsia, possuindo também outras indicações terapêuticas. Inibe a descarga neuronal repetitiva e reduz a propagação sináptica dos impulsos excitatórios.

INTERAÇÃO: Há possibilidade de redução dos níveis plasmáticos do albendazol quando este fármaco for utilizado em associação com a carbamazepina. A interação possivelmente se justifica pela propriedade de indução enzimática associada ao anticonvulsivante.

Não se conhece a relevância clínica decorrente da alteração sérica, mas é preciso considerar a redução da eficácia no tratamento de infecções por helmintos. A bula cita a mesma possibilidade de interação com o uso de fenobarbital.

Flunarizina x Propranolol


Flunarizina é um derivado da piperazina que atua efetuando o bloqueio seletivo dos canais lentos de cálcio. Está indicada no tratamento de vertigens, doenças cerebrovasculares crônicas, doenças vasculares periféricas e profilaxia da enxaqueca.

Propranolol é um antagonista competitivo dos receptores adrenérgicos beta-1 e beta-2, tendo como algumas de suas indicações o tratamento da hipertensão arterial, angina e arritmias.

INTERAÇÃO: O uso concomitante destes fármacos pode provocar alterações no ritmo cardíaco, incluindo a bradicardia (que de alguma forma já é esperada devido ao bloqueio beta-adrenérgico) e piora da performance cardíaca em decorrência de efeitos aditivos que resultam na redução da contratilidade e da condução atrio-ventricular. 

É necessário o mesmo tipo de cuidado quando se pretende utilizar a flunarizina associada aos demais beta-bloqueadores, a exemplo de atenolol ou metoprolol.

Ciclobenzaprina x Sertralina


Ciclobenzaprina é um fármaco utilizado no tratamento de espasmos musculares associados a condições musculoesqueléticas agudas. Suprime o espasmo do músculo de origem local sem interferir em sua função, reduzindo a atividade motora tônica.

Sertralina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento de depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo e outras patologias.

INTERAÇÃO: A bula relata a ocorrência de síndrome serotoninérgica potencialmente fatal quando a ciclobenzaprina foi administrada em associação com fármacos que inibem a recaptação de serotonina. Além dos ISRS, recomenda-se cautela com os tricíclicos, buspirona, bupropiona e também o tramadol, citando outras possibilidades com potencial de gerar a mesma interação.

É necessário que se tenha atenção aos seguintes sintomas: alterações no estado mental, taquicardia, tremores ou rigidez muscular, convulsão, náuseas e vômitos. Caso se manifeste um quadro sintomático com algumas das possibilidades descritas, recomenda-se a descontinuidade do uso de ciclobenzaprina.




Prednisolona x Levotiroxina


Prednisolona é um fármaco esteroide com propriedades predominantemente glicocorticoides. É utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: Quando a levotiroxina é administrada, é necessário que posteriormente aconteça a conversão periférica para tri-iodotironina (T3), a fim de se obter o efeito terapêutico pretendido com a reposição hormonal. Os glicocorticoides podem inibir esta conversão e reduzir a concentração sérica de T3, possivelmente gerando a necessidade de se rever a posologia.

Fármacos beta-simpatolíticos, a exemplo do propranolol, também possuem esta capacidade e podem produzir interação, de acordo com o que está descrito em bula.

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Levotiroxina x Glibenclamida


Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

Glibenclamida é um hipoglicemiante oral incluído no grupo das sulfonilureias. Tem como mecanismo de ação o estímulo sobre as células beta nas ilhotas pancreáticas para a liberação de insulina (efeito secretagogo).

INTERAÇÃO: O efeito pretendido com o uso de hipoglicemiantes orais em pacientes diabéticos pode ser reduzido pela levotiroxina. O monitoramento glicêmico é recomendado, principalmente quando a terapia hormonal for iniciada ou interrompida, para que se possa verificar as possíveis alterações na glicemia e corrigi-las.

A glibenclamida foi o fármaco de escolha para relatar esta interação, mas o mesmo se aplica aos demais representantes do grupo das sulfonilureias. Do mesmo modo, a bula cita o cuidado na coadministração de levotiroxina com metformina e insulina.




