Dimenidrinato x Amicacina


Dimenidrinato é um fármaco utilizado no tratamento e profilaxia de náuseas e vômitos em geral. Seu mecanismo está relacionado à inibição da acetilcolina nos sistemas vestibular e reticular.

Amicacina é um antimicrobiano aminoglicosídeo que exerce ação bactericida. Inibe a síntese proteica dos patógenos através de ligação à fração 30S do ribossomo.

INTERAÇÃO: Em bula do dimenidrinato encontra-se a recomendação de que é preciso evitar o seu uso associado aos fármacos que apresentam potencial ototóxico, devido à possibilidade de os sintomas de ototoxicidade serem mascarados. A amicacina, assim como outros antimicrobianos aminoglicosídeos, é conhecida por reações ototóxicas.




Enalapril x Etoricoxibe


Enalapril é um anti-hipertensivo inserido no grupo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

Etoricoxibe é  um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição da via de síntese das prostaglandinas, com ação seletiva sobre COX-2.

INTERAÇÃO: O efeito anti-hipertensivo produzido pelos inibidores da ECA podem ser reduzidos na coadministração com AINEs, incluindo os que possuem ação seletiva sobre COX-2. A mesma informação deve ser considerada quando houver o uso associado do anti-inflamatório com diuréticos ou antagonistas dos receptores de angiotensina, como seria o caso da losartana.

Em pacientes com função renal comprometida, especialmente em idosos, o cuidado precisa ser redobrado, pois há possibilidade de deterioração adicional e insuficiência renal aguda.

Buclizina x Amitriptilina


Buclizina é um orexígeno que também produz ação anti-histamínica e antiemética. A estimulação do apetite parece possuir relação com atividade no hipotálamo. Efeitos antimuscarínicos também são associados a este fármaco.

Amitriptilina é um antidepressivo tricíclico que inibe a recaptação de serotonina e noradrenalina, apresentando também ação anticolinérgica acentuada.

INTERAÇÃO: A associação de buclizina com amitriptilina pode produzir efeitos aditivos anticolinérgicos relacionados aos receptores muscarínicos, segundo informação de bula. Neste caso, o mesmo tipo de cautela precisaria ser levado em consideração se houver o uso concomitante de buclizina e outros antidepressivos tricíclicos, tais como a clomipramina, imipramina e nortriptilina.

Prednisolona x Glibenclamida


Prednisolona é um fármaco esteroide com propriedades predominantemente glicocorticoides. É utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

Glibenclamida é um hipoglicemiante oral incluído no grupo das sulfonilureias. Tem como mecanismo de ação o estímulo sobre as células beta nas ilhotas pancreáticas para a liberação de insulina (efeito secretagogo).

INTERAÇÃO: A atenuação do efeito hipoglicemiante produzido pela glibenclamida é relatada quando se faz uso concomitante com diferentes fármacos, dentre os quais a prednisolona (assim como outros corticosteroides). Diante da necessidade de o diabético receber o corticosteroide, medidas como monitoramento glicêmico e ajuste posológico irão auxiliar na obtenção dos objetivos pretendidos com a terapia, assim como a garantir a segurança do paciente.




Hiponatremia


A baixa proporção da relação sódio/água no organismo, geralmente causada pelo excesso de água em relação ao sódio corporal total (concentração sérica < 135 mEq/l), é definida como hiponatremia. Esta condição ocorre devido à retenção de água pelos rins, geralmente por ADH. É um distúrbio da água corporal, pois caso o problema fosse a deficiência de sódio, a ocorrência seria a de hipovolemia.

Trata-se de situação que surge com certa frequência em pacientes hospitalizados, atingindo cerca de 15 a 25% destes em algum momento de sua estadia. O surgimento de sintomas decorrentes da hiponatremia, por outro lado, é menos comum e depende de três fatores: nível de sódio, rapidez da evolução e idade (pacientes jovens toleram melhor do que os idosos).

As manifestações clínicas ocorrem de forma progressiva e dentre as quais estão: anorexia, náuseas, vômitos, cãibras, letargia, fraqueza muscular, desorientação e tremores. Há ainda a possibilidade de manifestações sintomáticas neurológicas mais severas, as quais podem inclusive ser fatais. Contudo, estas últimas dependem da ocorrência de edema cerebral.

