Segurança dos Anti-histamínicos


As razões que ainda levam ao uso dos anti-histamínicos de primeira geração por adultos e crianças, em primeiro lugar, é sua utilização por décadas, tornando-se familiares aos pacientes e seus responsáveis, promovendo a falsa ideia de segurança e efetividade. Nas crianças seu uso tem sido indicado também pelos efeitos sedativos, o que promoveria o sono mais adequado. O mais recente posicionamento do Global Allergy and Asthma European Network tem mostrado os riscos dos anti-histamínicos de primeira geração.

O estímulo dos 64.000 neurônios produtores de histaminas localizados no núcleo túbero-mamário do cérebro humano promove a ativação dos receptores H1 existentes na maior parte do cérebro, cerebelo, pituitária posterior e medula espinal, que estão implicados na estimulação do ciclo vigília/sono, no estímulo da aprendizagem e da memória, balanço hídrico, controle da alimentação, da temperatura corporal e do sistema cardiovascular, entre outros.





Está bem reconhecido que o uso de anti-histamínicos de primeira geração acarreta alterações no ciclo vigília/sono, promovendo sedação, sonolência, cansaço, fadiga e falta de concentração para as tarefas diárias, podendo atingir 40% dos usuários de dexclorfeniramina e até 80% dos indivíduos que recebem hidroxizina. Vários estudos mostram efeitos similares e aditivos dos anti-histamínicos de primeira geração com os efeitos do álcool ou benzodiazepínicos no sistema nervoso central. Outros estudos mostram efeitos do aumento da latência para o início do sono REM e sua redução, além de efeitos residuais ou de ressaca no dia seguinte.

Em estudo realizado sobre acidentes de aviação entre os anos de 1990 e 2005 nos Estados Unidos, verificou-se que em 6% de todos os acidentes fatais os pilotos apresentavam amostras de sangue contendo algum anti-histamínico de primeira geração, o que torna esses agentes impeditivos para os pilotos. A superdosagem acidental ou intencional com anti-histamínicos de primeira geração é comum e muitas vezes podem acarretar óbito.

Os sintomas estão relacionados à dosagem e à idade, sendo que adultos e adolescentes apresentam sintomas de depressão do sistema nervoso central e crianças menores apresentam inicialmente estimulação paradoxal, incluindo agitação, alucinações, confusão e convulsões, antes de evoluírem para o coma. O risco maior se encontra nos inúmeros medicamentos que podem ser adquiridos sem receituário médico que contém anti-histamínicos de primeira geração em sua composição, em especial atenção para os antitussígenos e antigripais. Este fato fez com que a agência reguladora de produtos médicos e de saúde do Reino Unido em 2009 proibisse sua utilização em menores de 6 anos.

Fonte: http://www.sbai.org.br




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