Diclofenaco x Clonidina


Diclofenaco (sódico ou potássico) é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que possui como mecanismo de ação a inibição não seletiva de ciclo-oxigenase (COX), interferindo na biossíntese dos eicosanoides envolvidos em processos inflamatórios.

Clonidina é um agente hipotensor cujo mecanismo de ação ocorre predominantemente através da estimulação de receptores alfa-2 adrenérgicos.

INTERAÇÃO: Fármacos que possuem a capacidade de retenção de sódio e água, tendo como consequência o aumento da pressão arterial, podem reduzir a ação terapêutica esperada com a utilização da clonidina. Os AINEs, de um modo geral, interferem na fisiologia renal devido à inibição da síntese de prostaglandinas, modificando o processo de excreção.

Esta é uma interação comum e vale recordar que pode ser levada em consideração quando forem utilizados outros AINEs, assim como anti-hipertensivos incluídos em diferentes grupos.

Genfibrozila x Montelucaste


Genfibrozila é um agente regulador de lípides indicado em casos de dislipidemia, prevenção de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio. Inibe a lipólise periférica e diminui a captação hepática de ácidos graxos livres, elevando também o clearance de apolipoproteína B.

Montelucaste é um inibidor das funções fisiológicas dos leucotrienos cisteínicos, que são produtos do ácido araquidônico e potentes eicosanoides inflamatórios liberados de células como os mastócitos e eosinófilos.

INTERAÇÃO: A genfibrozila produz inibição de CYP2C8 e pode aumentar a exposição sistêmica do montelucaste, fármaco que é metabolizado por esta isoenzima, em até 4,4 vezes. Apesar deste dado, a bula informa que eventos adversos clinicamente importantes não foram observados e que, por este motivo, não há necessidade de ajuste na dose do montelucaste quando coadministrado com genfibrozila.

Apenas para adicionar informação, outro fármaco que também pode ter a concentração plasmática elevada pela inibição enzimática da genfibrozila é a loperamida.

Escitalopram x Clopidogrel


Escitalopram é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento e prevenção da recaída ou recorrência da depressão, transtorno obsessivo compulsivo, pânico e ansiedade.

Clopidogrel é um inibidor da agregação plaquetária cujo mecanismo de ação corresponde ao antagonismo seletivo do receptor de adenosina difosfato.

INTERAÇÃO: há relatos de sangramentos cutâneos anormais, como equimoses e púrpura, em decorrência do uso de inibidores da recaptação de serotonina, sabendo-se que este grupo de fármacos afeta a função das plaquetas. Em decorrência disso, podem aumentar o risco de hemorragia quando utilizados em associação com o clopidogrel, exigindo cautela.

O escitalopram foi apenas o exemplo selecionado para mencionar a interação, porém o que se descreve aplica-se, do mesmo modo, a outros fármacos incluídos no grupo dos ISRS.

Midazolam x Cetoconazol


Midazolam é um derivado das imidazobenzodiazepinas com baixa toxicidade e amplo índice terapêutico. Possui ação sedativa de pronunciada intensidade, além de efeito ansiolítico, anticonvulsivante e relaxante muscular.

Cetoconazol é um fármaco com ação fungicida ou fungistática. Promove inibição da biossíntese do ergosterol no fungo e altera a composição de lipídeos na membrana.

INTERAÇÃO: A bula descreve resultado de estudo onde foi verificado aumento superior a cinco vezes na concentração plasmática de midazolam provocado pelo cetoconazol. O motivo é a inibição da isoenzima CYP3A4 produzida pelo antifúngico.

Há recomendação de se considerar doses coordenadas, assim como ajuste, caso exista a necessidade de associação destes fármacos em terapia. Se o uso de midazolam for injetável, pode ocorrer depressão respiratória.

Orlistate x Amiodarona


Orlistate é um inibidor reversível específico das lipases gastrintestinais, indicado para o tratamento em longo prazo de pacientes com sobrepeso ou obesidade.

Amiodarona é um agente antiarrítmico que atua por meio de diferentes mecanismos, tais como o alongamento do potencial de ação da fibra cardíaca, inibição alfa e beta não competitiva, entre outros.

