Biodisponibilidade


Cada medicamento possui uma velocidade de absorção própria, de tal forma que o seu princípio ativo esteja à disposição no seu local de atuação (sítio de atuação). A isso chamamos de BIODISPONIBILIDADE. Dependendo da forma farmacêutica empregada e do grau de pureza da substância, estará ela biodisponível em um maior ou menor intervalo de tempo.

BIODISPONIBILIDADE, segundo (LIEBERMAN e col., 1990), é definida como a quantidade e velocidade na qual o princípio ativo é absorvido, tornando-se disponível para a sua atuação no sítio de ação alvo. A biodisponibilidade e conseqüentemente o grau de absorção de uma substância, está intimamente relacionada com algumas variáveis, tais como:

- Grau de pureza da droga utilizada.
- Tipo de sal empregado.
- PH ideal para a absorção.
- Veículo empregado para administração.
- Presença de outras substâncias no tubo gastro intestinal.

A princípio, quanto mais rápido se dá a absorção de uma substância e quanto mais rápida estiver ela biodisponível, mais rápida será a sua ação terapêutica, desde que a dose absorvida seja suficiente para a obtenção do efeito desejado.





Partindo dessa premissa, substâncias em solução, de uso sub-lingual, intra musculares e endovenosas são mais rapidamente absorvidas que cápsulas e comprimidos, que necessitam de um processo preliminar de digestão. A indústria farmacêutica, através dos tempos desenvolveu diversas formas galênicas com intuito de abreviar, facilitar e ou melhorar o grau de absorção de uma substância.

O ideal na administração de um medicamento é que possa ele ser absorvido em maior quantidade, em menor tempo possível e utilizado pelo organismo de forma a obter-se o efeito terapêutico desejado. Por vezes, o fracionamento de doses ou a associação de substâncias interferem na absorção, fazendo com que o pico da medicação não seja atingido diminuindo, com isso, a sua efetividade.

Para algumas substâncias, a sua ingestão em dose única possui confirmação científica da sua maior efetividade, pois um pico máximo de absorção é atingido, o mesmo não acontecendo com doses fracionadas. A noção de disponibilidade de uma substância ativa nasceu da observação da não equivalência terapêutica entre espécies farmacêuticas idênticas.

Fonte: osteoartrose.com.br




Omeprazol: Consequências da terapia prolongada


Há aumento na concentração plasmática do fármaco. O perfil de absorção parece ser dose dependente. A partir de doses superiores a 40mg tem sido relatado aumento da concentração plasmática do fármaco de forma não linear devido ao metabolismo hepático de primeira passagem saturável.

A absorção é maior com o uso prolongado. A biodisponibillidade do fármaco pode estar aumentada em pacientes de alguns grupos étnicos (ex: chineses) e em pacientes com deficiência hepática, mas não é marcadamente afetada naqueles com insuficiência renal.





Outras reações adversas ao uso prolongado de omeprazol, baseadas em relatos de caso e estudos observacionais, são:

- hipomagnesemia;
- hipomagnesemia grave com hipoparatiroidismo secundário em pacientes que usavam por vários anos;
- diminuição de cianocobalamina sérica (vitamina B12) em pacientes com síndrome de Zollinger Ellisson3;
- aumento de peso;
- pólipos em glândulas gástricas;
- anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 (tratamento de 3 anos, 40-60 mg/dia, para refluxo gastroesofágico);
- aumento do risco de osteoporose (exposição de 1 ano ou mais) e fraturas ósseas (exposição de 1 a 12 anos);
- aumento do risco de pneumonia comunitária adquirida;
- aumento do risco de infecção por Clostridium difficile.

Fonte: ufrgs.br




Atuação dos ARAs


Os ARA II interferem no sistema fisiológico renina-angiotensina-aldosterona. Agem por antagonismo total, competitivo e específico nos receptores AT1 da angiotensina II, sem atuação no subtipo AT2. O bloqueio dos receptores AT1 por antagonismo inibe a contração da musculatura lisa vascular causada pela angiotensina II, assim como previne e reverte todos os seus demais efeitos conhecidos.

Como consequência, ocorre vasodilatação, excreção de sódio e diminuição da atividade noradrenérgica. O antagonismo do receptor AT1 reduz os efeitos de ativação desse receptor como, por exemplo, proliferação celular, crescimento tecidual e aumento da secreção de aldosterona. Uma vez que estes antagonistas somente bloqueiam os receptores AT1, não interferem com as respostas fisiológicas resultantes da estimulação crônica dos receptores tipo II (e outros) que poderiam resultar em aumento de renina ou liberação de angiotensina.




A estimulação promovida pela telmisartana é a mais potente, seguida pela irbesartana e os metabólitos da losartana. Estudo de Cioni e colaboradores (2010) verificou também aumento da sensibilidade à insulina em pacientes em diálise peritonial que usaram telmisartana. A telmisartana tem sido também associada a efeito protetor no desenvolvimento de aterosclerose.

Leia também: Losartana x Fluconazol

Estudo de Laudanno e Cesolari demonstraram efeito citoprotetor gástrico e anti-inflamatório de três ARA II (candesartana, losartana e valsartana) em ratos. Os medicamentos impediram a formação de úlceras no antro gástrico diante da administração de indometacina subcutânea.

Vários estudos demonstraram que certos ARA’s (losartana, valsartana e irbesartana) conseguem inibir a agregação plaquetária e antagonizar a vasoconstrição induzida pelo tromboxano A2 de forma independe do receptor AT1.

