Paracetamol e Asma


A possibilidade de o paracetamol contribuir para o desenvolvimento da asma ganha importante impacto quando se analisa a tendência paralela dos acontecimentos, quais sejam o aumento significativo no uso da medicação no início dos anos 80, em substituição ao uso da aspirina associada com a síndrome de Reye, e o aumento da prevalência do distúrbio respiratório desde então.

Desde os primeiros relatos dos efeitos adversos na função pulmonar do uso do ácido acetilsalicílico (aspirina) em crianças asmáticas, o paracetamol se tornou a opção terapêutica mais indicada como antipirético e analgésico. Um dos primeiros estudos publicados sobre o tema mostrava que o uso do paracetamol, apesar da indicação como substituto da aspirina, não era totalmente inócuo, sendo verificada a diminuição da função pulmonar nos pacientes avaliados.

Papel da Glutationa (GSH)

A L-gama-glutamil-L-cisteinil glicina (glutationa - GSH) é um tripeptídeo de baixo peso molecular formado pelo ácido glutâmico, glicina e cisteína, presente em especial nos hepatócitos. Está diretamente implicada em manter adequado o potencial celular de oxirredução de peróxidos e de radicais livres. É co-fator de diversas enzimas, auxiliando na síntese de proteínas e ácidos nucleicos., além de representar importante antioxidante pulmonar, encontrado em altas concentrações nos fluidos de revestimento do epitélio das vias aéreas com papel exercido na limitação do processo inflamatório brônquico na asma.

O paracetamol diminui os níveis de glutationa, principalmente no fígado e rins, mas também nos pulmões. Esta diminuição é dose-dependente: níveis altos e contínuos do paracetamol são citotóxicos e causam injúria aguda pulmonar, embora doses terapêuticas também possam produzir significante redução dos níveis de glutationa nos pneumócitos tipo II e macrófagos alveolares.

Fonte: Brazilian Journal of Allergy and Imunnology




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