O diagnóstico abrange reconhecimento clínico da volemia pela presença de edema, avaliação de jugulares, pressão arterial e frequência cardíaca. O risco de edema cerebral está vinculado à hiponatremia aguda, que apresenta tempo inferior a 48h de evolução. O tratamento é realizado com diuréticos de alça e manejo da causa básica. 

Midazolam x Ácido Valproico


Midazolam é um derivado das imidazobenzodiazepinas com baixa toxicidade e amplo índice terapêutico. Possui ação sedativa de pronunciada intensidade, além de efeito ansiolítico, anticonvulsivante e relaxante muscular.

Ácido Valproico é um anticonvulsivante utilizado como monoterápico ou adjuvante em crises parciais complexas. Seu efeito se justifica pelo aumento dos níveis cerebrais do neurotransmissor GABA.

INTERAÇÃO: O  ácido valproico pode produzir o deslocamento do midazolam de suas ligações plasmáticas, tendo como consequência a potencialização do efeito sedativo pelo aumento da resposta terapêutica. Caso o paciente em tratamento de epilepsia com o ácido valproico tenha a necessidade de receber midazolam, é preciso considerar o ajuste na dose do segundo fármaco.




Orlistate x Carbamazepina


Orlistate é um inibidor reversível específico das lipases gastrintestinais, indicado para o tratamento em longo prazo de pacientes com sobrepeso ou obesidade.

Carbamazepina é um anticonvulsivante utilizado no tratamento dos quadros de epilepsia, possuindo também outras indicações terapêuticas. Inibe a descarga neuronal repetitiva e reduz a propagação sináptica dos impulsos excitatórios.

INTERAÇÃO: Há descrição de convulsões em pacientes que seguem tratamento de epilepsia (com fármacos como a carbamazepina) e fazem uso de orlistate. A carbamazepina foi o fármaco de escolha para mencionar a possibilidade de interação, mas é preciso considerar a mesma informação nos casos em que forem prescritos outros medicamentos com a mesma indicação terapêutica.

A bula não estabelece relação causal, mas recomenda o monitoramento dos pacientes para que se acompanhe possíveis alterações na frequência ou mesmo na gravidade das crises convulsivas.

Venlafaxina x Haloperidol


Venlafaxina é um inibidor potente da recaptação de serotonina e noradrenalina, com menor efeito sobre a recaptação de dopamina. Este fármaco é indicado no tratamento da depressão, ansiedade e transtornos do pânico, com ou sem agorafobia.

Haloperidol é um neuroléptico identificado como butirofenona e incluído entre os antipsicóticos clássicos. Promove o bloqueio de receptores dopaminérgicos centrais. 

INTERAÇÃO: A bula descreve alterações na farmacocinética do haloperidol quando este fármaco foi administrado de forma concomitante à venlafaxina em um estudo. Foram relatadas a diminuição no clearance, aumento na área sob a curva (AUC) e na concentração máxima (Cmáx), porém sem modificação na meia vida.

Estes dados devem ser levados em consideração caso exista a necessidade de coadministração dos fármacos citados, para que a resposta terapêutica apresentada pelo paciente seja monitorada. 

Lipídeos


O tecido adiposo corresponde à reserva energética do organismo, de forma que haverá o acúmulo de gordura sempre que alimentos calóricos forem ingeridos em excesso. A gordura que o organismo acumula é de origem exógena (dieta) e endógena (biossíntese).

As gorduras provenientes da dieta são representadas de forma predominante por triglicerídeos, os quais deverão ser hidrolisados em ácidos graxos e glicerol para que ocorra a sua absorção pela mucosa intestinal. A lipase pancreática, secretada pelo duodeno, é a enzima que participa deste processo, com auxílio da emulsificação produzida pela bile.

Os lipídeos são apolares e, portanto, insolúveis em água, característica que dificulta a sua estabilidade no sangue. Para solucionar esta dificuldade, os lipídeos se associam às proteínas plasmáticas e formam complexos estáveis conhecidos como lipoproteínas. Desta forma ocorre o transporte.

Para que seja realizado o estudo das lipoproteínas em uma análise laboratorial, elas são separadas conforme sua densidade em quilomicrons, lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL), lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e lipoproteínas de alta densidade (HDL). Entre os métodos utilizados para a análise podem ser citados a eletroforese e a ultracentrifugação.




