Metformina na obesidade e resistência à insulina em adolescentes


A obesidade, além de ser considerada a desordem mais comum do mundo desenvolvido, apresenta-se com maior dimensão na juventude quando comparada aos adultos. Sua prevalência tem aumentado drasticamente na última década, tornando-se hoje uma epidemia de proporções mundiais. Essa “epidemia de obesidade” é de grande impacto na saúde pública e pode resultar em aumento do risco para doenças cardiovasculares prematuras.

Na criança, a obesidade é associada à hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, aumento da resistência à insulina, aumento do risco para diabetes mellitus tipo 2 (DM2), esteatose hepática, apneia do sono e problemas psicológicos que podem levar a depressão.

Suas consequências imediatas incluem a discriminação social, baixa autoestima e atraso acadêmico. Em relação à DM2, na maioria dos casos ela é iniciada com excesso de peso, resistência à insulina e dislipidemia, avançando através de uma fase de jejum ou de hiperglicemia pós-prandial (intolerância à glicose) antes do aparecimento de sintomas clínicos.





Indivíduos resistentes à insulina que compensam com hiperinsulinemia podem escapar da diabetes mellitus, porém ainda são propensos a outras complicações, como a aterosclerose precoce, a progressão da obesidade, acantose nigricans, hipercoagulabilidade, síndrome dos ovários policísticos, infiltração gordurosa do fígado, glomeruloesclerose segmentar focal e elevação na taxa de câncer.

O aumento dos níveis de insulina em jejum e de resistência à insulina durante a adolescência são os principais preditores de DM2 no adulto, sendo que o segundo índice sozinho pode ser um determinante de risco cardiovascular. Além disso, o excesso de gordura corporal está associado com a resistência à insulina e com a disfunção do metabolismo dos carboidratos, podendo-se prever o desenvolvimento de DM2 e/ou síndrome metabólica em crianças.

Sabe-se por inúmeras investigações que a intervenção intensiva no estilo de vida por dieta e exercício físico pode promover a perda de peso e diminuir a resistência à insulina, reduzindo o risco de desenvolver a DM2. Apesar de ser a primeira escolha terapêutica para a obesidade, na prática clínica, poucos pacientes obtêm resultados satisfatórios. 

A metformina é um medicamento tradicionalmente usado como agente hipoglicemiante para adultos e crianças maiores que 10 anos com DM2 ou com resistência à insulina. Embora ainda não seja aprovada para o tratamento da obesidade em crianças, seu uso off-label pode ser eficaz na perda de peso e em amenizar a resistência à insulina, tornando-se popular por sua segurança e por seus múltiplos benefícios cardiovasculares e metabólicos

Fonte: Revista UNILUS


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