Ligação a proteínas plasmáticas


Quando os fármacos estão presentes na corrente circulatória, em sua maioria, ligam-se de maneira reversível a uma ou mais macromoléculas plasmáticas, sobre tudo à albumina, glicoproteínas e lipoproteínas.

A concentração plasmática necessária para que o efeito clínico seja produzido é inferior à capaz de atingir o ponto de saturação da albumina, para a maioria dos fármacos. Para alguns, no entanto, a ligação à proteína aproxima-se da saturação; isso significa que uma pequena adição do fármaco pode elevar desproporcionalmente a quantidade livre.

Considerando-se a adminstração de dois ou mais fármacos, seja simultânea ou em intervalos curtos, é possível que a ligação de um deles seja afetada pelo outro, intensificando a ação farmacológica do agente que foi deslocado. Por outro lado, há encurtamento da meia-vida deste fármaco cuja ação foi intensificada, o qual é excretado mais rapidamente por meio da filtração glomerular.

Dentro da terapêutica, para cada fármaco, é estabelecida a faixa de concentração plasmática considerada útil, para que exista eficácia acompanhada da menor toxicidade possível. Esta faixa recebe o nome de janela terapêutica, a qual é determinada experimentalmente em voluntários seguindo-se protocolos padronizados.




Vias Parenterais


O termo parenteral encontra sua origem no grego, possuindo os significados de "além" e "énteron", o segundo correspondendo a intestino. A junção destes vocábulos proporciona a ideia de algo que é realizado fora do trato gastrintestinal, com a utilização de outra via que não seja a digestória.

A aplicação da via parenteral é útil no caso de fármacos instáveis no TGI e também os que apresentam difícil absorção. Além disso, considera-se a administração parenteral em pacientes inconscientes e quando há necessidade do início rápido de ação de um fármaco.

As três principais vias parenterais são a intramuscular (IM), subcutânea (SC) e intravenosa (IV), mas  é importante ressaltar que estas não são as únicas.

A via IM é frequentemente escolhida para fármacos que não podem ser admnistrados por via oral, seja por motivo de absorção lenta, interação com alimentos ou degradação pelo suco gástrico. A via SC constitui um método de administração utilizado para agentes que podem ser dissolvidos em pequenos volumes, sem provocar lesão no local de aplicação. A via IV é a mais comum, utilizada para a obtenção de efeitos imediatos e concentrações sistêmicas exatas.




Captopril x Celecoxibe


Captopril é um anti-hipertensivo inserido no grupo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

Celecoxibe é  um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição da via de síntese das prostaglandinas, com ação seletiva sobre COX-2.

INTERAÇÃO: O efeito anti-hipertensivo produzido pelos inibidores da ECA podem ser reduzidos na coadministração com AINEs, incluindo os que possuem ação seletiva sobre COX-2. A mesma informação deve ser considerada quando houver o uso associado do anti-inflamatório com diuréticos ou antagonistas dos receptores de angiotensina, como seria o caso da losartana.

Em pacientes com função renal comprometida, especialmente em idosos, o cuidado precisa ser redobrado, pois há possibilidade de deterioração adicional e insuficiência renal aguda.




Canais Iônicos


Os canais iônicos são classificados basicamente em dois tipos, dois quais trataremos a seguir:

Canais ligados a receptor: estes canais são ativados quando o receptor adjacente for ocupado por um agonista. São formados por subunidades proteicas que atravessam a membrana celular em toda sua extensão. A permeabilidade de determinados íons é alterada de acordo com a ação de agonistas ou antagonistas no receptor, o que acarretará na abertura ou fechamento do canal.

Canais iônicos isolados: a função destes canais é modulada por interação direta de fármacos em suas regiões ativas. Pode ocorrer também interação indireta envolvendo a proteína G e outros intermediários.

A atuação dos fármacos bloqueadores dos canais de cálcio (ex: nifedipinio, verapamil, diltiazem) consiste em inibir o transporte transmembrânico do íon através de canais dependentes de voltagem situados nas membranas celulares.




