Efeito da acetilcisteína em pacientes infectados por HIV


Na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV-1), verifica-se desequilíbrio entre pró-oxidantes e antioxidantes, bem como alterações nos níveis séricos de diferentes citocinas. Estas alterações têm como resultado o estresse oxidativo crônico e a ativação imunológica.

Presume-se que a ativação do fator de transcrição nuclear kappa B (NF-kB) e o conseqüente aumento progressivo da replicação do HIV são decorrentes dos distúrbios pró-inflamatórios e pró-oxidantes, os quais são, em parte, atribuídos aos elevados níveis séricos do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). O estado crônico e progressivo de ativação imunocelular, que caracteriza a infecção pelo HIV, parece ser o principal mecanismo responsável pela morte prematura de linfócitos em conseqüência da diminuição da expressão da proteína Bcl-2 e alterações nos níveis de citocinas como o TNF-α, além de ser fundamental para que as células linfoides possam se tornar eficientemente infectadas pelo HIV.





A deficiência de glutationa, um tripeptídeo intracelular, encontrado em concentrações milimolares em todas as células, constituindo-se na principal defesa intracelular contra o estresse oxidativo, está relacionada a processos moleculares que têm como conseqüência a ativação do NF-kB, o aumento da replicação do HIV, alterações funcionais de células T e a depressão do sistema imunológico em conseqüência da morte celular induzida pelo TNF-α. As concentrações séricas de cisteína e de glutationa estão significativamente reduzidas em pacientes infectados pelo HIV-1.

A diminuição destes tiois (compostos organossulfurados) têm sido associada à diminuição da sobrevida dos pacientes infectados pelo HIV. Estudos in vitro demonstraram que a adição de N-acetilcisteína (NAC) à cultura de células resulta na redução da replicação do HIV e na proliferação de células T. Em pacientes infectados pelo HIV, a NAC também promoveu a diminuição nos níveis de TNF-α.

Apesar disso, não se verificou diferença em decorrência da suplementação de 600mg/dia de acetilcisteína quando os resultados dos parâmetros analisados foram comparados com aqueles do grupo que recebeu placebo. A conclusão foi a de que a suplementação oral com 600 mg/dia de NAC foi insuficiente para acrescentar benefícios em relação à ativação celular e à resposta inflamatória além daqueles decorrentes do tratamento antirretroviral, devido ao acréscimo de efeitos colaterais acarretados.

Fonte: scielo.br


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