Azitromicina x Atorvastatina


Azitromicina é um antibacteriano do grupo dos macrolídeos. Atua inibindo a síntese proteica dos agentes patógenos por meio de ligação às subunidades ribossômicas 50S.

Atorvastatina é uma estatina utilizada no tratamento de dislipidemias que atua por inibição da enzima HMG- CoA redutase, reguladora da síntese de colesterol.





INTERAÇÃO: Resultados de testes de inibição da HMG-CoA redutase não demonstraram alterações nos níveis séricos da atorvastatina quando utilizada em associação com azitromicina. Apesar disso, a bula do antimicrobiano descreve a existência de casos de rabdomiólise em experiência pós-comercialização, de forma que não se deve desconsiderar a cautela na coadministração destes fármacos.

Importante salientar que a bula descreve a ocorrência acima para o grupo das estatinas quando estas são usadas com a azitromicina. Portanto, é possível que outros fármacos, tais como sinvastatina e rosuvastatina, exijam o mesmo cuidado.




Topiramato x Anticoncepcionais


Topiramato é um fármaco indicado no tratamento da epilepsia. Seu mecanismo de ação está relacionado com o estímulo de receptores do neurotransmissor inibitório GABA e indução do influxo de íons cloreto.

INTERAÇÃO: Em estudo descrito na bula do anticonvulsivante há a informação de que houve redução na dose dependente do etinilestradiol quando associado ao topiramato com posologia entre 200 e 800mg diários. Não se conhece ao certo a importância clínica da alteração, mas há advertência sobre a possibilidade da redução na eficácia do efeito contraceptivo e aumento no sangramento de escape.

Pacientes em uso de anticoncepcionais orais combinados e que estiverem sob tratamento com topiramato deverão relatar qualquer tipo de alteração no ciclo menstrual. Mesmo sem haver o sangramento de escape é possível que a eficácia contraceptiva seja reduzida.




Zolpidem x Hidroxizina


Zolpidem é um ansiolítico do grupo das imidazopiridinas com ação agonista seletiva gabaérgica. Facilita o início do sono, assim como prolonga a sua duração.

Hidroxizina é um anti-histamínico de primeira geração indicado no tratamento de manifestações alérgicas. Promove o antagonismo dos receptores H1 da histamina.

INTERAÇÃO: A hidroxizina, sendo um anti-histamínico de primeira geração e tendo a sonolência como um efeito colateral conhecido, pode produzir aumento da depressão do SNC quando utilizado em conjunto com o zolpidem. A mesma informação se aplica aos outros anti-histamínicos de primeira geração, tais como a dexclorfeniramina e a prometazina.

A fim de se evitar a ação aditiva no SNC quando for utilizado o zolpidem, outros grupos de fármacos também exigem cautela, como os neurolépticos, anticonvulsivantes, analgésicos narcóticos ou antidepressivos.

Drug Interaction: Zolpidem x Hydroxyzine

Using hydroxyzine together with zolpidem may increase side effects such as dizziness, drowsiness, confusion and difficulty concentrating. Some people, especially the elderly, may also experience impairment in thinking, judgment, and motor coordination. Avoid activities requiring mental alertness such as driving or operating hazardous machinery until you know how the medications affect you.




Patogênese do AVC Isquêmico


As lesões trombóticas, embólicas e lacunares constituem os principais mecanismos de ocorrência do acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, sendo o trombótico responsável por 40% dos casos nos quais há comprometimento de artérias de médio e grande calibre.

O avanço nos métodos de diagnóstico permitiu a maior detecção dos casos de AVC embólico, os quais correspondem a 16%, sendo a maioria de origem cardíaca. As lesões de pequeno tamanho são associadas à ocorrência de AVC lacunar, que atinge até 20% dos casos e compromete pequenas artérias ou arteríolas cerebrovasculares.

Vasculopatias inflamatórias, como as arterites e as de origem infecciosa, e não inflamatórias, como displasia fibromuscular e dissecção de artéria pós-trauma, são outras possibilidades relacionadas à patogênese do AVC, com menor frequência de casos.

