Relação entre refluxo e asma - estudo com pantoprazol


A prevalência de doenças acometendo o sistema respiratório e digestivo, em forma conjunta, é elevada. Estima-se que a asma acometa 10% da população adulta. Por outro lado, em estudos epidemiológicos, o relato de pirose ocasional chega a 58% e o de pirose diária em até 7% dos adultos.

Nas últimas décadas, avolumaram-se os estudos associando a doença do refluxo gastresofágico (DRGE) a manifestações respiratórias e otorrinolaringológicas. Foram descritos mecanismos fisiopatológicos bem documentados que ajudaram a explicar como estas doenças interagiam. Estudos em animais e em humanos demonstraram que a DRGE poderia agravar a asma por microaspiração, reflexo vagal e aumento da responsividade das vias aéreas. Assim sendo, a terapia anti-refluxo, tanto medicamentosa quanto cirúrgica, deveria melhorar ou, eventualmente, resolver os sintomas respiratórios em alguns pacientes.





Entretanto, metanálises reunindo estudos sobre a terapia antirefluxo em pacientes asmáticos demonstraram que a melhora objetiva dos sintomas respiratórios dos pacientes era acompanhada de melhora apenas discreta ou de nenhuma melhora mensurável na função pulmonar. Em uma outra revisão sistemática concluiu-se que o tratamento da DRGE não resultou em qualquer benefício consistente para pacientes asmáticos. O papel da DRGE como agravante de asma permanece controverso, apesar da reconhecida associação entre estas duas doenças.

Um estudo procurou avaliar o efeito do tratamento com pantoprazol 40mg/dia para a DRGE na melhoria dos sintomas da asma e o que se obteve foi o seguinte: no que tange à presença de sintomas respiratórios associados a sintomas de refluxo (SRAR), os 44 pacientes avaliados foram divididos em 2 grupos denominados ‘SRAR-positivo’ e ‘SRAR-negativo’.

Posteriormente, com o intuito de se verificar se a característica SRAR seria um fator preditor de melhora dos parâmetros respiratórios, foi avaliado somente o grupo positivo para esta característica, estudando comparativamente antes e após a intervenção terapêutica com pantoprazol 40mg/dia e também a comparação entre os dois grupos. Não houve melhora nos valores funcionais respiratórios em ambos os grupos estudados, tanto na análise de cada grupo como quando se comparou os resultados ao final do estudo.

Fonte: scielo.br




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