Leia também: Pró-fármacos

Fonte: uninter.com




Antimicrobianos e Infecção Urinária


A escolha do antibiótico deve levar em consideração o espectro de ação contra os prováveis agentes, as contraindicações específicas, os efeitos colaterais e o custo do tratamento. A eficácia da terapia antimicrobiana depende da concentração urinária do fármaco. São algumas opções:

Sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP): é uma boa opção para tratamento empírico de infecções urinárias, desde que não haja evidências de resistência bacteriana. Em áreas com alta incidência de resistência bacteriana e em situações que predizem essa possibilidade, como uso prévio ou frequente de antimicrobianos, a SMX-TMP deixa de ser boa opção ou, pelo menos, deve ser usada com cautela





Quinolonas: possuem excelente atividade e tolerância. As quinolonas de terceira geração (levofloxacino e gatifloxacino) permitem o tratamento seguro de infecções com doses únicas diárias, o que aumenta a adesão e a tolerabilidade. Porém, o uso irrestrito dessa classe de medicamentos em ambiente hospitalar tem ocasionado um aumento importante na incidência de resistência bacteriana às fluoroquinolonas. Atualmente, os dois principais fatores associados às infecções urinárias resistentes são a instrumentação do trato urinário e o uso recente de antibióticos quinolônicos.

Nitrofurantoína: é um fármaco com boa atividade que possui pouca resistência bacteriana, tornando-se ótima opção em pacientes que fizeram uso recente de outro antibiótico. Seu maior problema é o uso necessariamente prolongado e a consequente repercussão gastrointestinal.

Fonte: moreirajr


Sinvastatina protege cérebro durante sepse


Medicamento da classe das estatinas, a sinvastatina é mundialmente utilizada para controle do “colesterol ruim”, o LDL. Mas, além de baixar os níveis de lipídeos no sangue e prevenir doenças cardiovasculares, o fármaco também pode proteger o cérebro exposto à resposta inflamatória generalizada à infecção, ou seja, sepse. Esse foi um dos principais achados de estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, liderado pela professora Maria José Alves da Rocha.

Na sepse, manifestações graves podem atingir todo o organismo e levar o paciente à morte. Muitos têm sido os esforços na busca por novas estratégias de tratamento, mas a mortalidade em unidades de tratamento intensivo continua alta; no Brasil, alcança os 70%.

Essa resposta inflamatória pode atingir diferentes tecidos e órgãos. Dependendo da gravidade, compromete também estruturas cerebrais, com danos em áreas responsáveis por importantes funções orgânicas. Os alvos dos estudos da equipe da USP em Ribeirão Preto foram o córtex pré-frontal e o hipocampo, responsáveis pela cognição – controle da atenção, memória, linguagem, raciocínio e compreensão.





Já a sinvastatina, que possui também propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, tem sido testada não apenas em doenças que afetam o sistema cardiovascular mas, também, o sistema nervoso central, como os acidentes vasculares encefálicos. Por isso, os pesquisadores decidiram verificar se os pacientes que usam sinvastatina estariam de alguma forma protegidos dos danos neuronais que podem acontecer durante a sepse.

Em estudo anterior, a equipe observou que a sinvastatina diminuiu a produção de óxido nítrico (substância liberada pelas células periféricas em condições como a sepse e que pode causar morte de neurônios e comprometer funções do organismo).

Como não se conhece a ação antioxidante da sinvastatina na sepse, pois pacientes que fazem uso crônico do fármaco interrompem a medicação para tratar a doença inflamatória, os pesquisadores, utilizando modelo animal, simularam uma situação clínica na qual o paciente tratado da sepse continua usando a sinvastatina.





As análises de amostras de sangue, tecido cerebral e imagens das regiões do córtex pré-frontal e do hipocampo (áreas dos cérebros dos animais) não só confirmaram os efeitos antioxidante e anti-inflamatório nas células, mas mostraram que a sinvastatina reduz alterações observadas nessas áreas do cérebro após a sepse.

Fonte: jornal.usp.br




Canabinoides associados à quimioterapia contra câncer


Um novo estudo descobriu que a combinação de tratamentos de quimioterapia existentes com canabinoides – os produtos químicos ativos na cannabis – teve melhores resultados do que a quimioterapia isoladamente.  

Os resultados sugerem que uma menor dose de quimioterapia pode ser usada em pacientes, minimizando os efeitos colaterais do tratamento, dizem pesquisadores. Além disso, os cientistas descobriram que a ordem em que o tratamento foi administrado era crucial – o uso de canabinoides após a quimioterapia resultou em maior morte das células cancerígenas.

“Mostramos pela primeira vez que a ordem em que os canabinoides e a quimioterapia são utilizados é crucial para determinar a eficácia geral desse tratamento”, disse o autor principal do estudo, Dr. Wai Liu, da St George’s, da Universidade de Londres.





O valor médico da cannabis tem sido muito discutido durante anos e há muitos casos anedóticos relatados de pessoas que afirmam que seu câncer foi curado com os derivados da erva. Uma série de pequenos estudos descobriu que cannabis ou derivados de cannabis podem ser úteis no tratamento de náuseas e vômitos de quimioterapia contra o câncer, mas a pesquisa sobre possíveis efeitos curativos sobre a doença está incipiente.

Principais conclusões

Dr. Wai Liu e seus colegas se propuseram a examinar os efeitos de diferentes combinações de canabinoides, mais conhecidos como fitocanabinoides, contra a leucemia no laboratório.  Eles queriam testar se os tratamentos de quimioterapia existentes funcionavam efetivamente ao lado dos canabinoides e se o uso de drogas em uma ordem diferente teria efeito.

Em seu relatório, publicado no International Journal of Oncology, a equipe observa que os fitocanabinoides possuem “atividade anticancerígena” quando usados ​​sozinhos no tratamento.  Os pesquisadores compararam diferentes tipos de canabinoides e os usaram em combinação com drogas comuns de quimioterapia com leucemia, citarabina e vincristina.

Eles descobriram que o uso de canabinoides após a quimioterapia resultava em maior indução da apoptose – ou morte das células cancerosas. O contrário era verdadeiro quando invertido, e os canabinoides foram administrados antes da quimioterapia. “Estudos como os nossos servem para estabelecer as melhores maneiras de eles serem usados ​​para maximizar um efeito terapêutico”, disse Dr. Wai Liu.

