Farmacologia da Amoxicilina


A Amoxicilina é uma penicilina semissintética, divergindo da ampicilina apenas por apresentar a hidroxila ao invés do hidrogênio. Como apresenta o grupo amino, seu espectro de ação é amplo, tendo, em relação à ampicilina, maior biodisponibilidade. É um antimicrobiano bactericida que age por meio da inibição da síntese de parede celular nos agentes patógenos

É ácidorresistente, mas por sofrer inativação das beta-lactamases produzidas por várias bactérias, é ingerida apenas por via oral, na forma tri-hidratada. De acordo com Goodman e Gilman, as concentrações plasmáticas máximas são alcançadas em cerca de 2h. A maior parte da dose é excretada em forma ativa na urina.

A amoxicilina atravessa a barreira placentária e, além da urina, também é excretada pelo leite, sendo removível por hemodiálise. As indicações englobam o tratamento de infecções do aparelho respiratório, como bronquite, faringite bacteriana, otite média aguda e sinusite, bem como para doenças gonocócicas e febre tifoide.

Pode ser usada para tratamento de infecções de feridas causadas por queimaduras da pele e do tecido mole, do trato biliar e do trato geniturinário. Goodman e Gilman recomendam que, no tratamento da otite média em crianças, se aumente a dose do medicamento de 40 a 45 para 80 a 90 mg/kg/dia, visto que a prevalência de resistência dos pneumococos tem sido cada vez maior. Nas infecções enterocócicas do trato urinário a ampicilina é mais efetiva do que a amoxicilina.

É contraindicada para quem for sensível às penicilinas, na gravidez, na lactação, insuficiência renal, mononucleose infecciosa e infecções causadas por estafilococos penicilino-resistentes e nas produzidas por bacilo piociânico, riquétsias e vírus.

Fonte: unieuro.edu.br




Eosinofilia: um achado comum que merece investigação


Quando os exames gerais não explicam a ocorrência da condição, convém pensar também em doenças hematológicas neoplásicas.

Relativamente frequente na prática clínica, a eosinofilia, na maioria das vezes, é reacional a processos inflamatórios, tais como reação a medicamentos, inflamação inespecífica, infecção por vírus, fungos ou bactérias, infestações parasitárias, doenças autoimunes, afecções endocrinológicas, tumores e reações alérgicas. Nessas situações, a partir da história clínica detalhada e do exame físico cuidadoso, a avaliação do paciente deve incluir testes diagnósticos gerais, do hemograma à pesquisa de autoanticorpos.

Por outro lado, a investigação de eosinofilia de causa inexplicada precisa considerar as doenças hematológicas e, para tanto, há necessidade de analisar a medula óssea por meio de testes específicos. Isso porque a condição pode ser também uma manifestação de diferentes neoplasias do sangue, como a leucemia eosinofílica crônica, que hoje conta com boas possibilidades terapêuticas

A leucemia eosinofílica crônica (LEC), também chamada de eosinofilia clonal, ou ainda de neoplasia mieloide ou linfoide, com eosinofilia e rearranjos nos genes FIP1L1 e PDGFR-alfa, caracteriza-se por proliferação autônoma e clonal de precursores eosinofílicos, resultando no aumento persistente dessas células na medula óssea, no sangue periférico e nos tecidos. Mais comum em homens, com pico de incidência ao redor dos 40 anos, a doença causa lesão orgânica decorrente da infiltração leucêmica ou da liberação de citocinas, enzimas ou outras proteínas pelos eosinófilos.

O advento de terapia antitirosinoquinase, como o mesilato de imatinibe, abriu novas perspectivas para o controle da LEC. Esse tratamento tem boa resposta nos casos que apresentam o rearranjo envolvendo FIP1L1/PDGFR-alfa, que pode ser pesquisado pela técnica de hibridação in situ por fluorescência (FISH). A instituição de mesilato de imatinibe para os casos que apresentam essa alteração genética deve ser imediata, inicialmente com 100 mg por dia, podendo chegar a 400 mg por dia na falta de resposta ou na presença de doença residual.

Em geral, os pacientes alcançam remissão hematológica em cerca de 30 dias, com completo desaparecimento dos sinais e sintomas.

Fonte: fleury.com.br




Há benefício no uso de ranitidina em pacientes hospitalizados?


A ranitidina pode ser eficaz na profilaxia de úlcera péptica ou hemorragia digestiva em pacientes hospitalizados. Porém, a falta de critérios bem estabelecidos para seu uso tornou-o indiscriminado em todos os setores hospitalares.

Sabendo que há relatos de efeitos colaterais como disfunções hepáticas, alterações reversíveis na contagem de células sangüíneas (anemia, leucopenia e trombocitopenia), agranulocitose, hipoplasia ou aplasia de medula óssea, reações de hipersensibilidade (urticária, edema angioneurótico, broncoespasmo, hipotensão), bradicardia e bloqueio atrioventricular, seu uso pode expor os pacientes hospitalizados, sob menor regime de estresse, a riscos sem evidência de benefício.

Dos estudos selecionados para análise, após avaliação dos resumos, verificou-se que a população estudada é restrita aos pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva (UTI). A fim de ilustrar a quantidade de benefício estimada a esses pacientes, foi considerada amostra de três ensaios clínicos randomizados. As populações incluídas foram de adultos internados em UTI por sepse e/ou politrauma, ou que necessitaram ventilação mecânica, e de neonatos (RN) internados em UTI que necessitaram de ventilação mecânica nas duas horas iniciais de vida.

As intervenções testadas foram de ranitidina endovenosa na dose de 25 a 50 mg, de 8 em 8 horas, nos adultos e de 5mg/kg/dia, de 8 em 8 horas, nos recém-nascidos. A comparação variou entre a administração de placebo ou Sucralfato 1g de 6 em 6 horas por sonda nasogástrica. Em adultos, o uso de ranitidina reduziu o risco absoluto de úlcera péptica em 5,9%  e de hemorragia digestiva em 2,1%. Nos recém-nascidos, seu uso reduziu o risco de úlcera em 32%.

É preciso alertar, entretanto, que não há informação relevante quanto ao benefício do uso da ranitidina profilática em pacientes hospitalizados, por exemplo, na enfermaria, que estão sob menor regime de estresse.

Fonte: scielo.br




Dipirona: por que é comercializada no Brasil e proibida em diversos países?


A dipirona foi usada por muitos anos, mas abandonada em vários países pelo risco potencial de causar agranulocitose irreversível. A agranulocitose é uma reação adversa imprevisível e potencialmente fatal. Ela não é dependente da dose, portanto, acredita-se que seja determinada por mecanismos de hipersensibilidade.

O termo é frequentemente utilizado para indicar uma neutropenia grave (redução de células de defesa no sangue – os neutrófilos), sendo este um fator predisponente para infecções. Ela pode ocorrer tanto após o uso do medicamento em curto prazo ou intermitente, quanto após a administração prolongada. Os sinais e sintomas dessa reação adversa incluem lesões inflamatórias na mucosa (ex. orofaríngea, anorretal, genital), inflamação na garganta, febre e calafrios.