INTERAÇÃO: Foi verificado em estudo que a administração de amiodarona durante o tratamento com orlistate ocasionou redução de 25% a 30% na exposição sistêmica do antiarrítmico. Uma possibilidade diferente, que seria a administração de orlistate em pacientes sob terapia estável com amiodarona, não foi estudada. Contudo, a redução do potencial terapêutico é considerada.

Drug Interaction: Orlistat x Amiodarone

Orlistat may reduce the blood levels of amiodarone, which may make the medication less effective in treating your condition. You may need a dose adjustment or more frequent monitoring to safely use both medications.




Zolpidem x Codeína


Zolpidem é um ansiolítico do grupo das imidazopiridinas com ação agonista seletiva gabaérgica. Facilita o início do sono, assim como prolonga a sua duração.

Codeína é um analgésico opioide que também possui atividade antitussígena. Atua como agonista dos receptores opioides e é indicada para o alívio de dores moderadas a intensas.

INTERAÇÃO: Na literatura encontra-se a informação de que a dependência causada pelo uso de zolpidem, quando ocorre, é mínima. Porém, se houver utilização deste fármaco associado a analgésicos com ação narcótica, pode ocorrer aumento da sensação de euforia e maior risco de manifestação da dependência psicológica.

Drug Interaction: Zolpidem x Codeine

Using codeine together with zolpidem may increase side effects such as dizziness, drowsiness, confusion, and difficulty concentrating. Some people, especially the elderly, may also experience impairment in thinking, judgment, and motor coordination. You should avoid or limit the use of alcohol while being treated with these medications.




Topiramato x Hidroclorotiazida


Topiramato é um fármaco indicado no tratamento da epilepsia. Seu mecanismo de ação está relacionado ao estímulo de receptores do neurotransmissor inibitório GABA e indução do influxo de íons cloreto.

Hidroclorotiazida é um diurético representante do grupo dos tiazídicos, com atuação no túbulo distal. Reduz a reabsorção ativa de sódio e cloreto, ocasionando também a perda de potássio.

INTERAÇÃO: A bula descreve estudos nos quais foram verificados o aumento de 27% na concentração máxima e de 29% na área sob a curva do topiramato quando associado à hidroclorotiazida. A relevância clínica decorrente desta interação é desconhecida, porém a possível necessidade de ajuste na dose não é descartada.

A redução no potássio sérico em resultados laboratoriais foi maior quando hidroclorotiazida e topiramato foram administrados em associação.




Enoxaparina x Prednisolona


Enoxaparina é uma heparina de baixo peso molecular utilizada, entre outras indicações, no tratamento da trombose venosa profunda com ou sem embolismo pulmonar e na profilaxia do tromboembolismo venoso.

Prednisolona é um fármaco esteroide com propriedades predominantemente glicocorticoides. É utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

INTERAÇÃO: Salvo se estritamente necessário, recomenda-se, antes do início do tratamento com a enoxaparina, a interrupção de medicamentos que possam afetar a hemostasia. Os glicocorticoides, a exemplo da prednisolona, representam uma possibilidade de produzir interação, potencializando o efeito anticoagulante pretendido com a enoxaparina.

O motivo é o risco de trombocitopenia descrito em bula relacionado ao uso de prednisolona, assim como prednisona. Esta condição pode ser provocada devido à inibição da síntese de eicosanoides, dentre os quais o tromboxano A2, participante da agregação plaquetária.

Cilostazol x Diltiazem


Cilostazol é um antiagregante plaquetário que atua por inibição da fosfodiesterase e redução na degradação de AMPc nas plaquetas e vasos sanguíneos.

Diltiazem é utilizado no tratamento da angina e hipertensão arterial. Age como antagonista do cálcio, inibindo a entrada do íon na célula e produzindo o relaxamento da musculatura lisa.

INTERAÇÃO: A metabolização do cilostazol ocorre no citocromo P450, havendo a recomendação de cautela na administração concomitante de fármacos que atuam como inibidores da isoenzima CYP3A4. O diltiazem, além de sofrer metabolização pela mesma isoenzima, é também um potencial inibidor competitivo pela oxidação hepática no citocromo.

A bula informa que o cilostazol pode ter seus efeitos intensificados quando houver uso em associação com o diltiazem.