Fonte: jornalciencia




Síndrome Serotoninérgica


Em geral, a síndrome serotoninérgica, ou síndrome da serotonina, acontece em pessoas que tem algum problema relacionado à baixa produção de serotonina, como depressão, transtornos de ansiedade ou transtornos alimentares. Essas pessoas estão com algum tipo de transtorno em função de baixos níveis do neurotransmissor, de modo a necessitarem de tratamento.

Várias substâncias podem aumentar a serotonina (como o aminoácido triptofano), aumentar a liberação da serotonina (drogas como anfetaminas ou a cocaína), estimular diretamente esse receptor (drogas como o LSD), aumentar a sensibilidade desses receptores (medicamentos como o lítio), inibir a destruição da serotonina dentro da célula (alguns antidepressivos) ou inibir o reaproveitamento, a recaptação da serotonina.





Os antidepressivos são conhecidos exatamente pela inibição da recaptação de serotonina, dentre os quais, por exemplo, citamos os inibidores seletivos (ISRS), como a fluoxetina, sertralina, paroxetina, entre outros. Há ainda tricíclicos como amitriptilina ou nortriptilina e também anorexígenos como a sibutramina, que também atuam inibindo a recaptação da serotonina.

A crise em geral acontece quando mais de uma dessas substâncias é administrada ou ingerida ao mesmo tempo, gerando ocorrência de interação medicamentosa. Há diversos sintomas relacionados, dentre os quais alguns são: confusão, agitação, alterações na pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, febre e alucinações.

Fonte: minhavida.com.br




Sildenafila: Cinco utilidades possivelmente desconhecidas


1- Serve para queimar gordura

Até o momento os testes foram realizados em ratos, com resultados positivos no que pode ser uma contribuição para a perda de peso.

2- Reduz a hipertensão pulmonar

Foi descoberto que pessoas que sofrem com esta doença e estão sob risco de vida tiveram a capacidade aumentada para realização de exercícios físicos após usarem sildenafila.

3- Auxílio no combate ao câncer de próstata

Em combinação com quimioterápicos apropriados, a sildenafila parece contribuir com o tratamento, principalmente no que diz respeito à prevenção de efeitos colaterais cardíacos do quimioterápico utilizado.





4- Melhora de mal-estar na altitude

Auxílio na redução da pressão pulmonar consequente de elevadas altitudes, as quais podem causar sintomas como náuse,a hiperventilação e exaustão. Além disso, a sildenafila também pode aumentar a capacidade para exercícios físicos em condições de baixo oxigênio.

5- Melhora o "jet-lag"

O mal estar é comum após voos longos. O "jet-lag" é uma expressão que compila alguns sintomas decorrentes deste tipo de viagens aéreas, os quais incluem sonolência, cefaleia, tontura e dificuldade de concentração. A melhora destes sintomas pode atingir índices de até 50% com o uso de sinldenafila.

Atenção: não faça uso de medicamentos sem orientação profissional!

Fonte: care2.com




Escopolamina x Hidroclorotiazida


Escopolamina é um fármaco anticolinérgico que exerce atividade espasmolítica sobre a musculatura lisa do trato gastrintestinal, geniturinário e vias biliares.

Hidroclorotiazida é um diurético representante do grupo dos tiazídicos, com atuação no túbulo distal. Reduz a reabsorção ativa de sódio e cloreto, ocasionando também a perda de potássio.

INTERAÇÃO: Agentes anticolinérgicos, como é o caso da escopolamina, podem aumentar a biodisponibilidade de diuréticos atuantes no túbulo distal, a exemplo da hidroclorotiazida ou clortalidona. Os mecanismos relacionados envolvem a diminuição da motilidade gastrointestinal e da taxa de esvaziamento gástrico.




Tramadol e risco de hospitalização por hipoglicemia


O tramadol é um analgésico opioide fraco cuja utilização tem aumentado rapidamente. Ele tem sido associado a efeitos adversos como a hipoglicemia. O objetivo de uma pesquisa, publicada pelo JAMA Internal Medicine, foi avaliar se o uso de tramadol, quando comparado ao uso de codeína, está associado a aumento do risco de hospitalização por hipoglicemia.

Uma análise caso-controle foi realizada com informações do United Kingdom Clinical Practice Research Datalink ligado ao banco de dados do Hospital Episodes Statistics de todos os pacientes recém-tratados com tramadol ou codeína para a dor não oncológica, entre 1998 e 2012. Análises de coorte e de caso-cruzado também foram conduzidas para avaliar a consistência dos resultados.





Os casos de hospitalização por hipoglicemia foram pareados com até dez controles para idade, sexo e tempo de seguimento. O odds ratio (OR) e os intervalos de confiança de 95% (IC) foram estimados comparando o uso de tramadol ao uso de codeína. A análise de coorte, com índices de propensão de alta dimensão ajustada de escore de risco (HR) e IC 95%, foi realizada comparando tramadol com codeína nos primeiros trinta dias após o início do tratamento.

Finalmente, uma análise de caso cruzado também foi realizada, no qual a exposição ao tramadol em um período de risco de trinta dias imediatamente antes da internação para a hipoglicemia foi comparado a onze períodos consecutivos de controle de trinta dias. Os ORs e os ICs de 95% foram estimados usando análise de regressão logística condicional.





O estudo incluiu 334.034 pacientes, dos quais 1.105 foram hospitalizados por hipoglicemia durante o seguimento, combinados a 11.019 controles. Comparado à codeína, o uso de tramadol foi associado a um aumento do risco de hospitalização por hipoglicemia, particularmente elevado nos primeiros trinta dias de uso. Estes trinta dias de aumento do risco foi confirmado na análise de coorte e na análise de caso-cruzado.

Concluiu-se que o início da terapia com o tramadol está associado a um risco aumentado de hipoglicemia requerendo hospitalização. Estudos adicionais são necessários para confirmar esse evento adverso raro, mas potencialmente fatal.

Fonte: JAMA Internal Medicine




Histórico da Dipirona


A sua síntese remonta a 1883, quando Perkin pesquisava um termolítico sintético como substituto da quinina, produto extraído da casca de Cinchona, antimalárico peruano. Este produto de eficiência relativa e custo excessivamente alto teria como contraponto a aspirina extraída do salgueiro europeu (Salix alba).