Além disso, é possível citar ainda outras condições que são causas possíveis, dentre as quais: trombocitose, deficiência de antitrombina III e púrpura trombocitopênica trombótica.   




Diazepam x Claritromicina


Diazepam é um benzodiazepínico com atividades anticonvulsivante, sedativa, miorrelaxante e ansiolítica, comuns aos representantes deste grupo farmacológico.

Claritromicina é um antibacteriano do grupo dos macrolídeos. Atua inibindo a síntese proteica dos agentes patógenos através de ligação às subunidades ribossômicas 50S.

INTERAÇÃO: O metabolismo do diazepam é mediado pelo citocromo P450, tendo a participação das isoenzimas CYP2C19 e CYP3A4, sendo a segunda inibida por macrolídeos como claritomicina e eritromicina. Há necessidade de cuidado com outros fármacos que atuam como inibidores das isoenzimas citadas, exigindo a pesquisa caso a caso.

As consequências da modificação farmacocinética do diazepam podem ser a maior intensidade e o prolongamento da ação sedativa.

Mediadores Químicos nas Vias Aéreas


Histamina - aumento na produção de muco, broncoconstrição e aumento da permeabilidade dos capilares.

Prostaglandinas - eritema e aumento do fluxo sanguíneo nas áreas inflamadas.

Leucotrienos - edema, diminuição no movimento ciliar respiratório e hiperresponsividade brônquica.

Fator de Ativação Plaquetária (FAP) - hiperresponsividade brônquica, adesão dos leucócitos no endotélio vascular e broncoconstrição.

Interleucinas - promovem indução na expressão dos receptores de IgE.

Endotelina - induz à exsudação de plasma e secreção de muco, além de contração dos brônquios.

Bradicinina - atua como espasmogênica nos tecidos vasculares lisos, promove hiperemia das vias aéreas e estímulo na liberação de muco.




Varfarina x Levotiroxina


Varfarina é um anticoagulante cumarínico cujo mecanismo de ação consiste na inibição de fatores da coagulação dependentes da vitamina K.

Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: O efeito de anticoagulantes orais como a varfarina pode ser potencializado pelo uso associado de levotiroxina. A varfarina é um fármaco que sempre exige cuidado, pois há muitas outras substâncias com potencial de interferir em sua atividade no organismo, inclusive alguns alimentos.

A monitoração deve ser cuidadosa em pacientes que precisarem destes dois fármacos, especialmente quando iniciada ou alterada a terapia de reposição hormonal tireoidiana. O ajuste na dose do anticoagulante pode ser necessário conforme apontado pelo INR.

Cetoacidose Diabética (CAD)


A cetoacidose diabética é caracterizada como uma emergência médica na qual há deficiência relativa ou absoluta de insulina acompanhada do acúmulo de corpos cetônicos. Nesta condição há queda do pH arterial para valor inferior a 7,25 e, mesmo com tratamento especializado, a mortalidade atinge 5 a 15% dos casos.

Os distúrbios metabólicos de hiperglicemia, acúmulo de corpos cetônicos e acidose constituem o quadro clínico, no qual a glicemia pode situar-se entre 400 e 800 mg/dL. A acidose decorre da produção exacerbada de ácido beta-hidroxibutírico e ácido acetoacético, os quais liberam íons H+ no plasma e provocam o consumo do sistema tampão.

Há necessidade de internação do paciente, além de outras medidas a serem adotadas, dentre as quais: monitoramento dos sinais vitais, solicitação de análises laboratoriais, manutenção da via aérea livre e permeável durante o período de inconsciência e introdução de sonda gástrica nos pacientes com vômitos frequentes ou dilatação do órgão por atonia.

As complicações que podem surgir em decorrência da CAD, além das metabólicas, são as de edema cerebral e síndrome de angústia respiratória aguda. No primeiro caso podem ocorrer cefaleia e crises convulsivas como sinais sugestivos, tendo a mortalidade elevada. O segundo é raramente descrito e exige tratamento específico.

Clortalidona x Alopurinol


Clortalidona é um fármaco diurético com atuação no túbulo distal. Inibe a reabsorção de sódio e cloreto, ocasionando também a perda de potássio.

Alopurinol é um inibidor de xantina oxidase que diminui os níveis de ácido úrico no plasma e na urina. Entre suas indicações de uso estão a artrite gotosa e a nefrolitíase.