Meclizina x Paroxetina


Meclizina é um anti-histamínico que efetua o bloqueio dos receptores H1, apresentando baixa afinidade por receptores muscarínicos. Sua ação antiemética possui relação com a inibição do centro do vômito no tronco cerebral. 

Paroxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento da depressão e transtornos de ansiedade.

INTERAÇÃO: O metabolismo da meclizina é mediado pelo citocromo P450, tendo a participação da isoenzima CYP2D6. Fármacos que promovem a inibição desta isoenzima poderão interferir na farmacocinética da meclizina, que é o caso de antidepressivos como a paroxetina, um representante do grupo dos ISRS que parece ser relevante quanto a este tipo de interação decorrente da inibição enzimática.

Sucralfato x Norfloxacino


Sucralfato é um estimulante dos mecanismos protetores da mucosa gástrica, indicado no tratamento da úlcera péptica. Liga-se ao tecido necrótico existente na ulceração, atuando como barreira ao ácido clorídrico liberado pelas células parietais.

Norfloxacino é um antimicrobiano bactericida incluído no grupo das quinolonas. Seu mecanismo de ação corresponde à inibição da DNA-girase e topoisomerase IV.

INTERAÇÃO: O sucralfato pode reduzir e absorção de diversos fármacos, fato que se justifica pela sua qualidade de adsorvente. Além da interação com o norfloxacino, a bula cita outros fármacos com os quais pode ocorrer a interação pelo mesmo motivo: tetraciclina, fenitoína, cimetidina, ranitidina, ciprofloxacino e cetoconazol são alguns deles.

Há a recomendação de se administrar qualquer um dos fármacos citados duas horas antes do sucralfato, pois esta medida poderá minimizar as interações.

Clortalidona x Haloperidol


Clortalidona é um fármaco diurético com atuação no túbulo distal. Inibe a reabsorção de sódio e cloreto, ocasionando também a perda de potássio.

Haloperidol é um neuroléptico identificado como butirofenona e incluído entre os antipsicóticos clássicos. Promove o bloqueio de receptores dopaminérgicos centrais.

INTERAÇÃO: Antipsicóticos como o haloperidol são associados à ocorrência de hiponatremia, condição esta que também pode ser provocada pelo uso de diuréticos. A associação destes fármacos pode produzir como interação exatamente a maior eliminação de sódio do organismo, exigindo cautela.

O mecanismo da interação pode ser explicado pela secreção inapropriada de hormônio antidiurético (ADH) ocasionada pelo haloperidol. Esta informação pode ser encontrada em bula, tal como a precaução quanto às associações que causem desequilíbrio eletrolítico.

Outra fonte: https://www.murciasalud.es/recursos/ficheros/233703-boletin_22.pdf

Furosemida x Deflazacorte


Furosemida é um diurético que atua na alça de Henle aumentando a excreção urinária de sódio e potássio. É conhecido como diurético de alça, por alusão ao seu sítio de ação.

Deflazacorte é um corticosteroide que, assim como outros, possui ação anti-inflamatória e imunossupressora. Comparado à prednisona, apresenta redução de alguns efeitos metabólicos.

INTERAÇÃO: A retenção de sal e água, acompanhada de aumento na excreção de potássio, é característica do uso de corticosteroides sistêmicos. Se houver associação de deflazacorte com a furosemida, que é um diurético potente com efeito depletor de potássio, o risco de hipocalemia pode ser elevado.

Teofilina x Alopurinol


Teofilina é uma metilxantina com ação broncodilatadora que inibe a fosfodiesterase. O aumento de AMPc ocasionado pela inibição enzimática é o responsável pelo efeito relaxante sobre a musculatura brônquica.

Alopurinol é um inibidor de xantina oxidase que diminui os níveis de ácido úrico no plasma e na urina. Entre suas indicações de uso estão a artrite gotosa e a nefrolitíase.

INTERAÇÃO: A administração em conjunto destes fármacos pode ocasionar inibição do metabolismo da teofilina, possivelmente pelo fato de sua biotransformação ter o envolvimento da xantina oxidase, enzima que é inibida com o uso de alopurinol.

A bula recomenda o monitoramento nos níveis séricos da metilxantina, tanto no início do tratamento com alopurinol como quando houver qualquer alteração na posologia. Levando-se em consideração que a teofilina é um fármaco com índice terapêutico estreito, torna-se imprescindível evitar sinais de toxicidade.

