Farmacogenética: origem e perspectivas


Garrod, no início do século XX, foi pioneiro ao propor que medicamentos sofrem biotransformação, da mesma maneira que substratos endógenos e que defeitos nestas rotas poderiam alterar sua concentração e ação. Entretanto, somente em 1957 foi documentado pela primeira vez o conceito de que defeitos herdados no metabolismo de fármacos podiam explicar as diferenças individuais na resposta farmacológica.

Dois anos depois, Friedrich Vogel cunhou o termo ‘farmacogenética’. A partir da década de 90, com o desenvolvimento do Projeto Genoma Humano, maiores subsídios começaram a ser fornecidos para o estabelecimento desta nova área. Hoje, 23 milhões de Single Nucleotide Polymorphism (SNPs) são estimados no nosso genoma, além de milhares de inserções, deleções, e VNTRs (variable number of tandem repeat polymorphisms).

A ideia de que muitos destes polimorfismos podem estar envolvidos com a resposta a medicamentos tem resultado em várias associações entre polimorfismos e genes que codificam enzimas metabolizadoras, proteínas transportadoras ou receptores com diferenças na resposta a muitos fármacos. Em linhas gerais, a farmacogenética representa o estudo da resposta farmacológica do indivíduo segundo o genótipo, tanto no que diz respeito à eficácia como a efeitos adversos.

A abordagem envolve a análise de genes individuais denominados ‘candidatos’, os quais são selecionados para estudo a partir do conhecimento prévio de alvos ou caminhos metabólicos do fármaco utilizado. Como o efeito de um medicamento é determinado pela ação de vários genes, a farmacogenética se propõe a desenvolver modelos poligênicos capazes de predizer a resposta farmacológica e toxicidade em pacientes individuais.

No futuro, a farmacogenética, aliada às ferramentas de biologia molecular, bioinformática e bioestatística, poderá mudar de forma significativa a conduta terapêutica para várias doenças.

Fonte: researchgate.net




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