Farmacoterapia da depressão em idosos


O número de prescrições de fluoxetina cresce a cada ano para esta população. Além disso, a maior prevalência de uso acontece entre idosos com características comuns àqueles que apresentam abuso de benzodiazepínicos e mulheres que relatam queixas de ansiedade, solitárias, sem suporte familiar ou social.

Como já verificado para os benzodiazepínicos, a pressão da indústria farmacêutica associada ao baixo custo dos medicamentos, ao reforço positivo conferido por usuários crônicos, à má indicação e à falta de preparação acadêmica dos profissionais que realizam a interface com o paciente fortalecem o excesso de prescrições e dispensação. Esse é o contexto no qual se está incorporando “mais um medicamento na polifarmácia do idoso”.

As principais indicações para o tratamento com uso de ISRS em pacientes idosos devem ser revistas, assim como ocorreu com o uso de benzodiazepínicos. A discussão atual focaliza quem prescreve, como prescreve, sob qual justificativa e como se dispensa. Além disso, mesmo em países desenvolvidos, sabe-se que o tipo de tratamento para a depressão na população idosa dependerá de forma significativa de fatores socioeconômicos.

Clínicos gerais declaram ser desnecessário pacientes idosos buscarem atendimento especializado em saúde mental, pois reportam confiabilidade em seus diagnósticos e na farmacoterapia, prescrevendo eles mesmos a maioria dos psicotrópicos. Ou seja, com a difusão de novos tratamentos, cada vez mais seguros, aumenta-se expressivamente o número de diagnósticos de depressão em idosos, os quais, nem sempre (ou quase nunca), são avaliados sob a ótica dos critérios diagnósticos geriátricos, levando ao tratamento com ISRS outros transtornos mentais que não apenas o transtorno depressivo.

Fonte: revistas.usp.br


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