Alopurinol x Clorpropamida


Alopurinol é um inibidor de xantina oxidase que diminui os níveis de ácido úrico no plasma e na urina. Entre suas indicações de uso estão a artrite gotosa e a nefrolitíase.

Clorpropamida é um hipoglicemiante do grupo das sulfonilureias. Seu mecanismo de ação corresponde ao estímulo das células beta pancreáticas, resultando na síntese e liberação de insulina.

INTERAÇÃO: Se houver redução da função renal quando estes dois fármacos forem administrados em associação, é possível que a atividade hipoglicêmica da clorpropamida seja prolongada. O monitoramento da glicemia será útil para o ajuste da posologia e eficácia do tratamento.

A interação pode se justificar pelo fato de haver competição entre o alopurinol e a clorpropamida pela excreção no túbulo renal. Não é citado em bula o grupo das sulfonilureias, porém é conveniente investigar os fármacos caso a caso a fim de se prevenir problemas. 

Deflazacorte x Ciprofloxacino


Deflazacorte é um corticosteroide que, assim como outros, possui ação anti-inflamatória e imunossupressora. Comparado à prednisona, apresenta redução de alguns efeitos metabólicos.

Ciprofloxacino é um antimicrobiano pertencente ao grupo das quinolonas fluoradas, possuindo ação bactericida por meio da inibição da DNA-girase.

INTERAÇÃO: O uso de quinolonas, como é o caso do ciprofloxacino, pode elevar o risco de tendinite e ruptura de tendão associado aos corticosteroides. Nas advertências quanto ao uso do antimicrobiano encontra-se a informação de que este deve ser suspenso ao primeiro sinal de tendinite, assim como deve-se evitar exercícios físicos.

Conforme descrito em bula, a probabilidade de reações adversas relacionadas ao sistema músculo-esquelético é maior nos pacientes idosos com prescrição de quinolona e que foram submetidos anteriormente à terapia corticosteroide sistêmica.

Diazepam x Omeprazol


Diazepam é um benzodiazepínico com atividades anticonvulsivante, sedativa, miorrelaxante e ansiolítica, comuns aos representantes deste grupo farmacológico.

Omeprazol é um inibidor da bomba de prótons (H+K+ATPase) utilzado no tratamento de patologias que exigem a redução da secreção gástrica.

INTERAÇÃO: O metabolismo do diazepam é mediado pelo citocromo P450, tendo a participação da isoenzima CYP2C19, a qual é inibida pelo uso de omeprazol. Outros inibidores da bomba de prótons também produzem a inibição enzimática, como por exemplo o esomeprazol. As consequências da modificação farmacocinética do diazepam podem ser a maior intensidade e o prolongamento da ação sedativa.

Drug Interaction: Diazepam x Omeprazole

Omeprazole may increase the blood levels and effects of diazepam. This can increase the risk of side effects, including excessive drowsiness and breathing difficulties. You may need a dose adjustment or more frequent monitoring by your doctor to safely use both medications.




Ezetimiba x Ciclosporina


Ezetimiba é um fármaco utilizado no tratamento de dislipidemias que inibe de forma seletiva a absorção intestinal de colesterol e fitosterois relacionados.

Ciclosporina é um agente imunossupressor que inibe o desenvolvimento das reações de células mediadoras, visando prolongar a sobrevida de transplantes alogênicos.

INTERAÇÃO: Em bula encontra-se a informação de que a área sob a curva da ezetimiba foi aumentada em 3,4 vezes após dose única de 10mg deste fármaco administrada a pacientes submetidos a transplante renal e tratados com dose estável de ciclosporina. Em outro estudo, foi verificado aumento de 15% na área sob a curva da ciclosporina.

As condições clínicas do paciente interferem no comportamento cinético dos fármacos incluídos em terapia, de forma que é recomendada cautela ao se prescrever ezetimiba a indivíduos que utilizam ciclosporina.

Naproxeno x Fluoxetina


Naproxeno é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição de ciclo-oxigenase (COX) de forma não seletiva.

Fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) utilizado no tratamento dos casos de depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e outras patologias.