A dipirona está disponível em alguns países da Europa, como a Alemanha, desde que estudos epidemiológicos sugeriram que os riscos de seus efeitos adversos eram similares ao do paracetamol e menores que do ácido acetilsalicílico. Em outros países, tais como os do Reino Unido, ela nunca foi licenciada. Ela ainda é largamente utilizada em muitas partes do mundo, incluindo o Extremo Oriente, África e América Latina.

Na Suécia, todos os produtos contendo dipirona foram retirados do mercado em 1974, devido a uma incidência estimada de agranulocitose de 1 em 3.000 pacientes. Em 1995, ela foi reintroduzida com base em uma baixa incidência encontrada em estudo, porém foi novamente suspensa em 1999, devido a outros dados apresentados.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária realizou, em julho de 2001, um “Painel Internacional de Avaliação da Segurança da Dipirona” com objetivo de promover amplo esclarecimento sobre seus riscos. Nesse painel formou-se um consenso de que a eficácia da dipirona como analgésico e antitérmico é inquestionável, que os riscos atribuídos à sua utilização eram baixos, e que os dados científicos disponíveis apontando a ocorrência desses riscos não eram suficientes para indicar alteração de sua situação regulatória.

Com os dados apresentados os participantes concluíram que os riscos da dipirona eram similares, ou menores, aos de outros analgésicos-antitérmicos disponíveis no mercado. Contudo, cabe ressaltar que, embora tenham valor científico, os consensos ou opiniões de especialistas oferecem uma evidência de menor qualidade para a tomada de decisão em saúde quando comparados a outros tipos de estudos, como ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. Por esta razão seus resultados devem ser avaliados com cautela.

Fonte: cemedmg




Anticorpos Monoclonais


Anticorpos são proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais. Um anticorpo reconhece um alvo específico, o antígeno, presente nas células estranhas ao organismo. Cada anticorpo dispõe de dois sítios, chamados de parátopos, que se ligam a uma parte especifica do antígeno, o epítopo.

A especificidade que determina a afinidade entre anticorpos e antígenos é semelhante à existente na relação entre fechaduras e chaves. Essa interação sinaliza uma ação para que outros componentes do sistema imunológico destruam, por exemplo, microrganismos ou células tumorais. Anticorpos pertencem a uma classe de proteínas conhecidas como imunoglobulinas, que são produzidas e secretadas por linfócitos B em resposta à estimulação por antígenos.

Anticorpos monoclonais (mAbs) são anticorpos produzidos por um único clone de um linfócito B, sendo, portanto, idênticos em relação às suas propriedades físico-químicas e biológicas. Podem ser gerados em laboratório para reconhecer e efetuar ligação com qualquer antígeno de interesse. Tal procedimento foi descrito pela primeira vez em 1975, em artigo publicado na revista Nature pelos cientistas César Milstein e Georges Köhler. Por esse feito, ambos dividiram o Prêmio Nobel de Medicina no ano de 1984 com o dinamarquês Niels Kaj Jerne.

Os anticorpos monoclonais são produzidos em laboratório a partir de linfócitos B gerados por camundongos cujos sistemas imunológicos foram estimulados pelos antígenos de interesse. São chamados de anticorpos murinos. Devido à sua origem murina, esses anticorpos, se usados de forma continuada durante uma terapia, estimulam uma reação imunológica ao próprio anticorpo. Por essa razão, o uso ficou limitado durante duas décadas à produção de kits para diagnósticos ou à pesquisa científica.

As modernas técnicas de engenharia genética permitem, porém, que esses anticorpos sejam humanizados, isto é, os genes responsáveis pela produção dessas proteínas sejam modificados de forma a eliminar essa reação imunológica do organismo humano. Assim são gerados os chamados anticorpos monoclonais humanizados. O processo de humanização não deve alterar a afinidade do anticorpo com o respectivo antígeno e possibilita assim o seu emprego continuado em procedimentos terapêuticos.

Na área de oncologia, uma nova geração de medicamentos está baseada na capacidade dos mAbs em reconhecer antígenos específicos de tumores e induzir uma resposta imune contra as células cancerosas. Além disso, os mAbs podem ser modificados de forma a atuarem como portadores de radioisótopos ou toxinas às células cancerosas, ampliando seu espectro de aplicação terapêutica.

Fonte: receptabiopharma




Interação entre Anti-hipertensivos e AINEs


O principal mecanismo que envolve a elevação da pressão arterial pelos AINEs é a inibição da enzima COX, que gera a redução sistêmica e renal da síntese de prostaglandinas (PGs). Dessa forma, todos os AINEs podem antagonizar a terapia anti-hipertensiva, seja parcial ou totalmente, podem ainda não ter efeito algum sobre a pressão arterial ou até gerar crises hipertensivas.

Outros medicamentos com ação analgésica e antipirética, como a dipirona e o paracetamol, também podem interferir na ação dos anti-hipertensivos. A partir de vários estudos, constatou-se que a média de aumento da pressão arterial foi de 10mmHg com curta e longa duração e risco maior em idosos, afrodescendentes e naqueles com hipertensão arterial com renina baixa.

As PGs são fundamentais no processo de resposta inflamatória, além de serem importantes fisiologicamente na modulação da dilatação vascular renal e sistêmica, na filtração glomerular, na secreção tubular de sódio e água, na transmissão adrenérgica, no sistema renina-angiotensina-aldosterona e na proteção da mucosa gástrica. No entanto, a inibição de sua formação pode levar a vários efeitos colaterais, como dano à mucosa gástrica, diminuição da função renal, hipertensão arterial, entre outros.

Há numerosos estudos e meta-análises que têm como enfoque os efeitos adversos dos AINEs sobre a pressão arterial e a diminuição da eficácia dos medicamentos anti-hipertensivos. Muitas classes de anti-hipertensivos parecem ser afetadas, incluindo-se os diuréticos, os betabloqueadores e os inibidores da ECA.

O aumento da pressão arterial com o uso dos AINEs não-específicos ocorre pela retenção de líquidos, o que afeta a medicação anti-hipertensiva. Estudos comprovam que alguns anti-hipertensivos também podem interferir na ação dos AINEs, diminuindo a eficácia da resposta inflamatória.

Fonte: uniararas.br




Neutrófilos


Os neutrófilos fazem parte da porção do sangue responsável pela defesa e imunidade do organismo, os leucócitos. Eles são responsáveis por envolver as células doentes, eliminando-as a seguir, especializados no combate a bactérias e fungos.

Os neutrófilos são produzidos e armazenados na medula óssea e seus valores de referência são de: 40-80% ou, seja, 1800 a 8000/mm3. Assim, quando os neutrófilos estão altos isso normalmente indica que o indivíduo possui alguma infecção bacteriana ou fúngica.