Do lavado hidro-alcoólico do piche, Perkin isolou o 1º corante sintético – anilina – que serviu para extração do derivado pirazolônico - a antipirina (fenozona). O metamizol é pois um derivado pirazolônico (antipirina) sintetizado na Alemanha pela Hoechst AG em 1920. No ano seguinte, foi comercializada a primeira pirazolona de uso clínico (dipirona), composta por 50% melubrina e 50% aminopirina.





Desde 1922, quando foi introduzido no Brasil sob o nome de Novalgina, sua comercialização tornou-se mundialmente crescente até a década de 70, quando foram relatados graves casos de agranulocitose, uma condição clínica de déficit imunológico potencialmente fatal (7 a 25%), exigindo suspensão do tratamento e atendimento médico de urgência com potentes antibióticos. A maioria dos países do Hemisfério Norte proscreveram a dipirona do receituário a não ser no mercado veterinário, pois há disponibilidade no receituário médico de AINEs substitutos e menos tóxicos para tratamento da dor.

No entanto, a atual incidência estimada da agranulocitose é aceitável, pois oscila entre 0,2 a 2 casos por milhão de pessoas/dia de uso. Além disso, há fármacos com maior risco de provocar agranulocitose, como o antipsicótico clozapina com incidência de 8:1000/paciente após 6 meses de tratamento.

A dipirona continua sendo medicada na Rússia, Brasil, Índia e em muitos outros países sul-americanos, caribenhos, africanos e asiáticos. Dipirona é o principal analgésico da terapêutica brasileira, ocupando 31,8% do mercado; o paracetamol- 29,7%; AAS em terceiro lugar, com 27,1%. A maior parte das vendas (em torno de 80%) ocorre sem prescrição médica, representando papel importante na condenável automedicação.

Fonte: associacaoamigosdagrandeidade.com




Antimicrobiano + Vitamina C: resultados positivos contra câncer


Um grupo de pesquisadores da Universidade de Salford (Inglaterra) descobriu que a mistura de vitamina C (ácido ascórbico) com doxiciclina tem boa eficácia no combate a tumores. Além de matar as células cancerígenas, o composto também pode impedir que elas reapareçam.

Durante três meses os cientistas testaram a mistura em culturas de células-tronco cancerígenas. A técnica se mostrou 100 vezes mais eficiente do que outra substância testada no tratamento de câncer, a 2-Desoxi-D-Glicose (2-DG).





O coquetel cítrico ataca as fontes de energia das células com câncer. Uma vez que os tumores podem alternar entre diferentes formas de buscar energia, o objetivo da medicação é matar essa versatilidade, fazendo com que o câncer só consiga utilizar glicose.

A mistura, por si só, já causa a morte de um bom número das células tumorais. Para acabar com as restantes, os cientistas utilizam a vitamina C isolada posteriormente, buscando paralisar o funcionamento das mitocôndrias das células que permaneceram vivas.

Segundo os pesquisadores, os resultados são promissores para ensaios clínicos visando funcionar como um complemento às terapias mais convencionais para prevenir a recorrência tumoral, assim como a progressão da doença e metástase.

Fonte: infowebbie.com/scienceupdate


Farmacodinâmica do Paracetamol


O paracetamol é um fármaco analgésico e antipirético que apresenta pouca ou nenhuma ação anti-inflamatória. Seu mecanismo de ação não está completamente elucidado, mas parece produzir analgesia por elevação do limiar da dor, sendo capaz de bloquear a ciclo-oxigenase (COX) em locais com baixos teores de peroxidases, como o hipotálamo. Isso possivelmente explica a fraca atividade anti-inflamatória do paracetamol, uma vez que a região da inflamação geralmente contém concentrações elevadas de peróxidos gerados pelos leucócitos.

Estes resultados não excluem o paracetamol como um membro da classe dos AINEs e explicam a sua fraca inibição pela COX, particularmente a ciclo-oxigenase-2 (COX-2), uma isoenzima que produz menor efeito colateral, com percentual de 30% de inibição máxima por AINEs, pois sua atividade inibitória sobre a ciclo-oxigenase pode estar relacionada à sua capacidade de inibir o radical tirosil presente nas prostaglandinas (PGEs).

O paracetamol demonstrou inibir a ação de pirógeno endógeno no centro termorregulador por bloqueio da produção e liberação de prostaglandina no sistema nervoso central. A febre ocorre quando as prostaglandinas se elevam e atuam na área pré-óptica do hipotálamo anterior, resultando em diminuição da perda de calor e aumento do ganho de calor.

Fonte: ufpa.br




Venlafaxina - Características Farmacológicas


A venlafaxina é um potente inibidor da recaptação da serotonina e plena potência noradrenérgica em dose igual ou superior a 150 mg/dia. Possui mecanismo de ação semelhante ao dos antidepressivos tricíclicos, porém com perfil de tolerabilidade superior e sem os problemas de segurança dessas medicações.

A venlafaxina tem pouca afinidade pelos receptores muscarínicos ou histamínicos. Sua metabolização é hepática e, pelo fato de exercer fraca inibição da enzima 2D6, tem perfil favorável em termos de associação com outras medicações, apresentando potencial mínimo de interações farmacológicas. Sua excreção é predominantemente urinária (87%), a meia-vida é de 5 horas e seu principal metabólito ativo, a o-desmetilvenlafaxina, tem meia-vida de 11 horas. 





A metade da dosagem deve ser utilizada em indivíduos com insuficiência da função hepática e renal. A retirada da venlafaxina deve ser feita de forma gradual, em duas a quatro semanas, para evitar sintomas relativos à descontinuidade.

A venlafaxina de liberação prolongada é aprovada pelo Food and Drugs Administration (FDA) para o tratamento do transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social e transtorno do pânico. Além dessas aprovações, sua eficácia também foi demonstrada no transtorno de estresse pós-traumático e transtorno obsessivo-compulsivo.