INTERAÇÃO: O risco de sangramentos, úlcera ou perfuração gastrintestinal é associado ao uso dos AINEs, principalmente em pacientes com histórico, nos quais as doses devem ser as menores para que se evitem problemas. O mesmo risco também é descrito em bula com o uso dos ISRS, de forma que o uso concomitante destes fármacos se torna mais perigoso e exige precaução.

Como os AINEs são comercializados sem necessidade de receita médica, é importante que se advirta os pacientes caso exista a ciência de que façam o uso de um ISRS e pretendam utilizar um AINE por meio de automedicação.

Ciprofibrato x Varfarina


Ciprofibrato é um modulador lipídico de amplo espectro cujo mecanismo de ação produz como resultado o aumento da síntese de HDL, aceleração do clearance de LDL e diminuição da produção de triglicerídeos.

Varfarina é um anticoagulante cumarínico cujo mecanismo de ação consiste na inibição de fatores de coagulação dependentes da vitamina K.

INTERAÇÃO: É possível que o ciprofibrato potencialize os efeitos da varfarina, caso estes fármacos sejam administrados concomitantemente. A interação ocorre devido à alta ligação do ciprofibrato às proteínas plasmáticas, causando o deslocamento de outros fármacos e, consequentemente, elevando as concentrações séricas destes. Deve-se avaliar a necessidade de ajuste na posologia do anticoagulante conforme o INR.

Celecoxibe x Lítio


Celecoxibe é  um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição da via de síntese das prostaglandinas, com ação seletiva sobre COX-2.

Lítio é um fármaco utilizado no tratamento de transtorno afetivo bipolar, mania e depressão. Altera o transporte do sódio nas células nervosas e musculares, modificando o metabolismo intraneural das catecolaminas.

INTERAÇÃO: Em resultados de estudos descritos em bula, foi verificado o aumento nos níveis plasmáticos de lítio em aproximadamente 17% quando feito o uso associado ao celecoxibe. Há a recomendação de se monitorar o paciente em tratamento com lítio quando o celecoxibe for introduzido ou retirado da terapia.

Levando-se em consideração o baixo índice terapêutico do lítio, as alterações séricas são importantes em termos de toxicidade.

Citalopram x Erva de São João


Citalopram é um inibidor da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento da depressão, transtorno do pânico e transtorno obsessivo compulsivo.

Erva de São João (Hypericum perforatum L.) é um fitoterápico usado como auxiliar no tratamento da depressão, estados de apatia, terror noturno associado à enurese e distúrbios gastrintestinais.

INTERAÇÃO: A bula relata a possibilidade de interações dinâmicas entre os ISRS e produtos fitoterápicos que contenham a Erva de São João em sua fórmula. Algumas reações possíveis em decorrência desta associação de medicamentos são: acatisia, ansiedade paradoxal, redução do limiar convulsivo, alteração glicêmica em diabéticos, hemorragias (especialmente nos pacientes em terapia anticoagulante), entre outros.

Os efeitos indesejáveis descritos são aqueles que podem ocorrer com o tratamento de ISRS, porém o risco é elevado no uso concomitante. Vale salientar que os medicamentos fitoterápicos não são isentos de advertências, reações adversas e interações, representando um equívoco a ideia de que se pode usá-los sem critérios.

Metoprolol x Citalopram


Metoprolol é um antagonista dos receptores beta-1 adrenérgicos (betabloqueador seletivo) indicado no tratamento da hipertensão arterial, angina e alterações do ritmo cardíaco.

Citalopram é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) indicado no tratamento da depressão, transtorno do pânico e transtorno obsessivo compulsivo.

INTERAÇÃO: O metoprolol, conforme descrito em bula, é um substrato de CYP2D6, isoenzima que tem como um de seus inibidores o citalopram. Foi identificado em estudo o aumento das concentrações de metoprolol quando feito seu uso associado ao citalopram, sem, no entanto, haver aumento significativo no efeito sobre a pressão sanguínea e frequência cardíaca em voluntários sadios.

A inibição de CYP2D6 ocasionada pelo citalopram é fraca quando comparada à que é produzida por outros ISRS. De qualquer forma, recomenda-se precaução quando estes fármacos forem administrados concomitantemente.

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