Por vezes o exame de sangue indica também a quantidade de bastões e neutrófilos segmentados. Os bastões são os neutrófilos que acabaram de ser produzidos para vencerem a infecção e os segmentados são os mais antigos. Seus valores podem indicar há quanto tempo o corpo está lutando contra a infecção. O hemograma ou o leucograma poderão indicar:

1. Neutrófilos altos

Os valor de neutrófilos alto, também conhecido como neutrofilia, pode surgir em caso de estresse, exercício físico exagerado e uso de determiandos medicamentos, mas especialmente em caso de situações como: infecções; desordens inflamatórias; diabetes; uremia; eclâmpsia na gravidez; necrose hepática; leucemia mielóide crônica; policitemia pós-esplenectomia; anemia hemolítica; hemorragia; queimadura; choque elétrico; câncer.

Assim, caso o valor dos neutrófilos esteja elevado, o médico pode pedir outros exames de diagnóstico para identificar corretamente a causa e iniciar o tratamento adequado.

2. Neutrófilos baixos

A neutropenia, ou a baixa concentração de neutrófilos, ocorre quando existem situações como: anemia aplástica, megaloblástica ou ferropriva; leucemia; hipotiroidismo; cirrose.

Os bebês com menos de 3 meses de idade têm pouca quantidade de neutrófilos, por isso, em caso de infecções graves é possível que seu exame de sangue indique neutrófilos baixos ao invés de altos. Crianças com síndrome de Down também tendem a apresentar neutrófilos baixos sem que exista algum problema de saúde.

Fonte: tuasaude.com


Metoclopramida x Anticoncepcionais


Metoclopramida é um fármaco indicado nos distúrbios da motilidade gastrointestinal e refluxo gastroesofágico, além de aliviar náuseas e vômitos de origem central e periférica. Sua ação está relacionada ao bloqueio dos receptores D2 da dopamina. 

Anticoncepcionais orais combinados exercem seu mecanismo por supressão das gonadotrofinas, inibindo assim a ovulação, além de produzirem mudanças no muco cervical e no endométrio.

INTERAÇÃO: Fármacos que reduzem o tempo de trânsito intestinal, tais como a bromoprida, domperidona ou metoclopramida, podem reduzir também a absorção do etinilestradiol. A consequência disso é o provável comprometimento da eficácia de anticoncepcionais que contenham esta substância.




Fenobarbital e influência na diminuição do QI



Um artigo publicado no "The New England Journal of Medicine" por cientistas da Universidade de Washington e dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA levantou dúvidas quanto ao uso do fenobarbital em crianças sujeitas a convulsões quando com febre alta.

Os cientistas estudaram 217 crianças de 8 meses a 3 anos de idade que tiveram pelo menos uma convulsão. Verificou-se que as que fizeram uso do fármaco por até dois anos apresentavam QI significativamente mais baixo do que as que receberam placebo. A diferença permanecia vários meses após a interrupção do tratamento. Ignora-se, todavia, se o efeito será permanente. Além disso, o que é muito importante, foi constatado que o fenobarbital não era eficaz na supressão das convulsões.

O fenobarbital é classificado como barbitúrico de ação longa e é, de todos os barbituratos, o que apresenta mais amplo leque de usos terapêuticos, empregado especialmente como sedativo, hipnótico e anticonvulsivo. Foi, aliás, o primeiro agente antiepiléptico orgânico eficaz. Ele é ativo na maioria das provas anticonvulsivas em animais, mas é relativamente pouco seletivo. Age limitando o alastramento da atividade convulsiva e elevando o limiar de convulsão.

Sua eficácia e seu preço relativamente baixo fizeram do fenobarbital por muito tempo o fármaco de escolha na epilepsia, particularmente em crianças, assim como na profilaxia e no tratamento das convulsões febris da infância, o que é contestado pelo estudo publicado na revista acima referida. O objeto de estudo do artigo necessita ainda de mais investigações.

Fonte: The New England Journal of Medicine




Ciprofloxacino x Antiácidos


Ciprofloxacino é um agente antimicrobiano quinolônico que possui ação bactericida por meio da inibição das topoisomerases II (DNA-girase) e IV.

INTERAÇÃO: A bula de ciprofloxacino informa que sua administração associada aos antiácidos que contenham magnésio ou alumínio, assim como sucralfato, em intervalos inferiores a duas horas, pode formar quelatos e prejudicar a absorção. Este processo também pode ocorrer na presença de ferro e preparações multivitamínicas contendo cálcio ou zinco. A restrição não se aplica aos antagonistas dos receptores histamínicos H2, tendo como exemplo a ranitidina.




O mecanismo hepatotóxico da nimesulida


A eliminação da nimesulida acontece quase que exclusivamente pelo metabolismo hepático, sendo metabolizada pelas enzimas do citocromo P450. Dessa forma, a insuficiência hepática modifica quase que completamente o perfil farmacocinético da nimesulida, aumentando significativamente as taxas de seu metabólito 4- hidroxinimesulida e sua meia-vida plasmática, reduzindo assim a sua eliminação.

A hepatotoxicidade, embora seja raramente relatada como efeito adverso aos AINES, pode se manifestar de forma severa, o que fez com que alguns fármacos dessa categoria fossem retirados do mercado. Uma vez que é pouco previsível em modelos de estudo pré-clínicos e em experimentos clínicos padronizados, vários autores têm relatado casos clínicos em que a hepatotoxicidade associada ao uso de nimesulida ocorreu em vários países, tornando discutível sua segurança nesse aspecto.

Vários dos mecanismos pelos quais se desenvolve a toxicidade hepática por medicamentos já foram esclarecidos, destacando-se: a biotransformação de xenobióticos mediada por enzimas do citocromo P450 (CYP); a depleção de ATP; a ligação a constituintes citoplasmáticos e nucleares e interferências no RNA. Um estudo detectou que a nimesulida induziu a morte por necrose de células humanas HUH-7 derivadas de hepatócitos na ausência de albumina. Dessa forma, a nimesulida transfere prótons para a matriz mitocondrial, diminui o potencial da membrana mitocondrial e aumenta a respiração desta organela.

O aumento da respiração leva à depleção progressiva da enzima nicotinamida adenina nucleotídeo fosfato (NADP), à oxidação e à depleção de glutationa, ao aumento intracelular das espécies reativas de oxigênio, ao início da mudança da permeabilidade mitocondrial, à depleção de ATP, ao aumento do cálcio celular e à necrose nas células de hepatoma humano incubadas sem albumina.

Fonte: itpac.br




Complicações do uso contínuo de IBPs


Os IBPs (sigla que identifica os fármacos inibidores da bomba de prótons) são bem tolerados e, na maioria dos casos em que surgem efeitos adversos, estes são moderados e passageiros. Os mais comuns, observados em aproximadamente 10% dos pacientes, são: cefaleia, diarreia, distúrbios gastrointestinais, constipação e flatulência.

Efeitos adversos raros, porém importantes, incluem nefrite aguda intersticial, hiponatremia, hipopotassemia, hipomagnesemia, pancreatite e síndrome de Stevens-Johnson. Porém, alguns estudos levantam questões sobre a segurança do uso contínuo de IBPs no manejo de doença péptica relacionada à acidez gástrica. A maior preocupação está nos efeitos de longo prazo, devido à intensa supressão ácida que promove aumento na secreção de gastrina e consequente hipergastrinemia.