Atenolol x Zolpidem


Atenolol é um antagonista dos receptores beta-1 adrenérgicos (betabloqueador seletivo) indicado no tratamento da hipertensão arterial, angina e arritmias.

Zolpidem é um ansiolítico do grupo das imidazopiridinas com ação agonista seletiva gabaérgica. Facilita o início do sono, assim como prolonga a sua duração.

INTERAÇÃO: O uso combinado destes fármacos pode produzir efeitos anti-hipertensivos aditivos. Alguns sintomas que podem sugerir esta ocorrência são cefaleias, tontura, alterações na frequência cardíaca ou até desmaio. Entretanto, tais sintomas são mais comuns em situações de início do tratamento e alteração na posologia.

Drug Interaction: Atenolol x Zolpidem

Atenolol and zolpidem may have additive effects in lowering your blood pressure. You may experience headache, dizziness, lightheadedness, fainting, and/or changes in pulse or heart rate. These side effects are most likely to be seen at the beginning of treatment, following a dose increase, or when treatment is restarted after an interruption.




Populações Especiais de Pacientes


Quando os fármacos são administrados às populações de pacientes que são particularmente vulneráveis aos seus efeitos, algumas precauções e adaptações são necessárias. Vejamos alguns casos:

Recém-nascidos e crianças: por conta do peso e do alto percentual de água corporal, recém-nascidos e crianças precisam de dosagens adaptadas que devem levar em consideração também a idade e o estágio de desenvolvimento.

Mulheres grávidas e em período de amamentação: durante a gestação, a placenta age como uma barreira entre os sistemas circulatórios da mãe e da criança; essa barreira, no entanto, não é muito eficiente quando se trata de fármacos. Na amamentação, moléculas de fármacos podem passar da corrente sanguínea para o leite materno.

Pacientes com comprometimento hepático e renal: tanto o fígado quanto os rins são importantes no témino da ação dos fármacos. Alterações na biotransformação e na excreção podem levar ao acúmulo de fármaco no organismo, de forma que ajustes na dosagem serão requeridos.

Idosos: Este grupo de indivíduos exige cuidados especiais, levando em consideração as alterações produzidas no organismo, com consequente redução na função de órgãos importantes na atuação dos fármacos. Além disso, a polimedicação é uma característica particular, assim como a baixa cooperação com os esquemas de tratamento propostos.




Levotiroxina x Alimentos


Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: A absorção da levotiroxina pode ser afetada na presença de determinados alimentos, tais como farinha de soja, nozes, fibras dietéticas e produtos ricos em cálcio, de forma que tais alimentos devem ser consumidos em horário distante em relação à dose. Além disso, deve-se considerar o cuidado com a posologia, a fim de que as doses sejam mantidas nos horários pré-determinados. O nível sérico e, consequentemente, o efeito pretendido com o uso do fármaco, pode apresentar oscilação se o horário entre a dose adminsitrada e as refeições flutuar.

Drug Interaction: Levothyroxine x Food

The timing of meals relative to your levothyroxine dose can affect absorption of the medication. Therefore, levothyroxine should be taken on a consistent schedule with regard to time of day and relation to meals to avoid large fluctuations in blood levels, which may alter its effects. In addition, absorption of levothyroxine may be decreased by foods such as soybean flour, cotton seed meal, walnuts, dietary fiber, calcium, and calcium fortified juices. These foods should be avoided within several hours of dosing if possible.




Digestão Humana


A digestão humana é extracelular, envolvendo tanto processos mecânicos quanto químicos, descritos a seguir de maneira resumida.

Processos mecânicos: Abrangem a mastigação, deglutição e movimentos peristálticos. Enquanto ocorre a mastigação, o alimento é devidamente fragmentado, facilitando a ação enzimática. Após a deglutição, iniciam-se os movimentos peristálticos, os quais ocorrem no esôfago, estômago e intestino. O peristaltismo faz com que o alimento tenha fluxo unidirecional no tubo digestório.

Processos químicos: Estes processos ocorrem com a participação de enzimas digestórias, dentre as quais podemos citar: amilase, protease, lipase, nuclease e maltase.

