Normose - a doença de ser normal. Já ouviu falar?


Já foi normal duas pessoas brigarem até a morte para entreter a multidão. Também já foi normal queimar mulheres na fogueira por bruxaria e fazer pessoas trabalharem sem remuneração com direito a castigos físicos só pela cor da pele. Já foi normal passar 40 horas da semana fazendo algo que se detesta, mentir para ganhar dinheiro e devastar florestas em prol do desenvolvimento. Calma: isso ainda parece ser normal. Afinal, o que é ser normal? Tentar agir dentro da normalidade pode ser doença?

De acordo com alguns psicólogos, sim. A doença de ser normal chama-se, segundo eles, normose: um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos em graus distintos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida.

O conceito surgiu com o psicólogo e antropólogo Roberto Crema e com filósofo, psicólogo e teólogo Jean-Ives Leloup, na década de 1980. Eles vinham trabalhando o tema separadamente e, mais tarde, um terceiro psicólogo, Pierre Weil, deu coesão à ideia e se uniu aos dois primeiros. As ideias que cunharam juntos resultaram em livro - Normose: A patologia da normalidade.

“O novo modelo é ainda embrionário, e os visionários dessa possibilidade de sociedade não-normótica ainda são minoria”, diz Crema. Enquanto a maioria de nós se adapta a um ambiente social doente, quem resiste à normose acaba considerado desajustado, por não obedecer ao estado “normal” das coisas.

Seria o exemplo do sujeito que, mesmo bem remunerado e sustentando adequadamente sua família, é considerado vagabundo e louco por, em um dia no meio da semana, decidir que as crianças não vão à escola, pois todos irão à praia. De repente, ele acha que um dia na natureza será mais benéfico a seus filhos do que horas sentados em sala de aula. Reflexão: Será que ele não está saudável, enquanto doentes estão os outros que o criticam?

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