Dipirona: por que é comercializada no Brasil e proibida em diversos países?


A dipirona foi usada por muitos anos, mas abandonada em vários países pelo risco potencial de causar agranulocitose irreversível. A agranulocitose é uma reação adversa imprevisível e potencialmente fatal. Ela não é dependente da dose, portanto, acredita-se que seja determinada por mecanismos de hipersensibilidade.

O termo é frequentemente utilizado para indicar uma neutropenia grave (redução de células de defesa no sangue – os neutrófilos), sendo este um fator predisponente para infecções. Ela pode ocorrer tanto após o uso do medicamento em curto prazo ou intermitente, quanto após a administração prolongada. Os sinais e sintomas dessa reação adversa incluem lesões inflamatórias na mucosa (ex. orofaríngea, anorretal, genital), inflamação na garganta, febre e calafrios.


A dipirona está disponível em alguns países da Europa, como a Alemanha, desde que estudos epidemiológicos sugeriram que os riscos de seus efeitos adversos eram similares ao do paracetamol e menores que do ácido acetilsalicílico. Em outros países, tais como os do Reino Unido, ela nunca foi licenciada. Ela ainda é largamente utilizada em muitas partes do mundo, incluindo o Extremo Oriente, África e América Latina.





Na Suécia, todos os produtos contendo dipirona foram retirados do mercado em 1974, devido a uma incidência estimada de agranulocitose de 1 em 3.000 pacientes. Em 1995, ela foi reintroduzida com base em uma baixa incidência encontrada em estudo, porém foi novamente suspensa em 1999, devido a outros dados apresentados.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária realizou, em julho de 2001, um “Painel Internacional de Avaliação da Segurança da Dipirona” com objetivo de promover amplo esclarecimento sobre seus riscos. Nesse painel formou-se um consenso de que a eficácia da dipirona como analgésico e antitérmico é inquestionável, que os riscos atribuídos à sua utilização eram baixos, e que os dados científicos disponíveis apontando a ocorrência desses riscos não eram suficientes para indicar alteração de sua situação regulatória.


Com os dados apresentados os participantes concluíram que os riscos da dipirona eram similares, ou menores, aos de outros analgésicos-antitérmicos disponíveis no mercado. Contudo, cabe ressaltar que, embora tenham valor científico, os consensos ou opiniões de especialistas oferecem uma evidência de menor qualidade para a tomada de decisão em saúde quando comparados a outros tipos de estudos, como ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. Por esta razão seus resultados devem ser avaliados com cautela.

Fonte: cemedmg




Um comentário:

  1. Tem que se ter um pouco de cuidado com o uso do termo antitérmico, pois algumas pessoas podem levar em conta que o fármaco irá alterar a temperatura normal do corpo, sendo assim, ideal é mais indicado o uso do termo antipirético. Adoro suas postagens (y).

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