Nimesulida e Hepatotoxicidade


A hepatotoxicidade, ainda que raramente relatada como efeito adverso atribuído aos AINEs, pode se manifestar de forma severa, fazendo com que alguns fármacos dessa categoria fossem retirados do mercado. Alguns autores têm relatado casos clínicos em que a hepatotoxicidade associada ao uso de nimesulida ocorreu em diferentes países.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) registrou aproximadamente 320 casos de desordens hepatobiliares associadas ao uso de nimesulida. A Agência Europeia para Avaliação de Medicamentos (EMEA) atualmente recomenda um período limitado para o uso da nimesulida (15 dias) e com dose máxima de 100mg/dia, sugerindo ainda evitar o uso em crianças. No Brasil ainda não há relatos de toxicidade hepática associada a este fármaco.

O mecanismo da hepatotoxicidade provocada por nimesulida ainda é desconhecido, podendo condicionar lesão hepatocelular e/ou colestática, mas provavelmente de origem idiossincrásica, ou seja, mais metabólica do que imunoalérgica, levando à produção de metabólitos reativos. O aumento da concentração do fármaco no compartimento hepatobiliar e a formação de metabólitos reativos que produzem estresse oxidativo, assim como lesão mitocondrial, são considerados.

Fatores genéticos (ou adquiridos) podem aumentar as vias que levam à toxicidade hepática ou dificultar os caminhos de proteção e desintoxicação. Anormalidades específicas e alteração na expressão de genes também são incluídos. Polimorfismo genético de isoforma do citocromo P450 tem sido associado às complicações hepáticas causadas pela nimesulida.

O principal fator de risco é a idade do paciente, uma vez que o uso frequente de AINEs para tratar doenças musculoesqueléticas eleva o risco de lesões no fígado nestes pacientes. Há também mais referências para a hepatotoxicidade em mulheres ou quando há hepatopatia pré-existente.

Fonte: http://www.rbfarma.org.br




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