INTERAÇÃO: As reações cutâneas são as mais comuns atribuídas ao uso de alopurinol, as quais podem se apresentar como pruriginosas, maculopapulares, escamosas, purpúricas ou esfoliativas, surgindo em qualquer ocasião durante o tratamento.

A incidência destas reações pode ser aumentada no caso de coadministração do alopurinol com diuréticos como a clortalidona ou hidroclorotiazida, os quais são fármacos que atuam no túbulo distal inibindo a reabsorção de sódio e cloreto, com depleção de potássio.

Drug Interaction: Chlorthalidone x Allopurinol

You may need dose adjustments to safely take both medications together. You should notify your doctor if you have symptoms of a rash, itching, fever or chills.




Flunarizina x Carbamazepina


Flunarizina é um derivado da piperazina que atua efetuando o bloqueio seletivo dos canais lentos de cálcio. Está indicada no tratamento de vertigens, doenças cerebrovasculares crônicas, doenças vasculares periféricas e profilaxia da enxaqueca.

Carbamazepina é um anticonvulsivante utilizado no tratamento dos quadros de epilepsia, possuindo também outras indicações terapêuticas. Inibe a descarga neuronal repetitiva e reduz a propagação sináptica dos impulsos excitatórios.

INTERAÇÃO: A bula informa a possibilidade de aumento dos níveis séricos de carbamazepina quando associada à flunarizina, favorecendo a ocorrência de efeitos tóxicos associados ao anticonvulsivante. Além disso, a carbamazepina pode acelerar o metabolismo da flunarizina por indução enzimática e gerar a necessidade de ajuste posológico.

O monitoramento do paciente irá auxiliar a verificar a viabilidade dos fármacos associados em terapia, uma vez que ambos sofrem alterações na metabolização.

Hidrólise de Carboidratos


Os carboidratos podem ser classificados em quatro grupos, levando-se consideração a possibilidade de hidrólise. São eles:

1- Monossacarídeos: estes carboidratos não são hidrolizados em unidades menores e são açúcares simples. Podem receber subdivisão utilizando-se dois critérios: o número de carbonos (triose, tetrose, pentose, hexose) e o grupo funcional (aldose ou cetose), conforme apresentem aldeído ou cetona.

2- Dissacarídeos: são açúcares que, ao sofrerem hidrólise, irão fornecer duas moléculas de monossacarídeos, as quais poderão ser iguais ou diferentes uma da outra. Exemplos destes carboidratos são a sacarose e a maltose.

3- Oligossacarídeos: fornecem número de três a seis moléculas de monossacarídeos quando ocorre o processo de hidrólise. A dextrina de amido é um exemplo.

4- Polissacarídeos: estes açúcares são aqueles que irão liberar número superior a seis unidades de monossacarídeos ao sofrerem hidrólise. Como exemplo podemos citar o amido e glicogênio.




Ciclobenzaprina x Escopolamina



Ciclobenzaprina é um fármaco utilizado no tratamento de espasmos musculares associados a condições musculoesqueléticas agudas. Suprime o espasmo do músculo de origem local sem interferir em sua função, reduzindo a atividade motora tônica.

Escopolamina é um fármaco anticolinérgico que exerce atividade espasmolítica sobre a musculatura lisa do trato gastrintestinal, geniturinário e vias biliares.

INTERAÇÃO: Se houver associação de ciclobenzaprina com algum medicamento que possua atividade anticolinérgica, tal como é o caso da escopolamina, é possível que o efeito do segundo fármaco seja potencializado e ocasione íleo paralítico, condição também conhecida por íleo adinâmico.

Nesta condição os movimentos peristálticos que impulsionam o bolo alimentar até o intestino grosso cessam temporariamente. O efeito clínico produzido pelo íleo paralítico é semelhante ao de uma obstrução intestinal mecânica. 




Insuficiência Renal Aguda (IRA)


A deterioração da função renal de forma rápida, com acúmulo de resíduos nitrogenados, define a condição de insuficiência renal aguda (IRA). A principal função afetada é a filtração glomerular e, além dos resíduos nitrogenados, há também outras anormalidades metabólicas que podem ser analisadas em laboratório.