Fonte: moreirajr.com.br




Maior risco de diabetes com estatinas em mulheres idosas


A terapia com estatinas aumenta o risco do diabetes em mulheres idosas em 33% e, quanto maior a dose, maior o risco. É o que mostra uma nova análise do estudo observacional longitudinal australiano sobre a saúde da mulher.

Em média, as mulheres tomam estatinas durante 6,5 anos. A nova análise, publicada em Drugs and Aging, incluiu 8.372 mulheres australianas com idade entre 76 e 82 anos na linha de base, as quais foram seguidas por 10 anos.





Estudos anteriores também mostraram associação entre o uso de estatinas e aparecimento do diabetes. O resultado primário da análise foi baseado em uma nova prescrição de insulina, análogos de insulina ou outros agentes hipoglicemiantes. A exposição às estatinas foi determinada com base nas prescrições entre 1º de julho de 2002 e 31 de agosto de 2013.

Descobriu-se que 49% das mulheres em seus quase 80 anos e nos anos logo seguintes tomavam estatinas, sendo que 5% foram diagnosticadas com o diabetes. O risco de diabetes girou em torno de 17% com doses mais baixas e de 51% com doses mais elevadas.

O que mais preocupa é o achado de um "efeito de dose", onde o risco de diabetes aumentou à medida que a dosagem de estatinas aumentou, e ao longo dos 10 anos do estudo, a maioria das mulheres progrediu para doses mais elevadas de estatinas.

Fonte: saudecuriosa


Uso Racional de Omeprazol


A prescrição de omeprazol fora das indicações estabelecidas no Formulário Terapêutico Nacional, que está de acordo com as melhores recomendações em qualquer parte do mundo, constitui erro de prescrição e o uso de omeprazol deve estar limitado às durações de tratamento definidas para determinadas condições clínicas. É claro que a alegação frequente de uso de um IBP, no nosso caso, omeprazol, para a prevenção de gastrite porque o paciente está tomando muitos remédios, não tem fundamento farmacológico.

A expressão “uso contínuo” constante de receitas (muito frequente na prescrição de outros fármacos, e assim o raciocínio seguinte é igualmente válido), é imprecisa e não tem base terapêutica racional, pois não indica a duração do tratamento. Se ele for prolongado, o que pode ocorrer em cada renovação de receita, por exemplo, a cada três ou seis meses, é que seja feita nova prescrição, quando então o paciente deve ser avaliado quanto ao efeito terapêutico e sinais e sintomas de efeitos adversos.





Destacam-se como problemas ocorrências de pneumonia bacteriana relacionada à aspiração durante episódios de refluxo fisiológico, embora ainda não exista associação de causa estabelecida; também existe risco aumentado de infecção por Clostridium difficile (e outras infecções) em quem esteve exposto a IBP antes da infecção; parecem existir problemas na absorção de cálcio insolúvel, pois é necessário um meio ácido; há risco aumentado de fratura de quadril em pacientes que tomam IBP; má absorção de vitamina B, especialmente em pacientes idosos quando existe supressão ácida de longo prazo.

Além de várias complicações, como atrofia gástrica em pacientes infectados por Helicobacter pylori e que fazem tratamento de longo prazo com IBP, crescente aumento de casos de nefrite intersticial aguda, entre outras.

Fonte: prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude




Abstinência de Antidepressivos


Grande número de pessoas faz uso de antidepressivos. Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de fármacos mais empregados no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão, disforias pré-menstruais e outros.

Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina, paroxetina, sertralina e outros. O sucesso destes fármacos na clínica se deve especialmente à tolerabilidade e segurança de uso em comparação com os antidepressivos empregados anteriormente.

Síndrome de abstinência

No entanto, um dos problemas mais frequentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente. Fenômeno semelhante também pode ocorrer com outros antidepressivos não pertencentes a esse grupo.

A síndrome de abstinência pode ser definida como um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão do fármaco e que desaparecem mais tarde.

Sintomas da síndrome





A abstinência à descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação de serotonina surge 24 a 72 horas após a interrupção do tratamento e pode provocar os seguintes sintomas:

1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia, irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor e sonhos vívidos;

2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens, sensação de cabeça vazia, cefaleia, falta de coordenação motora, alterações de sensibilidade da pele e tremores;

3) Gastrointestinais: náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal;

4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores musculares e congestão nasal.




Diabetes Mellitus Gestacional


O tratatamento de diabetes mellitus gestacional (DMG) visa a um bom controle glicêmico. Quando ocorre falha na obtenção do controle glicêmico com dieta, associada ou não a exercícios físicos, está indicada a insulinoterapia. Estima-se que entre 15 e 60% das gestantes com DMG necessitam de tratamento com insulina.

A insulina é uma terapia efetiva para controlar a glicemia materna, porém cara, inconveniente e necessita de habilidade para manuseio. Muitos autores não recomendam o uso das sulfonilureias durante a gestação, devido ao aumento na incidência de anomalias fetais e de hipoglicemia neonatal. Essa recomendação é baseada, principalmente, em estudos realizados com pequenas amostras, feitos antes que fármacos como a glibenclamida estivessem disponíveis.





Em um ensaio clínico randomizado com mais de 400 gestantes, foi demonstrado que a glibenclamida não cruza a barreira placentária, não altera os níveis de insulina fetal, não está associada a aumento da mortalidade perinatal e tem os resultados perinatais iguais às pacientes tratadas com insulina. Vários autores encontraram bons resultados com a utilização da glibenclamida no tratamento do DMG. A incidência de DMG em mulheres com mais de 20 anos, atendidas no Sistema Único de Saúde, é de 7,6%.

Devido ao grande número de usuárias de insulina entre estas gestantes, uma opção mais barata, simples e de fácil aceitação, como o uso de terapêutica oral, torna-se um grande atrativo não só para a saúde pública, como para toda a comunidade médica.

Fonte: scielo




Problemas com o uso de benzodiazepínicos


1. Efeitos colaterais

Como qualquer medicamento, podemos encontrar efeitos adversos, como fraqueza, náuseas e vômitos, dores abdominais, diarréia, dores articulares, dores torácicas, além de incontinência urinária. Reações que devem ser bem conhecidas pelo médico para orientação e esclarecimento do paciente.