Nem todas as substâncias ingeridas sofrem digestão para serem absorvidas, como é o caso, por exemplo, da água, vitaminas e sais minerais. Tais substâncias apresentam-se em moléculas suficientemente pequenas para absorção sem a necessidade de sua quebra.

No tubo digestório há participação da saliva (constituída de água, sais e enzimas, como a ptialina), suco gástrico (constituído por enzimas e ácido clorídrico - HCl), suco pancreático (rico em enzimas - tripsina, lipases e nucleases - com pH em torno de 9,0) e suco entérico (liberado por estimulação da secretina e composto de enzimas - peptidases, maltases, lactases e sucrases).




Colchicina x Fenilbutazona


Colchicina é um alcaloide utilizado no tratamento das crises de gota e prevenção de artrite gotosa, entre outras indicações. Inibe a ativação, degranulação e migração dos neutrófilos asociados aos sintomas da gota.

Fenilbutazona é um fármaco com propriedades antirreumáticas, anti-inflamatórias e antipiréticas. A inibição de ciclo-oxigenase é o principal fator atribuído ao seu mecanismo de ação, apesar da atividade uricosúrica pouco estabelecida.

INTERAÇÃO: O uso simultâneo destes fármacos faz com que seja aumentado o risco de leucopenia e trombocitopenia. Do mesmo modo, espera-se que o paciente fique mais suscetível à ocorrência de úlcera gastrintestinal.

Drug Interaction: Colchicine x Phenylbutazone

The simultaneous use of these drugs increases the risk of leukopenia and thrombocytopenia. Likewise, the patient is expected to be more susceptible to the occurrence of peptic ulcer.




Células Envolvidas no Processo Inflamatório


Mastócitos - Presentes nos tecidos, são células produtoras de mediadores químicos com a propriedade de modificar reações vasculares e celulares. Substâncias importantes são liberadas por este tipo celular, sendo a histamina a principal delas.

Plaquetas - Apesar de seu envolvimento direto na coagulação, as plaquetas também podem participar do processo inflamatório. São tipos celulares produtores de tromboxano A2 (TXA2) e do fator de ativação plaquetária (FAP).

Leucócitos - São células capazes de englobar, matar e digerir microrganismos. Apresentam-se como polimorfonucleares (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e mononucleares (monócitos e linfócitos). As células polimorfonucleares são as primeiras a penetrar na área onde ocorre o processo inflamatório.

Células Endoteliais Vasculares - São tipos celulares que participam da vasodilatação de arteríolas, facilitando o aporte de plasma e células sanguíneas para a área inflamada.

Células Destruidoras Naturais (Natural Killers) - Conhecidas como natural killers (NK), estas células são linfócitos que possuem a função de destruir células alvo no processo inflamatório.

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Ciprofloxacino x Glimepirida


Ciprofloxacino é um agente antimicrobiano quinolônico que possui ação bactericida por meio da inibição das topoisomerases II (DNA-girase) e IV.

Glimepirida é um hipoglicemiante oral incluído no grupo das sulfonilureias. Tem como mecanismo de ação o estímulo sobre as células beta nas ilhotas pancreáticas para a liberação de insulina (efeito secretagogo).

INTERAÇÃO: A bula do antimicrobiano relata não existirem alterações farmacocinéticas clinicamente relevantes quando estes dois fármacos são utilizados simultaneamente. Contudo, pode-se considerar a possibilidade de as quinolonas potencializarem a ação hipoglicemiante produzida por sulfonilureias.

Drug Interaction: Ciprofloxacin s Glimepiride

Ciprofloxacin can sometimes affect blood glucose levels. Both hypoglycemia (low blood glucose) and, less frequently, hyperglycemia (high blood glucose) have been reported. Your blood glucose should be closely monitored during treatment with ciprofloxacin so that your diabetic regimen may be adjusted by your doctor, if needed. You should learn to recognize the symptoms of hyperglycemia and hypoglycemia, as well as what to do when these conditions occur.




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