A frequência de casos gira em torno de 4% a 5% nos pacientes internados e as causas para a ocorrência de IRA podem ser diversas. Algumas delas são: hipoperfusão renal, necrose tubular aguda, nefrite intersticial, obstrução por litíase e patologias vasculares renais.

Diante da suspeita de IRA, a determinação de níveis de ureia e creatinina são importantes, mas deve-se considerar que é possível ocorrer aumento da creatinina sem que exista alteração na filtração glomerular. Isso inclui o uso de alguns fármacos, tais como cimetidina, sulfametoxazol ou metildopa, além de condições como a hiperglicemia ou hemólise.

A conduta para o tratamento inclui a restrição hídrica, controle dos níveis de potássio ou magnésio, redução na ingestão de carboidratos, restrição proteica, controle dos desequilíbrios hidroeletrolíticos existentes e prevenção de complicações, tais como hemorragia digestiva ou infecções.

Montelucaste x Fenobarbital


Montelucaste é um inibidor das funções fisiológicas dos leucotrienos cisteínicos, que são produtos do ácido araquidônico e potentes eicosanoides inflamatórios liberados de células como os mastócitos e eosinófilos.

Fenobarbital é um barbitúrico com ação anticonvulsivante e sedativa que exerce seu efeito através da ativação dos receptores GABA, facilitando a abertura dos canais de cloreto.

INTERAÇÃO: A bula informa que, ao se administrar fenobarbital concomitantemente ao montelucaste, a concentração plasmática do segundo foi reduzida em aproximadamente 40%. Apesar deste dado avaliado em estudo, não há orientação para o ajuste posológico no tratamento com montelucaste.

O monitoramento da resposta terapêutica apresentada pelo paciente é importante a fim de que se possa obter parâmetros quanto à eficácia do tratamento diante da associação dos fármacos apresentados.

Metilfenidato x Levodopa


Metilfenidato é um fármaco indicado no tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), cujo mecanismo de ação está relacionado com a inibição da recaptação de dopamina, porém sem disparo na liberação do neurotransmissor.

Levodopa é um precursor da dopamina utilizado como pró-fármaco com a finalidade de aumentar os níveis do neurotransmissor no tratamento da doença de Parkinson.

INTERAÇÃO: O metilfenidato, sendo um inibidor da recaptação de dopamina, pode possuir relação com interações farmacodinâmicas no caso de coadministração com agonistas dopaminérgicos. A levodopa está incluída entre as possibilidades de gerar reações adversas em decorrência da interação.

Diante da necessidade de se administrar os dois fármacos em terapia, há recomendação de monitoramento do sistema cardiovascular. Além disso, a redução na dose da levodopa também é uma medida a ser considerada.

Acidose Lática


Quando a produção de lactato e cátions H+ são superiores às suas remoções, há ocorrência do distúrbio metabólico identificado por acidose lática. Esta é a causa mais comum de acidose metabólica e a prevalência é de 1% entre adultos que são hospitalizados sem indicação de intervenção cirúrgica.

Cohen e Woods sugeriram, em 1976, a divisão entre os tipos A e B das situações clínicas que podem gerar acidose lática. No tipo A se incluem as seguintes situações: insuficiência cardiopulmonar, anemia profunda, hemorragias, sepse, malária, hipotensão e envenenamento por monóxido de carbono. 

Para a acidose lática do tipo B, podemos citar como causas algumas substâncias, tais como: biguanidas (metformina), etanol, sorbitol, salicilatos, isoniazida, niacina, entre outras. Além disso, também estão envolvidos alguns distúrbios, como por exemplo a hipoglicemia, convulsões, insuficiência renal, problemas hepáticos e problemas hereditários.

Não há um tratamento específico para a reversão deste distúrbio metabólico, sendo importante a avaliação caso a caso para que se procure corrigir o fator que originou o quadro de acidose.




Fenilbutazona x Metotrexato


Fenilbutazona é um fármaco com propriedades antirreumáticas, anti-inflamatórias e antipiréticas. A inibição de ciclo-oxigenase é o principal fator atribuído ao seu mecanismo de ação, apesar da atividade uricosúrica pouco estabelecida.

Metotrexato é um antagonista do ácido fólico com atividade citotóxica e imunossupressora, atuando por inibição da enzima diidrofolato redutase.