Os estudos publicados ainda não permitem estabelecer associação definitiva entre o uso contínuo de IBPs e a incidência de complicações graves, porém, os indícios são suficientes para recomendar uso criterioso e monitoramento dos pacientes. A seguir são apresentados efeitos adversos que podem surgir com o uso contínuo de IBPs e que requerem atenção especial:

- Hipergastrinemia: a maioria dos pacientes em uso contínuo de IBP apresenta hipergastrinemia;

- Câncer gástrico: a gastrina apresenta efeito trófico na mucosa gástrica e ratos tratados com omeprazol por dois anos sofreram aumento nas células enterocromafinas, desenvolvendo tumores gástricos relacionados com a dose;

- Enterites bacterianas: acloridria e hipocloridria podem aumentar o risco de enterites bacterianas, contudo, não há estudos que confirmem indubitavelmente tal associação;

- Pneumonia: um estudo de casos e controles, de base populacional e realizado no distrito de Funen, Dinamarca, incluindo indivíduos que deram entrada em hospital com pneumonia comunitária demonstrou a associação entre o uso de IBP e o risco de desenvolvimento de pneumonia;

- Deficiência de minerais e vitamina B12: a diminuição da acidez gástrica pode interferir na absorção da vitamina B12 e diversos minerais, porém, não há estudo que comprove a relevância clínica desta alteração.

Fonte: cff.org.br




Benzodiazepínicos - Características


Grupo de fármacos que apresentam propriedades ansiolíticas, sedativo-hipnóticas, anticonvulsivantes ou ainda relaxante muscular. Os efeitos tóxicos parecem ser conseqüentes de sua ação direta sobre o Sistema Nervoso Central. Apesar de existirem diferenças significativas de farmacocinética entre seus numerosos compostos, não parece haver superioridade de um sobre outro quando se toma por base apenas a farmacocinética.

Em geral, os benzodiazepínicos (BZD) são rápida e completamente absorvidos por via oral. No entanto, alguns deles, como o clordiazepóxido, levam horas para atingirem concentrações sangüíneas máximas. A ligação proteica plasmática é variável e praticamente todos são metabolizados no fígado por oxidação ou conjugação, com formação de metabólitos (muitos dos quais ativos). A excreção é renal.

Uma das classificações possíveis deste grupo de fármacos é feita conforme sua meia-vida de eliminação, de acordo como segue: ação muito curta – midazolam; ação curta – alprazolam e lorazepam; ação intermediária – clordiazepóxido, diazepam, clonazepam e flurazepam.

Estudos sugerem que os benzodiazepínicos interagem em um receptor específico com um modulador proteico endógeno que antagoniza a ligação com o GABA, potencializando os seus efeitos. Certos benzodiazepínicos estão associados com dependência e alguns produzem reações de abstinência mais intensas do que outros.

Fonte: saude.pr.gov.br




Nafazolina - clínica da intoxicação aguda


Os descongestionantes nasais tópicos que apresentam riscos de intoxicação aguda são geralmente constituídos por um simpatomimético em apresentação isolada ou associada. São utilizados como vasoconstritor para reduzir edema e congestão de mucosas nasal e ocular.

O uso deve ser controlado em hipertensos, diabéticos e pacientes com hipertireoidismo. O uso crônico causa congestão de rebote em mucosas. O simpatomimético mais consumido, apesar de não ser o único disponível no mercado, é a nafazolina.

Clínica da Intoxicação Aguda: a intoxicação aguda pode ocorrer por ingestão ou pela aplicação nasal de doses excessivas. Os sintomas são: náuseas, vômitos, cefaleia, rubor de pele, sudorese, irritabilidade, inquietude, aumento da pressão arterial, distúrbios cardíacos como extrassístoles e outras arritmias podem aparecer.

Casos graves: depressão do SNC, hipotermia, dilatação pupilar, sonolência e coma; distúrbios respiratórios com respiração irregular ou bradipneia com períodos de apneia.

Fonte: saude.pr.gov.br




Sinalização Celular


Um dos principais mecanismos que garantem o funcionamento integrado nos organismos pluricelulares é o da sinalização celular. As células se comunicam, mandando sinais elétricos ou químicos, os quais regulam as atividades celulares, respostas a estímulos do meio ambiente e outras.

Este estudo é de importância para a compreensão de diversas atividades metabólicas e até mesmo de disfunções na atividade celular, como em doenças autoimunes e nas neoplasias. Vejamos as diferentes formas pelas quais ocorre a sinalização celular:

- Sinalização dependente de contato: proteínas ligadas à membrana plasmática de uma célula podem interagir com receptores de uma célula adjacente. A substancia indutora não é secretada, ficando na superfície da célula sinalizadora.

- Sinalização parácrina: as moléculas sinalizadoras (mediadores locais) agem em múltiplas células-alvo, próximas do local de sua síntese. Exemplo: Neurotransmissores.

- Sinalização autócrina: a célula responde a substâncias liberadas por ela mesma. As moléculas sinalizadoras são os mediadores locais, como por exemplo, alguns fatores de crescimento.

- Gap Junctions: os sinais são transmitidos para células imediatamente adjacentes através das membranas (por componentes lipídicos ou proteicos). Exemplo: Transmissão da despolarização em células cardíacas.

- Sinalização Endócrina: os sinais são hormônios transmitidos a diversas localidades do organismo via corrente sanguínea.

Fonte: abcdamedicina


Ações específicas dos receptores β-adrenérgicos


Receptores β1

Aumento do débito cardíaco, por aumento da frequência cardíaca e do volume ejetado em cada batimento (aumento da fração de ejeção); liberação de renina nas células justaglomerulares; lipólise do tecido adiposo.

Receptores β2

Os receptores β2 são receptores adrenérgicos polimórficos predominantes nos músculos lisos e causam o relaxamento visceral. Entre as suas funções conhecidas, estão: relaxamento da musculatura lisa, por exemplo, nos brônquios; lipólise do tecido adiposo; relaxamento gastrintestinal, do esfíncter urinário e do útero gravídico; relaxamento da parede da bexiga; dilatação das artérias do músculo esquelético; glicogenólise e gliconeogênese; aumento da secreção das glândulas salivares; inibição da liberação de histamina dos mastócitos; aumento da secreção de renina dos rins.

Receptores β3

São receptores adrenérgicos que causam predominantemente efeitos metabólicos, nos quais as ações específicas incluem, por exemplo, a estimulação da lipólise do tecido adiposo.

Fonte: departamentos.cardiol.br




Relação entre AINEs seletivos e Alzheimer


AINEs seletivos são aqueles que inibem a isoforma COX-2 da enzima ciclo-oxigenase e fármacos que se enquadram como exemplos são o celecoxibe e o etoricoxibe. As prostaglandinas são conhecidas por mediarem febre, reações inflamatórias no tecido neural e, mais recentemente, por influenciarem a função cerebral.

Também foi detectado o papel da COX-2 no desenvolvimento do sistema nervoso e como importante modulador da resposta neural durante a vida adulta. Níveis desta isoforma aumentam significativamente após convulsões e atividade mediada pelo receptor NMDA (N-metil-D-Aspartato).