2. Efeitos paradoxais

Efeitos contrários aos desejados podem ocorrer em alguns pacientes, como ansiedade, pesadelos, taquicardia, alucinações, hostilidade e alteração do comportamento. Quando presentes tais efeitos, o medicamento deve ser suspenso.

3. Tolerância

Tolerância é a diminuição do efeito inicial atingido por um medicamento após algum tempo de uso na mesma dose. É comum dentre os ansiolíticos benzodiazepínicos com necessidade de escalonamento da dose para manutenção do efeito desejado.

4. Dependência

Dependência se caracteriza por uma série de sintomas e sinais desagradáveis após a suspensão abrupta do uso de qualquer substância. É comum em pacientes em uso de benzodiazepínicos, mesmo em doses baixas e em pouco tempo de uso.

5. Abuso




Abuso do uso de benzodiazepínicos é comum quando pacientes aumentam a dose recomendada ou o medicamento é usado sem orientação médica. Fatores associados, como características pessoais, condições sociais e profissionais, bem como distúrbios psiquiátricos podem favorecer o abuso.

6. Insônia de rebote

A piora da qualidade do sono com diminuição ou retirada do medicamento é presenciada na prática clínica. A insônia pode ser explicada pela diminuição de benzodiazepinas endógenas pelo uso crônico de benzodiazepínicos. Provavelmente haveria uma diminuição da sensibilidade dos receptores secundários com a retirada abrupta do agonista exógeno.

7. Acidentes

Pacientes idosos em uso de ansiolíticos e hipnóticos benzodiazepínicos possuem maior risco de quedas e conseqüente fratura de fêmur.

8. Risco cardiovascular

O uso crônico de benzodiazepínicos aumenta o risco de eventos coronarianos e de doenças cerebrovasculares.

9. Risco respiratório

Em pacientes idosos o uso de benzodiazepínicos pode induzir a um maior risco respiratório. É bem estabelecida a correlação de risco aumentado de óbito em pacientes com síndrome da apneia do sono e uso de benzodiazepínicos. O paciente idoso, por possuir menor complacência das vias aéreas, apresenta maior chance de complicação.

Fonte: moreirajr.com.br




Mecanismo de Ação de Hipnóticos e Sedativos


A ação desse grupo de substâncias se caracteriza pela ação no sistema de neurotransmissão do ácido gama-amino-butírico (GABA), que é o principal sistema de neurotransmissão inibitória do SNC.

O GABA e seus agonistas, como benzodiazepínicos, barbitúricos, derivados imidazopiridínicos, além do álcool, agem em uma estrutura transmembrana do receptor GABA, denominada complexo GABAa.





O complexo GABAa é constituído principalmente por cinco subunidades proteicas (2 alfas, 2 betas e 1 gama) com receptores extramembrana para várias substâncias. O principal mecanismo de ação dessas substâncias se caracteriza pela ligação em receptores localizados no complexo GABAa.

A ação dessas substâncias com receptores localizados no complexo GABAa, direta ou indiretamente, abrem o canal de cloro com consequente influxo do ânion para dentro do neurônio e consequente hiperpolarização da célula. Especificamente três receptores do complexo GABAa são importantes no caso dos ansiolíticos e hipnóticos: ômega-1, 2, 3.

Fonte: moreirajr.com.br




Farmacologia - Definições Básicas


Fármaco: substância química capaz de provocar algum efeito terapêutico no organismo.

Medicamento: produto tecnicamente elaborado contendo um ou mais fármacos. Os outros componentes do medicamento recebem a denominação de excipientes, os quais podem ter as mais variadas funções, como melhorar o sabor, odor e até mesmo atuarem como conservantes; lembrando que, do ponto de vista terapêutico, o excipiente é inerte. Os medicamentos podem ser classificados em: magistrais, oficiais e oficinais; por sua vez, os medicamentos oficiais podem se classificar em: referência, similar e genérico.

Remédio: qualquer tratamento faça bem à saúde do paciente. O conceito de remédio é bem mais amplo, envolvendo até mesmo o medicamento.





Dose: quantidade de fármaco capaz de provocar alterações no organismo. Esta dose pode ser eficaz (DE), letal (DL), ataque ou de manutenção. A DE é dose capaz de produzir o efeito terapêutico desejado, podendo ser classificada em mínima eficaz e máxima tolerada. A DL, por sua vez, é a dose capaz de causar mortalidade. Em ambos os casos (DE e DL) a eficácia pode ser determinada em porcentagem, portanto, DE50 é a dose eficaz em 50% dos tecidos ou pacientes.

Índice terapêutico: relação entre a DL50 e a DE50, sendo um indicativo da segurança do fármaco.

Janela terapêutica: faixa entre a dose mínima eficaz e máxima eficaz.





Posologia: estudo da dosagem, de como a dose deve ser empregada.

Forma farmacêutica: forma de apresentação do medicamento: comprimidos, cápsulas, xaropes.

Pró-fármaco: fármaco que necessita ser ativado no organismo para ação terapêutica.

Interação medicamentosa: efeito resultante da interação entre dois fármacos, podendo ocorrer, como resultado final, o aumento, redução ou atenuação do efeito farmacológico de ou mais fármacos envolvidos.

Efeito indesejado: efeito provocado pela ação do fármaco no organismo diferente do planejado, sendo classificado como previsível ou imprevisível. Os efeitos previsíveis podem se dividir em: toxicidade por superdosagem, efeito secundário (reação provocada pelo efeito principal do fármaco em um sítio diferente do alvo principal), efeito colateral e interações medicamentosas. Por sua vez, o efeito imprevisível pode ser dividido em: idiossincrático, alérgico e intolerância.




Isoenzimas


O termo isoenzimas define um grupo de múltiplas formas moleculares da mesma enzima que ocorre em uma espécie, como resultado da presença de mais de um gene codificando cada uma das enzimas. O princípio básico da técnica reside no uso de eletroforese, em geral de amido, e na visualização do produto enzimático por métodos histoquímicos.