INTERAÇÃO: A associação destes fármacos pode produzir aumento dos níveis séricos do metotrexato e, consequentemente, a sua toxicidade. O uso concomitante deve ser evitado pelo fato de representar risco de complicações graves de saúde, as quais podem ocorrer no trato gastrintestinal e no sangue.

A toxicidade hematológica pode se desenvolver com quadros de leucopenia, trombocitopenia ou anemia. Além disso, há também o risco de nefrotoxicidade e ulceração da mucosa do TGI. 

Asma Aguda Grave (AAG)


A asma se define como uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, tendo como alguns de seus sintomas a tosse, desconforto torácico, sibilância e dispneia. Apesar do maior conhecimento que se possui atualmente sobre esta patologia, há dados de mortalidade e gravidade nas crises, as quais não estão completamente elucidadas.

O termo AAG, que possui como significado asma aguda grave, recebendo também o nome de estado de mal asmático, designa crises que não são aliviadas no período de 30 a 60 minutos após a utilização de broncodilatador. A AAG pode apresentar-se ainda de forma refratária, na qual, apesar da terapia farmacológica, há evolução para insuficiência respiratória.

O diagnóstico clínico de uma crise asmática não apresenta dificuldade, devido ao quadro constituído pelos sintomas citados anteriormente. Um aspecto importante é o diagnóstico diferencial, pois não se pode ignorar a possibilidade de outra patologia associada e que exigirá tratamento específico, citando como exemplo a pneumonia.

As metas do tratamento são as de impedir a morte por asfixia, evitar a insuficiência respiratória aguda, obter a melhora da função pulmonar e evitar recidivas. Além dos grupos de fármacos comumente empregados na terapia, tais como os agonistas beta-2 adrenérgicos, corticosteroides, anticolinérgicos e xantinas, no caso de asma aguda grave há necessidade de oxigenação imediata.




Prednisona x Digoxina


Prednisona é um corticosteroide utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

Digoxina é um glicosídeo digitálico indicado no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca congestiva. Altera a distribuição iônica através da membrana celular produzindo aumento da contratilidade do miocárdio.

INTERAÇÃO: A possibilidade de intoxicação digitálica, ou mesmo da ocorrência de arritmias, é elevada quando se utiliza um glicosídeo cardíaco como a digoxina associada a um corticosteroide de uso sistêmico, citando como exemplo a prednisona.

O motivo para que ocorra a interação é relacionado à hipocalemia que pode surgir na terapia corticosteroide. Além deste grupo de fármacos, também é possível citar os diuréticos tiazídicos ou de alça, como hidroclorotiazida ou furosemida, uma vez que estes fármacos são depletores de potássio e podem ocasionar elevação da sensibilidade à digoxina.




Icterícia


A icterícia é caracterizada pela presença de cor amarelada na pele, mucosas e olhos. Esta coloração típica é provocada pela bilirrubina e geralmente surge como sintoma de outra doença instalada anteriormente no organismo.

Entre as causas de icterícia podemos citar problemas de saúde como hepatites, cirrose, esteatose hepática grave, malária, obstrução das vias biliares, eritroblastose fetal, entre outras patologias.

Além do aspecto amarelado, o acúmulo de bilirrubina no organismo em decorrência de algum quadro patológico poderá produzir alterações na coloração da urina (tornando-a escura) e das fezes (tornando-a clara). A soma destes fatores é o indicativo de que o indivíduo necessita de avaliação médica, caso ainda não tenha procurado ajuda profissional.

Os quadros de icterícia podem ser verificados em consultas com clínico geral, oftalmologista, gastroenterologista ou dermatologista, devido aos sinais apresentados. Antes de procurar a consulta, é importante que se tenha em mente a descrição dos sintomas, sabendo identificar como e quando estes surgiram. Deste modo, o médico terá mais possibilidades de obter o diagnóstico preciso e estabelecer o tratamento correto.




Agranulocitose


A agranulocitose é uma doença aguda do sangue que é caracterizada pela redução ou ausência de células como os neutrófilos, basófilos e eosinófilos (leucócitos granulosos). O problema decorrente desta alteração sanguínea é o maior risco de infecções ao qual o paciente fica submetido.

