Agranulocitose Induzida por Dipirona


Autores como Arneborn & Palmblad, Boethinger et al. e Zwaan & Meyboom sugeriram uma incidência de agranulocitoses por drogas em geral entre 1 e 10 por 1.000.000 de casos por ano. 

Em Israel, foram revistos 390.000 pacientes admitidos no Beilinson Medical Center entre 1960 e 1972. Nesta amostra a probabilidade de agranulocitose por dipirona corresponde a 0,0007%, ou seja, foi de 1:130.000, com probabilidade de morte inferior 0,0002%.

Uma análise retrospectiva dos três maiores centros médicos de Bombain, na Índia, com um total de 431.896 pacientes entre 1969 e 1978, revelou 11 casos, sendo que três podiam ter sido causados pela dipirona, pois estes pacientes usavam a dipirona associada a outros medicamentos (sulfadiazina e cloranfenicol). Portanto, neste país, a incidência de agranulocitose relacionável a dipirona é de 0,007%. Nos estudos referentes a este tema não se observou diferença na mortalidade por agranulocitose nos países com ou sem consumo de dipirona.





Neste contexto, Arneborn & Palmblad realizaram um estudo epidemiológico em Estocolmo durante o período de 1973 a 1975. Durante este período foram diagnosticados 133 pacientes hospitalizados com agranulocitose. Excluindo-se o uso de citostáticos, pacientes com doenças hematológicas primárias e outras enfermidades específicas, o número de casos com agranulocitose medicamentosa foi de 45 com apenas um caso relacionado a dipirona. 

No Brasil realizou-se estudo sob a coordenação de Sollero e da Fundação ABIF de Pesquisa em Biociências, abrangendo período de 20 anos, de 1954 a 1974, e total de 531.261 pacientes, registrando 15 diagnósticos de agranulocitose. Dentre estes, em oito casos pode admitir-se um relacionamento entre agranulocitose e uso prévio de derivados de pirazolona, sendo que apenas um caso pareceu estar assegurada uma relação causal com a dipirona, que representa 0,0002%. A pesquisa concluiu que a agranulocitose está longe de constituir um problema de saúde no Brasil, principalmente a agranulocitose medicamentosa causada por dipirona, não requerendo, assim, nenhuma restrição ao uso deste medicamento.

A análise detalhada das diversas publicações surgidas até fins da década de 70 já indicava que é baixo o risco de agranulocitose com dipirona.

Fonte: http://www.moreirajr.com.br




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