A difusão de seu uso ocorreu através do desenvolvimento de métodos eficientes para visualização do produto enzimático e da aplicabilidade imediata encontrada em várias áreas de biologia. As isoenzimas têm sido utilizadas no estudo de dispersão de espécies, na análise de filogenias, no melhoramento de plantas, possibilitando a detectação de ligação gênica com caracteres mono e poligênicos, identificação de variedades, na seleção indireta de caracteres agronômicos, introgressão gênica e avaliação germoplasma.

Base genética dos marcadores isoenzimáticos: As isoenzimas desempenham a mesma atividade catalítica, mas podem ter diferentes propriedades cinéticas e ser separadas por processos bioquímicos. O número de isoenzimas de uma determinada enzima está relacionado ao número de compartimentos subcelulares onde a mesma  reação catalítica é realizada.





A premissa básica adotada ao se utilizar dados enzimáticos é que diferenças na mobilidade de isoenzimas em um campo elétrico são resultantes de diferenças ao nível de seqüencias de DNA que codificam tais enzimas. Assim, se os padrões de bandas de dois indivíduos diferem, assume-se que estas diferenças possuam base genética e sejam herdáveis. Para interpretar os padrões de bandas resultantes, é importante ter um conhecimento prévio sobre o número de subunidades da enzima -  enzimas monoméricas são formadas por um polipeptídeo, enquanto as diméricas, por dois.

Indivíduos heterozigotos para uma enzima dimérica, além de duas bandas correspondentes aos dois polipeptídeos, apresentam uma terceira banda intermediária, produto da conjugação dos dois polipeptídeos. É comum observar-se mais de um loco gênico em um mesmo gel, e a migração das bandas de cada loco é visualizada em zonas diferentes. As subunidades de uma enzima podem ser codificadas por locos genéticos distintos, tornando mais complexa a análise do padrão de bandas isoenzimáticas.

Fonte: geneticavirtual.webnode




Pró-Fármacos


O conhecimento das vias pelas quais os agentes terapêuticos são metabolizados pode afetar a escolha do fármaco prescrito para determinada situação clínica. Isso se aplica tanto à situação em que o metabólito é ativo, quando o agente administrado pode atuar como pró-fármaco, quanto à situação em que o fármaco possui metabólitos tóxicos.

Os pró-fármacos são compostos inativos que são metabolizados pelo corpo a suas formas terapêuticas ativas. Um exemplo de pró-fármaco é fornecido pelo tamoxifeno, um antagonista seletivo dos receptores de estrogênio; esse fármaco tem pouca atividade até sofrer hidroxilação, produzindo 4-hidroxitamoxifeno, um metabólito que é 30 a 100 vezes mais ativo do que o composto original.




Outro exemplo é o antagonista dos receptores de angiotensina II, a losartana; a potência desse fármaco aumenta 10 vezes com a oxidação de seu grupo álcool a ácido carboxílico pela 2C9 do P450. A estratégia de ativação seletiva de pró-fármacos pode ser utilizada com benefícios terapêuticos na quimioterapia do câncer. Um exemplo dessa estratégia consiste no uso de mitomicina C, um composto de ocorrência natural, que é ativado a um poderoso agente alquilante do DNA após ser reduzido por várias enzimas, incluindo uma redutase do citocromo P450.

A mitomicina C mata seletivamente as células cancerosas hipóxicas na parte central de tumores sólidos, visto que essas células apresentam níveis elevados da redutase do citocromo P450, que ativa a mitomicina C e que a reoxidação do fármaco é inibida em condições hipóxicas.

Fonte: ufpi.br




Transportadores biológicos dos fármacos


Embora muitos fármacos sejam lipofílicos o suficiente para atravessar passivamente as membranas celulares, sabe-se, hoje em dia, que muitos fármacos também precisam ser transportados ativamente para o interior das células. Esse fato possui consequências significativas para a biodisponibilidade oral (transporte nos enterócitos ou excreção ativa na luz intestinal), para o metabolismo hepático (transporte nos hepatócitos para metabolismo enzimático e excreção na bile) e para a depuração renal (transporte nas células tubulares proximais e excreção na luz tubular).


Esses processos são mediados por diversas moléculas importantes. A proteína de resistência a múltiplos fármacos 1 (MDR1, multidrug resistance protein 1) ou a P-glicoproteína, que é um membro da família ABC de transportadores de efluxo, transporta ativamente compostos de volta à luz intestinal. Esse processo limita a biodisponibilidade oral de vários fármacos importantes, incluindo a digoxina e os inibidores da protease do HIV-1.





Com freqüência, o metabolismo dos fármacos na circulação porta (isto é, efeito de primeira passagem) exige o transporte de compostos nos hepatócitos através da família de proteínas do polipeptídio transportador de ânions orgânicos (OATP, organic anion transporting polypeptide) e transportador de cátions orgânicos (OCT, organic cation transporter).

Esses transportadores exibem importância particular no metabolismo de vários inibidores HMG-CoA, que são utilizados no tratamento da hipercolesterolemia. Por exemplo, o metabolismo do inibidor da HMG-CoA redutase, a pravastatina, depende do transportador OATP1B1, que transporta o fármaco nos hepatócitos. Acredita-se que a captação do fármaco nos hepatócitos através do OATP1B1 seja a etapa que limita a velocidade no processo de depuração da pravastatina.





A captação da pravastatina em sua primeira passagem pelo fígado também representa uma vantagem potencial, visto que mantém o fármaco fora da circulação sistêmica, a partir da qual poderia ser captado pelas células musculares, causando efeitos tóxicos, como rabdomiólise.


A família de transportadores do transportador de ânions orgânicos (OAT, organic anion transporter) é responsável pela excreção renal de numerosos fármacos aniônicos de importância clínica, como antibióticos lactâmicos, anti-inflamatórios não-esteroides e análogos nucleosídicos antivirais.