Entre as causas para que esta condição se desenvolva, podemos citar o uso de determinados medicamentos (ex: dipirona, sulfonamidas, fenotiazinas), exposição à radiação, complicações causadas pelo HIV e fatores genéticos.

Alguns sinais ou sintomas que poderão surgir são divididos no período prodrômico e fase aguda. No período prodrômico podem ocorrer dor de garganta, ulcerações da mucosa bucal, febre e calafrios. Já na fase aguda é possível observar astenia, prostração, pneumonia, infecção do trato urinário e ulceração vaginal. Complicações poderão ocorrer, exigindo cuidados intensivos.

O diagnóstico engloba a anamnese associada às análises laboratoriais necessárias. Para que seja possível tratar o paciente, é preciso identificar o fator que gerou a condição e interromper imediatamente a exposição, além da hospitalização e atenção às infecções instaladas.




Ramipril x Alopurinol


Ramipril é um anti-hipertensivo que atua por inibição da enzima conversora de angiotensina (ECA), resultando na redução dos níveis de angiotensina II e aldosterona na circulação sistêmica.

Alopurinol é um fármaco utilizado no tratamento a longo prazo da gota. Tem como mecanismo de ação a inibição da xantina-oxidase, enzima que corresponde à biossíntese do ácido úrico.

INTERAÇÃO: A associação de alopurinol com inibidores da ECA aumenta a probabilidade de ocorrência de reações hematológicas, como por exemplo a eosinofilia (classificada em bula como incomum). Recomenda-se avaliações mais frequentes nos pacientes que possuem alterações na função renal, lúpus eritematoso ou naqueles que são tratados com outros fármacos que possam alterar o perfil hematológico.

Fenilbutazona x Glimepirida


Fenilbutazona é um fármaco com propriedades antirreumáticas, anti-inflamatórias e antipiréticas. A inibição de ciclo-oxigenase é o principal fator atribuído ao seu mecanismo de ação, apesar da atividade uricosúrica pouco estabelecida.

Glimepirida é um hipoglicemiante oral incluído no grupo das sulfonilureias. Tem como mecanismo de ação o estímulo sobre as células beta nas ilhotas pancreáticas para a liberação de insulina.

INTERAÇÃO: A fenilbutazona pode potencializar o efeito de hipoglicemiantes orais, a exemplo da glimepirida, devido ao fato de deslocar competitivamente outros fármacos de suas ligações proteicas. A fim de se evitar o risco de hipoglicemia como consequência da alteração na potência ou duração do efeito da glimepirida, o monitoramento da glicemia é recomendado.

O mesmo tipo de interação é esperada em caso de utilização da fenilbutazona com outros fármacos inseridos no grupo das sulfonilureias, tais como glibenclamida, glicazida ou clorpropamida. 

Indapamida x Digoxina


Indapamida é um diurético que promove o aumento da excreção urinária de sódio e cloreto, com perda de potássio em menor escala. É farmacologicamente relacionada aos tiazídicos.

Digoxina é um glicosídeo digitálico indicado no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca congestiva. Altera a distribuição iônica da membrana celular, produzindo aumento da contratilidade do miocárdio.

INTERAÇÃO: A perda de potássio produzida pela indapamida pode gerar a condição de hipocalemia, a qual, por sua vez, irá favorecer a ocorrência dos efeitos tóxicos associados à digoxina. Há maior risco de a interação acontecer em pacientes com deficiências nutricionais, idosos, portadores de doença arterial coronariana e cirróticos que apresentam edemas e ascite. 

Indometacina x Varfarina


Indometacina é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que possui como mecanismo de ação a inibição de ciclo-oxigenase (COX), interferindo na biossíntese dos eicosanoides envolvidos em processos inflamatórios.

Varfarina é um anticoagulante cumarínico cujo mecanismo de ação consiste na inibição de fatores da coagulação dependentes da vitamina K.

INTERAÇÃO: A associação de varfarina com indometacina, assim como ocorre com outros anti-inflamatórios, exige cautela devido à possibilidade de potencialização do efeito anticoagulante. Caso exista a necessidade de o paciente em tratamento com varfarina ser medicado com AINEs, há recomendação de se monitorar o tempo de protrombina e ajustar a dose conforme necessidade apontada pelos exames.

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