O papel da COX-2 e de inibidores específicos desta isoforma na função cerebral humana ainda é desconhecido. Estudos mostram que altas doses de AINEs podem ser associadas ao reversível déficit cognitivo em idosos. Por outro lado, o uso prolongado destes compostos em baixas doses pode prevenir o declínio da função cognitiva, mas ainda precisa ser determinado se tal proteção é oriunda de efeito anti-inflamatório (o qual modifica a evolução da Demência de Alzheimer).

Apesar da observação epidemiológica de menor incidência da Doença de Alzheimer entre usuários de AINEs, avaliações clínicas mais profundas são necessárias para tal indicação terapêutica destes agentes. Estudos clínicos com inibidores seletivos de COX-2 para possível prevenção e supressão desta condição patológica já foram iniciados.

Fonte: scielo.br


Quinolonas - Propriedades Farmacológicas e Mecanismos de Resistência


São antimicrobianos com ação bactericida que atuam por inibição das topoisomerases II (DNA-girase) e IV. São bem absorvidas pelo trato gastrintestinal superior. A biodisponibilidade é superior a 50% e o pico sérico é atingido em 1 a 3 horas após a administração. Os alimentos não reduzem substancialmente a absorção, mas retardam o pico da concentração sérica. A ligação proteica está normalmente entre 15 e 30%.

O volume de distribuição geralmente é alto. As concentrações na próstata, fezes, bile, pulmão, neutrófilos e macrófagos excedem as concentrações séricas. Já as concentrações na saliva, ossos e líquido cefalorraquidiano são menores do que as plasmáticas.

As quinolonas mais recentes, tomando como exemplo o levofloxacino, atingem altas concentrações séricas e a área sob a curva é elevada. Este fármaco possui meia-vida de 7 a 8 horas, podendo ser administrado tanto por via endovenosa quanto oral, em dose única diária. A ligação proteica é de 20 a 30%, sendo a eliminação predominantemente renal, correpondendo à faixa entre 80 a 90%.

A resistência ocorre, principalmente por alteração na enzima DNA-girase, que passa a não sofrer ação do antimicrobiano. Pode ocorrer por mutação cromossômica nos genes que são responsáveis pelas enzimas alvo (DNA-girase e topoisomerase IV) ou por alteração da permeabilidade ao fármaco pela membrana celular bacteriana. É possível a existência de um mecanismo que aumente a retirada do fármaco do interior da célula (bomba de efluxo).

Fonte: ANVISA



Efeito da acetilcisteína em pacientes infectados por HIV


Na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV-1), verifica-se desequilíbrio entre pró-oxidantes e antioxidantes, bem como alterações nos níveis séricos de diferentes citocinas. Estas alterações têm como resultado o estresse oxidativo crônico e a ativação imunológica.

Presume-se que a ativação do fator de transcrição nuclear kappa B (NF-kB) e o conseqüente aumento progressivo da replicação do HIV são decorrentes dos distúrbios pró-inflamatórios e pró-oxidantes, os quais são, em parte, atribuídos aos elevados níveis séricos do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). O estado crônico e progressivo de ativação imunocelular, que caracteriza a infecção pelo HIV, parece ser o principal mecanismo responsável pela morte prematura de linfócitos em conseqüência da diminuição da expressão da proteína Bcl-2 e alterações nos níveis de citocinas como o TNF-α, além de ser fundamental para que as células linfoides possam se tornar eficientemente infectadas pelo HIV.

A deficiência de glutationa, um tripeptídeo intracelular, encontrado em concentrações milimolares em todas as células, constituindo-se na principal defesa intracelular contra o estresse oxidativo, está relacionada a processos moleculares que têm como conseqüência a ativação do NF-kB, o aumento da replicação do HIV, alterações funcionais de células T e a depressão do sistema imunológico em conseqüência da morte celular induzida pelo TNF-α. As concentrações séricas de cisteína e de glutationa estão significativamente reduzidas em pacientes infectados pelo HIV-1.

A diminuição destes tiois (compostos organossulfurados) têm sido associada à diminuição da sobrevida dos pacientes infectados pelo HIV. Estudos in vitro demonstraram que a adição de N-acetilcisteína (NAC) à cultura de células resulta na redução da replicação do HIV e na proliferação de células T. Em pacientes infectados pelo HIV, a NAC também promoveu a diminuição nos níveis de TNF-α.

Apesar disso, não se verificou diferença em decorrência da suplementação de 600mg/dia de acetilcisteína quando os resultados dos parâmetros analisados foram comparados com aqueles do grupo que recebeu placebo. A conclusão foi a de que a suplementação oral com 600 mg/dia de NAC foi insuficiente para acrescentar benefícios em relação à ativação celular e à resposta inflamatória além daqueles decorrentes do tratamento antirretroviral, devido ao acréscimo de efeitos colaterais acarretados.

Fonte: scielo.br


Antagonistas do cálcio: efeitos cardíacos e vasculares


EFEITOS SOBRE ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS CARDÍACAS E VASCULARES

      Os estudos de meta-análise têm demonstrado que os antagonistas dos canais de cálcio determinam regressão na hipertrofia ventricular esquerda, além de promoverem melhora na função diastólica do ventrículo esquerdo. Em pacientes com falência ventricular esquerda, deve-se evitar verapamil e diltiazem. O efeito dos demais antagonistas dos canais de cálcio ainda está para ser definitivamente definido, mas aparentemente parece haver neutralidade.

      Quanto às lesões estruturais vasculares, os dados clínicos são ainda muito escassos. Em pacientes com aterosclerose de carótida, não houve demonstração de resultados significativos sobre a regressão da placa ateromatosa após longo período de uso. Mais recentemente, em estudos em animais de experimentação, foi determinada a regressão da hipertrofia vascular em vasos arteriais.

EFEITOS NA ATEROGÊNESE

      Há fortes evidências experimentais demonstrando efeito protetor sobre a parede vascular arterial atribuído aos antagonistas dos canais de cálcio no desenvolvimento de aterosclerose em modelos animais alimentados com dietas ricas em gordura. Contudo, em humanos, não há provas definitivas de que os fatos sejam reprodutíveis, nem de que estes fármacos levem à redução da espessura da placa de ateroma já existente.

Fonte: departamentos.cardiol.br


Clonazepam no tratamento da vertigem


Vertigens ou outros tipos de tontura originados por distúrbios da função vestibular são extremamente comuns. Náuseas, vômitos, pré-síncopes ou síncopes e quedas estão frequentemente associados à perturbação do equilíbrio corporal e, quando há envolvimento concomitante da função auditiva, podem ocorrer também zumbido e hipersensibilidade a sons.

Quando a causa é identificada, o tratamento etiológico pertinente deve ser realizado. Exercícios personalizados de reabilitação vestibular, correção de fatores agravantes como erros alimentares ou vícios e eventual aconselhamento psicológico são outros recursos terapêuticos valiosos. No entanto, estes recursos terapêuticos podem ser insuficientes para erradicar a vertigem e os sintomas associados. Para a adequada resolução dos sintomas decorrentes do distúrbio vestibular e/ou auditivo, o uso de medicamentos pode ser indispensável.

