Ionização dos fármacos e a prática clínica


A ionização de fármacos explica vários fatos clínicos como, por exemplo, o motivo pelo qual existe diminuição de efeitos sedativos dos antagonistas histamínicos (H1) de segunda geração. Os fármacos pertencentes a essa classe se encontram ionizados no plasma sanguíneo fisiológico, ocasionando diminuição da difusão através da barreira hematoencefálica, diminuindo assim a interação com o sistema nervoso central. Já os de primeira geração encontram-se não ionizados no plasma, logo são mais apolares e possuem nível de difusão membranar elevado, podendo alcançar o sistema nervoso central com mais facilidade.


Um fenômeno observado quando ocorre o acúmulo de fármaco em um meio específico é o chamado aprisionamento iônico. Este aprisionamento ocorre quando um fármaco passa de um meio para outro (meio extra para o meio intracelular, por exemplo) e é ionizado, formando um acúmulo desse fármaco em um dos meios. Já que ele se encontra ionizado, a volta para manter o equilíbrio da concentração é dificultada, ocasionando a situação de aprisionamento. De modo geral, fármacos ácidos tendem a permanecer no meio extracelular e básicos no meio intracelular, tendo em vista que o pH do meio intracelular é em torno de 7,0 e do meio extra em torno de 7,35.





Existem grupos de fármacos que se utilizam deste mecanismo para produzir o efeito terapêutico. É o exemplo de alguns fármacos antimaláricos, como a cloroquina. No ambiente ácido do vacúolo alimentar do parasita a base livre fica aprisionada, o que contribui para a interrupção da via de digestão da hemoglobina. Este mecanismo de digestão é o foco do efeito tóxico do parasita.

Segundo Goodman, nos túbulos renais, onde um fármaco lipossolúvel pode ser reabsorvido por difusão passiva, a excreção deste mesmo fármaco pode ser facilitada alterando-se o pH da urina. Quanto mais alcalina for a urina mais ela irá favorecer a excreção de fármacos ácidos, pois a ionização do mesmo irá diminuir o seu coeficiente de partição. O mesmo ocorre com fármacos básicos em meios ácidos.

Fonte: farmacologiaclinica.com.br


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