Antagonistas de Receptores de Angiotensina II (ARA)


Este grupo de fármacos diferencia-se dos IECA porque não inibem a conversão de angiotensina I para angiotensina II. Seu mecanismo de ação está associado ao antagonismo da angiotensina II por atuação sobre dois subtipos de receptores: AT1 e AT2 (não confundir AT1 e AT2 com angiotensina I e II, pois são subtipos de receptores sobre os quais a angiotensina II exerce sua atividade).

São alternativas aos pacientes que não toleram os efeitos adversos atribuídos aos IECA, especialmente tosse e angioedema. Os fármacos sobre os quais trataremos aqui são os seguintes: losartana, valsartana, irbesartana e telmisartana.

A losartana apresenta atividade muito maior sobre receptores AT1 em relação aos receptores AT2. Este fármaco apresenta alta ligação às proteínas plasmáticas, fato que deve ser levado em consideração no que diz respeito às interações medicamentosas, uma vez que há possibilidade de deslocamento da fração ativa para seu sítio de ação. A dose inicial recomendada é a de 50mg diários, podendo ser aumentada ou associada a um diurético, como a hidroclorotiazida. Os efeitos adversos mais comuns são cefaleia, tontura e fadiga, com menor ocorrência de tosse quando comparado a um IECA.

A valsartana produz antagonismo seletivo da angiotensina II, atuando sobre os receptores AT1. A presença de alimentos interfere na biodisponibilidade do fármaco, reduzindo a área sob a curva e a Cmáx. Não interfere em sistemas oxidativos dependentes do citocromo P450, fato que reduz a possibilidade de causar problemas com interação no metabolismo hepático. O efeito anti-hipertensivo é obtido com 80 ou 160mg diários deste fármaco, cujos efeitos adversos são raros. Não é recomendada sua administração durante a gravidez.

A irbesartana possui atividade não competitiva sobre receptores AT1 e apresenta maior lipossolubilidade em relação à losartana, característica que facilita a sua absorção. A presença de alimentos não influencia a biodisponibilidade deste fármaco, que é biotransformado pela isoenzima CYP2C9 no sistema hepático. A dose habitual inicial é de 150mg, sem a necessidade de ajustes em casos de insuficiência renal ou hepática de leve a moderada. Os efeitos adversos são leves e semelhantes aos dos demais representantes do grupo.

A telmisartana apresenta elevada ligação às proteínas plasmáticas, atingindo aproximadamente 99%. Este fato exige atenção quanto à possibilidade de interação com fármacos que podem efetuar o deslocamento de sua fração ativa. A dose recomendada é de 40mg, podendo ser aumentada de acordo com critério médico e os efeitos colaterais são mínimos. A redução na depuração deste fármaco é possível em pacientes que apresentam insuficiência hepática grave ou distúrbios biliares obstrutivos, uma vez que a excreção ocorre em grande proporção pela bile. 




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