Pelo menos seis condições justificam o uso de substâncias antivertiginosas nas vestibulopatias periféricas ou centrais: 1) a vertigem aguda; 2) náuseas e vômitos das crises vertiginosas; 3) episódios de vertigem e outros tipos de tontura na fase crônica; 4) recidivas de tonturas, atuando como agentes profiláticos; 5) manifestações clínicas das várias formas de cinetose; e 6) sintomas associados de disfunção auditiva, como zumbido, hipersensibilidade a sons, plenitude aural etc.

Várias são as opções medicamentosas no combate sintomático às tonturas, zumbido e outros sintomas auditivos. O mecanismo de ação dos medicamentos usados em otoneurologia ainda não é perfeitamente conhecido, mas acredita-se que a atuação farmacológica sobre determinados neurotransmissores no sistema nervoso central desempenhe papel preponderante.

A atividade antivertiginosa do clonazepam e de outros benzodiazepínicos, como alprazolam, diazepam e lorazepam, tem sido realçada na literatura otoneurológica há muitos anos. Os benzodiazepínicos antivertiginosos atuam potencializando o efeito inibidor do neurotransmissor ácido-gama-amino-butírico (GABA) nos núcleos vestibulares e cerebelo.

Fonte: moreirajr


Ionização dos fármacos e a prática clínica


A ionização de fármacos explica vários fatos clínicos como, por exemplo, o motivo pelo qual existe diminuição de efeitos sedativos dos antagonistas histamínicos (H1) de segunda geração. Os fármacos pertencentes a essa classe se encontram ionizados no plasma sanguíneo fisiológico, ocasionando diminuição da difusão através da barreira hematoencefálica, diminuindo assim a interação com o sistema nervoso central. Já os de primeira geração encontram-se não ionizados no plasma, logo são mais apolares e possuem nível de difusão membranar elevado, podendo alcançar o sistema nervoso central com mais facilidade.

Um fenômeno observado quando ocorre o acúmulo de fármaco em um meio específico é o chamado aprisionamento iônico. Este aprisionamento ocorre quando um fármaco passa de um meio para outro (meio extra para o meio intracelular, por exemplo) e é ionizado, formando um acúmulo desse fármaco em um dos meios. Já que ele se encontra ionizado, a volta para manter o equilíbrio da concentração é dificultada, ocasionando a situação de aprisionamento. De modo geral, fármacos ácidos tendem a permanecer no meio extracelular e básicos no meio intracelular, tendo em vista que o pH do meio intracelular é em torno de 7,0 e do meio extra em torno de 7,35.

Existem grupos de fármacos que se utilizam deste mecanismo para produzir o efeito terapêutico. É o exemplo de alguns fármacos antimaláricos, como a cloroquina. No ambiente ácido do vacúolo alimentar do parasita a base livre fica aprisionada, o que contribui para a interrupção da via de digestão da hemoglobina. Este mecanismo de digestão é o foco do efeito tóxico do parasita.

Segundo Goodman, nos túbulos renais, onde um fármaco lipossolúvel pode ser reabsorvido por difusão passiva, a excreção deste mesmo fármaco pode ser facilitada alterando-se o pH da urina. Quanto mais alcalina for a urina mais ela irá favorecer a excreção de fármacos ácidos, pois a ionização do mesmo irá diminuir o seu coeficiente de partição. O mesmo ocorre com fármacos básicos em meios ácidos.

Fonte: farmacologiaclinica.com.br


Xenobióticos


Xenobióticos são compostos químicos estranhos ao organismo humano. Eles são produzidos pela indústria ou pela natureza, através de vegetais e fungos. Podem ser enquadrados em diversas categorias, como pesticidas agrícolas, inseticidas, plásticos, produtos de limpeza e fármacos.

Nossa sociedade utiliza esses compostos regularmente, sob várias formas, inclusive como medicamentos e antibióticos. Atualmente a ciência busca aperfeiçoar o uso de medicamentos estudando todas as possíveis interações com o nosso organismo, pois os indivíduos respondem de maneira diferente sob ação de determinados fármacos. Um aspecto importante a ser levado em consideração quando o assunto é xenobióticos é: como eles serão metabolizados pelo organismo?

Em sua maioria, eles são metabolizados no fígado através de enzimas. Entretanto, nosso intestino abriga bactérias com papel crucial no metabolismo. Elas participam da biotransformação, na qual um determinado composto sofrerá alteração química ou estrutural importante. Os efeitos dessa biotransformação ainda não são totalmente conhecidos e muitos estudos estão sendo realizados para saber como isso pode variar entre indivíduos de diferentes idades, etnias, hábitos alimentares e ambiente no qual estão inseridos.

Já se sabe que algumas bactérias podem neutralizar a ação de medicamentos, fazendo com que estes sejam inócuos ao organismo, ou pior, nocivos (surtindo efeito contrário em relação ao desejado). Para entender melhor os efeitos de diferentes compostos no organismo humano é importante estudar quais tipos de bactérias estão presentes no intestino e qual a sua função. Por meio de amostras fecais e aplicação de diferentes estratégias, é possível avançar no conhecimento relativo à resposta dos hospedeiros e de sua microbiota em presença de certos compostos.

Para verificar os efeitos de alguns fármacos sobre as bactérias são avaliados o estado fisiológico das suas membranas, especificamente as perdas de polaridade e de integridade e o conteúdo de ácidos nucleicos dessas bactérias em determinado momento, permitindo ver quais as populações bacterianas que estão mais ativas.

Fonte: rc.unesp.br




Citocromo P450


O metabolismo é uma das formas que o corpo humano desenvolveu para eliminar certas substâncias estranhas (xenobióticos) do organismo. Ao longo dos anos o homem entrou em contato com diversas dessas substâncias (algumas muito tóxicas), sendo necessário a criação de um complexo enzimático de eliminação.

O resultado dessas eras de evolução são enzimas específicas distribuídas por todo o corpo que ajudam na eliminação e na biotransformação de substratos nocivos (ou não) para nós. Os fármacos são metabolizados em várias partes do corpo, como pulmões, plasma e intestino, porém é no fígado onde encontra-se o grupo de isoenzimas responsáveis por boa parte do metabolismo farmacológico: o Sistema Citocromal (Mono-Oxigenase) P450.

Conhecido por vários nomes, o citocromo P450 foi descoberto por Martin Klingenberg e David Garfinkel em 1958. O termo P450 é usado para descrever as enzimas codificadas pelo citocromo P450, que derivam o nome da descoberta do pigmento (P) microssomal hepático.

Rang & Dale afirmam ainda que estas enzimas possuem propriedades espectrais únicas e que suas formas reduzidas se combinam com monóxido de carbono para formar um produto rosa, com picos de absorbância próximos a 450nm. A nomenclatura das enzimas do sistema P450 é iniciada com CYP (CYtochrome P450) seguido de um conjunto de letras e números como CYP3A4. Neste caso podemos ler esta enzima como: Enzima citocromal (devido ao CYP), onde a família é a 3, a subfamília é a A e o gene é o 4.

Muitos estudos trazem nomenclatura diferenciada desse sistema, como sistema microssomal P450. O termo Microssomal é devido a essas enzimas serem localizadas na fração microssômica de uma amostra, após uma homogeneização e centrifugação diferencial. O retículo endoplasmático, após passar por esses dois processos, é quebrado em fragmentos muito pequenos que só sedimentam na fração microssômica, depois de uma centrifugação prolongada em alta velocidade; daí a origem do nome.

Fonte: farmacologiaclinica.com.br




Enalapril x Trazodona


Enalapril é um anti-hipertensivo que atua como inibidor da enzima conversora de angiotensina (ECA). O resultado desta inibição enzimática é a redução dos níveis de angiotensina II e aldosterona na circulação.

Trazodona é um antidepressivo com ação distinta em relação a que é associada aos outros fármacos de mesma indicação terapêutica. Seu mecanismo de ação não é completamente conhecido, mas sabe-se da inibição da recaptação de serotonina e da atividade em receptores adrenérgicos.

INTERAÇÃO: A bula relata risco de hipotensão grave se houver uso simultâneo de trazodona com anti-hipertensivos. O exemplo aqui utilizado foi o enalapril, mas também devem ser considerados outros IECA, assim como fármacos pertencentes a outros grupos que tenham a mesma indicação terapêutica. Diante desta informação de bula, recomenda-se estudar outras alternativas caso o paciente hipertenso em tratamento precise também de um antidepressivo.




Bupropiona e a função sexual


Dentre os antidepressivos de segunda geração, a bupropiona está associada a menores taxas de disfunção sexual quando comparada aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). A bupropiona tem efeito mais acentuado na inibição da recaptação de noradrenalina e dopamina; a baixa atividade serotonérgica e as ações dopaminérgicas e noradrenérgicas sugerem menor incidência de disfunção sexual nos pacientes que fazem uso deste fármaco.

Quase dez anos após a publicação dos primeiros trabalhos confirmando a ação da bupropiona como medicação antidepressiva, conduziu-se um estudo no qual homens que apresentavam histórico de disfunção sexual durante o período em que foram tratados com antidepressivos tricíclicos, inibidores da MAO, maprotilina e trazodona, tiveram seus problemas de ordem sexual resolvidos após a substituição de seus tratamentos pelo uso da bupropiona.

Com base nessas observações, os autores demonstraram pela primeira vez a baixa propensão deste fármaco em induzir efeitos adversos nas funções sexuais. Ainda na década de 80, um estudo inovador demonstrou melhora nos aspectos psicológicos da disfunção sexual devido ao tratamento farmacológico, quando pacientes, homens e mulheres, portadores de disfunção psicossexual (aversão sexual/desejo sexual inibido, excitação inibida e/ou inibição do orgasmo) apresentaram melhora significativa na libido e funções sexuais após tratamento com bupropiona.

Homens e mulheres sem histórico de depressão tratados com bupropiona, nas doses de 150 mg/dia e 300 mg/dia, relataram que este fármaco pode ser um agente útil para o tratamento de atraso ou inibição orgásmica e desordens da excitação sexual, uma vez que ambos os sexos relataram melhorias nestes parâmetros. Além disso, a bupropiona mostrou ser eficiente em reverter os efeitos sexuais adversos ocasionados pelo tratamento com inibidores da recaptação neuronal de serotonina em pacientes deprimidos.

Fonte: repositorio.unesp.br


Paracetamol e Ibuprofeno relacionados à perda auditiva


O uso frequente de analgésicos é comum e está associado a maior risco de perda de audição em homens, mas esta relação não foi avaliada de forma prospectiva em mulheres. Em estudo publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology, cientistas examinaram prospectivamente a relação entre a frequência de uso de ácido acetil-salicílico, ibuprofeno e paracetamol e o risco de perda auditiva em 62.261 mulheres, com idades compreendidas entre 31 e 48 anos.

O resultado foi o relato de perda auditiva e o período de acompanhamento foi de 14 anos. O uso de ibuprofeno e de paracetamol foi independentemente associado a maior risco de perda de audição, diferente do resultado encontrado com o uso de ácido acetil-salicílico.

Para o ibuprofeno, o risco relativo de perda auditiva foi de 1,13 para a utilização em 2 a 3 dias/semana; 1,21 para uso em 4 a 5 dias/semana e 1,24 para uso em seis ou sete dias na semana, em comparação com o uso de menos de uma vez por semana. Para o paracetamol, os correspondentes riscos relativos foram de 1,08; 1,11 e 1,21, respectivamente.

Neste estudo, o uso de ibuprofeno e de paracetamol (mas não de ácido acetil-salicílico) em dois ou mais dias por semana foi associado ao aumento de risco de perda de audição em mulheres. A autora principal do estudo, Sharon G. Curhan, sugere que as pessoas que precisam tomar estes medicamentos rotineiramente discutam com os seus médicos sobre os seus riscos e os benefícios, avaliando assim possíveis alternativas.

Fonte: American Journal of Epidemiology




Ceftobiprole - a quinta geração de cefalosporinas (Pt.2)


A ceftobiprole caracteriza-se como sendo uma cefalosporina hidrossolúvel, podendo ser administrada de forma endovenosa. Seu mecanismo de ação também ocorre pela inibição da proteína ligadora de penicilina. Fatores relacionados à farmacocinética revelam que a ceftobiprole tem sua taxa de ligação proteica em 16%, sendo independente da concentração do fármaco.

Para a metabolização de aproximadamente 51% do fármaco, o organismo necessita de 24h. A administração em pacientes com insuficiência renal requer ajuste na dose, visto que há eliminação de 89% da molécula inalterada pela urina. O pico da concentração ocorre ao fim da infusão, com meia-vida de aproximadamente 3 a 4h.

A opção terapêutica em questão não demonstrou inferioridade em comparação com a vancomicina e ceftazidima. Os efeitos adversos encontrados na utilização do ceftobripole não foram considerados graves, correpondendo a cefaleia, náuseas, vômitos e diarreia, sendo que o uso deste antimicrobiano ainda não é liberado em muitos países. O Canadá é um representante dos países onde o fármaco é usado clinicamente desde 2008 para o tratamento de infecções graves de pele e tecidos. Na Europa, apenas em 2013 foi liberado o uso de ceftobiprole para tratamento de pneumonias adquiridas em ambiente hospitalar.

Além de infecções causadas por MRSA, essa cefalosporina de 5ª geração é eficaz no tratamento de infecções causadas por bactérias gram-negativas e outras bactérias gram-positivas multirresistentes. Apesar da vancomicina ainda ser considerada o “padrão ouro” para a terapia parenteral para o tratamento de infecções graves por MRSA, as cefalosporinas de 5ª geração constituem opção terapêutica viável, devido aos resultados satisfatórios revelados em diferentes estudos frente ao tratamento de infecções.

Por mais que resistências de MRSA quanto às novas cefalosporinas não tenham sido detectadas, a constante fiscalização deve ser levada em consideração. Cabe a cada hospital determinar e adaptar na sua prática clínica o uso das novas opções de tratamento de infecções causadas por MRSA. Para isso, equipes que trabalham no combate a IRAS (infecções relacionadas à assistência à saúde) devem ser criadas e mantidas em constante atualização.

Fonte: unisc.br


10 dicas para proteção contra infecções hospitalares


1- Pergunte ao médico o nome do seu problema e como você pode ajudar na prevenção das infecções.

2- Se estiver usando cateter ou dreno, pergunte quando será retirado. Quanto antes, menor a chance de infecção.

3- Ao se preparar para uma cirurgia, pergunte ao profissional se há alguma medida específica que você pode tomar para prevenir infecções.

4- Na dúvida, pergunte como se soletra o nome do antibiótico prescrito na receita. Não deixe isso para o profissional da farmácia e tenha certeza sobre o nome, dosagem e frequência do que você deve tomar.

5- Cobre do serviço de saúde a disponibilização de álcool gel para a higiene das mãos próximo ao quarto ou aos leitos.

6- Lave as mãos antes e depois de visitar o paciente.

7- Febre, vermelhidão e pus no local onde foi feita uma cirurgia não é bom sinal. Avise o médico ou volte ao serviço de saúde, se você já teve alta.

8- Tosse, gripe, conjuntivite, lesão aberta na pele? Não visite pessoas internadas nessas condições.

9- Não se sente no leito do paciente.

10- Em caso de dúvidas, procure o responsável pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). Se essa Comissão não existir, avise a vigilância sanitária da sua cidade, porque a CCIH é obrigatória para qualquer hospital.

Fonte: ANVISA


Ceftarolina - a quinta geração de cefalosporinas (pt.1)


Ceftarolina, o metabólito ativo do pró-fármaco fosamil-ceftarolina, é uma nova cefalosporina de quinta geração. Assim como outros beta-lactâmicos, tem sua atividade nas proteínas de ligação à penicilina inibindo a síntese da parede celular. Trata-se de uma cefalosporina usada principalmente para tratamento hospitalar de indivíduos adultos com infecções bacterianas graves, como infecções complicadas da pele e tecidos moles, além de pneumonia adquirida na comunidade.

A ceftarolina, em sua farmacologia, apresenta uma vida média de 3h e a excreção é renal. Tem apresentado raros efeitos adversos (náuseas e diarreia) e é administrada por via endovenosa. Este novo fármaco foi aprovado no início de 2014 no Brasil, com aprovações anteriores nos EUA e Europa em 2010 e 2012, respectivamente.

É caracterizada pela excelente atividade contra bactérias gram-positivas, mas principalmente por se diferenciar dos demais beta-lactâmicos ao apresentar atividade contra MRSA. Com algumas modificações estruturais da molécula de beta-lactâmicos, a ceftarolina apresenta aumento da afinidade pela PBP2, sendo possível a ligação com essas moléculas. Assim, é possível a atividade antimicrobiana por ligação do beta-lactâmico com a transpeptidase alterada, o que normalmente determinaria resistência bacteriana a esta classe de antimicrobianos.

Em alguns estudos, a ceftarolina demonstrou sinergismo com vancomicina e daptomicina, com novos dados sugerindo que a ceftarolina pode ser mais ativa contra S. aureus não suscetível a daptomicina e S. aureus com resistência intermediária à vancomicina. Outra vantagem do uso da ceftarolina é que, além de apresentar atividade contra isolados de MRSA, ela ainda pode diminuir a atração entre células de biofilme a materiais protéticos devido à alteração na carga da membrana celular.

Fonte: unisc.br




Cefalosporinas de primeira geração - indicações clínicas


As cefalosporinas de primeira geração (cefalexina, cefadroxila, cefalotina, cefazolina) são apropriadas no tratamento de infecções causadas por S. aureus sensíveis à oxacilina e Streptococcus. Mais comumente empregadas em infecções de pele, partes moles e faringite estreptocócica.

Também é indicada no tratamento de infecções do trato urinário não complicadas, principalmente durante a gravidez. Pela sua baixa toxicidade, espectro de ação, baixo custo e meia vida prolongada, a cefazolina é o antimicrobiano recomendado na profilaxia de várias cirurgias.

Contra-indicações

Seu uso não é adequado em infecções causadas por Haemophilus influenzae ou Moraxella catarrhalis (sinusite, otite média e algumas infecções do trato respiratório baixo). Como não atravessam a barreira hematoencefálica, não devem ser utilizadas em infecções do sistema nervoso central. A atividade contra bacilos gram-negativos é limitada.

Fonte: ANVISA



Ciprofloxacino x Prednisona


Ciprofloxacino é um agente antimicrobiano quinolônico que possui ação bactericida por meio da inibição das topoisomerases II (DNA-girase) e IV.

Prednisona é um corticosteroide utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora.

INTERAÇÃO: O uso de quinolonas, como é o caso do ciprofloxacino, pode elevar o risco de tendinite e ruptura de tendão associado aos corticosteroides. Nas advertências quanto ao uso do antimicrobiano encontra-se a informação de que este deve ser suspenso ao primeiro sinal de tendinite, assim como devem-se evitar exercícios físicos.

Conforme descrito em bula, a probabilidade de reações adversas relacionadas ao sistema músculo-esquelético é maior nos pacientes idosos com prescrição de quinolona e que foram submetidos anteriormente à terapia corticosteroide sistêmica.




Alimentos e Absorção de Anti-histamínicos


A maioria dos anti-H1 apresenta boa absorção quando administrados via oral, como é demonstrado pelo fato de que a maioria alcança níveis plasmáticos efetivos dentro de três horas após a administração. A boa lipossolubilidade dessas moléculas permite que cruzem facilmente as membranas celulares, o que facilita sua biodisponibilidade.

Em alguns casos, a administração desses fármacos concomitantemente à ingestão de alguns alimentos pode alterar suas concentrações plasmáticas. Isso é explicado pela presença dos mecanismos de transporte ativo das membranas celulares – sendo que os mais bem conhecidos são a glicoproteína P (gP) e os polipeptídeos transportadores de ânions orgânicos (OATP). Essas glicoproteínas e polipeptídeos se encontram na membrana celular e atuam como sistemas de transporte ativo para outras moléculas, pelas quais mostram afinidade.

Em alguns casos, esses sistemas atuam como elementos importantes na absorção de alguns fármacos ou no seu clearance, enquanto em outras circunstâncias eles promovem detoxificação tecidual, na dependência de esses sistemas de transporte se localizarem nas membranas celulares do epitélio intestinal, sistema nervoso central ou rins.

Alguns anti-histamínicos se comportam como substratos desses sistemas de transporte, tomando como exemplo a fexofenadina. Já outros fármacos, tais como a desloratadina, não têm a sua absorção intestinal influenciada pelos sistemas de transporte. Para alguns anti-histamínicos, tais como a fexofenadina, variações na biodisponibilidade têm sido documentadas quando são ingeridos junto com alguns alimentos que servem como substrato da glicoproteína P, que é o caso do suco de laranja.

Fonte: scielo.br




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