Fonte: ufpi.br




Locais de Metabolismo dos Fármacos


O fígado é o principal órgão de metabolismo dos fármacos. Esse fator se evidencia proeminentemente no fenômeno conhecido como efeito de primeira passagem. Com freqüência, os fármacos administrados por via oral são absorvidos em sua forma inalterada pelo trato gastrointestinal (TGI) e transportados diretamente até o fígado através da circulação porta.

Dessa maneira, o fígado tem a oportunidade de metabolizar os fármacos antes de alcançarem a circulação sistêmica e, portanto, antes de atingirem seus órgãos-alvo. É preciso considerar o efeito de primeira passagem quando se planejam esquemas posológicos, visto que, se o metabolismo hepático for extenso, a quantidade de fármaco que irá alcançar o tecido-alvo será muito menor do que a quantidade (dose) administrada por via oral.





Certos fármacos são inativados com tanta eficiência em sua primeira passagem pelo fígado que não podem ser administrados por via oral, devendo-se utilizar a via parenteral. Embora o fígado seja, em termos quantitativos, o órgão mais importante no metabolismo dos fármacos, todos os tecidos do corpo são capazes de metabolizar, em certo grau, os fármacos.

Os locais particularmente ativos incluem a pele, os pulmões, o trato gastrointestinal e os rins. O TGI merece uma menção especial, visto que esse órgão, à semelhança do fígado, pode contribuir para o efeito de primeira passagem através do metabolismo dos fármacos administrados por via oral antes que alcancem a circulação sistêmica.

Fonte: ufpi.br




Superbactéria KPC


A Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), também conhecida como superbactéria, é um tipo de bactéria resistente à maior parte dos antimicrobianos que, quando entra no organismo, é capaz de produzir infecções graves, a exemplo de pneumonia ou meningite.

A infecção por KPC é mais frequente em pacientes internados que precisam ficar ligados a aparelhos respiratórios, que fazem tratamento endovenoso prolongado ou que necessitam de antimicrobianos com frequência elevada.

A infecção por KPC tem cura, no entanto esta pode ser difícil de alcançar, devido ao fato de haver poucos medicamentos capazes de eliminar a infecção. Apesar de todos os esforços médicos, alguns pacientes não resistem.





Os sintomas provocados por KPC podem incluir:

- Febre acima de 39ºC;
- Aumento da frequência cardíaca;
- Dificuldade para respirar;
- Pneumonia;
- Infecção urinária, principalmente na gravidez.

Outros sintomas, como hipotensão, edema e falha no funcionamento de órgãos também são comuns em pacientes com infecção grave por KPC ou quando o tratamento não é feito de forma adequada. O agravamento pode ocorrer caso o indivíduo apresente resistência para aderir ao tratamento, piorando seu estado de saúde e tornando mais difícil o controle da infecção.

O diagnóstico envolve a necessidade de antibiograma, para identificação do antimicrobiano mais apropriado a ser empregado.

Fonte: tuasaude.com


Pantoprazol x Cetoconazol


Pantoprazol é um inibidor da bomba de prótons (H+K+ATPase), utilizado no tratamento de patologias que exigem a redução da secreção gástrica.

Cetoconazol é um fármaco com ação fungicida ou fungistática. Promove inibição da biossíntese do ergosterol no fungo e altera a composição de outros componentes lipídicos na membrana.

INTERAÇÃO: O cetoconazol depende de meio ácido para que sua absorção ocorra satisfatoriamente, de modo que o tratamento da infecção causada por fungos seria dificultado no caso de associação com omeprazol. A mesma informação se aplica aos antagonistas da histamina nos receptores H2 (ex: ranitidina, cimetidina) e aos antiácidos (ex: hidróxido de alumínio), pois estes também alteram as condições de absorção do antifúngico.

Na bula do cetoconazol há a recomendação de administrá-lo com bebida ácida, como um refrigerante à base de cola, caso medicamentos que reduzem a acidez gástrica sejam utilizados.




Fisiologia


Para estudar um organismo, não basta saber quais são os órgãos que o compõem, é fundamental compreender todo o seu funcionamento e as atividades desenvolvidas por cada uma dessas estruturas. A Fisiologia é o ramo da Biologia dedicado à compreensão do funcionamento do corpo, sendo responsável por desvendar todos os processos físicos e químicos envolvidos na manutenção da vida. O estudo dessa área iniciou-se na Grécia por volta de 2500 anos atrás. O termo fisiologia é oriundo das palavras gregas phýsis e logos, que significam literalmente “conhecimento da natureza”.

Uma das figuras mais influentes no campo da Fisiologia da Antiguidade foi Cláudio Galeno (129-200 d.C.), um médico conhecido por tratar gladiadores. Galeno realizou diversos trabalhos com animais e seguia uma doutrina conhecida como “quatro humores”. Essa doutrina partia da ideia de que o corpo era formado por quatro diferentes fluidos: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. Segundo esse médico, o coração, o fígado e o cérebro eram os principais órgãos do corpo humano.

Após Galeno, outra figura que merece destaque é Andreas Versalius (1514-1564), que publicou, em 1543, a obra intitulada De Humani Corporis Fabrica. Esse trabalho ficou conhecido como um grande marco tanto no estudo da Anatomia como para a Fisiologia moderna, iniciando-se uma nova forma de compreender o funcionamento do corpo.





Outro estudo que merece destaque é o de William Harvey (1578-1657). Ele propôs a teoria de que o sangue circulava por todo o organismo graças ao bombeamento garantido pelo coração. Até esse momento, a teoria mais aceita afirmava que o sangue era constantemente produzido, e não que ele circulava. O trabalho de Harvey, sem dúvidas, foi fundamental para a compreensão de diversos outros processos fisiológicos.

O maior desenvolvimento dessa área da Biologia aconteceu, no entanto, ao longo do século XIX, em especial na Alemanha e na França. Entre os principais avanços dessa época, podemos destacar o entendimento da teoria celular e o desenvolvimento da Fisiologia Experimental. Nesse último caso, devemos destacar os trabalhos de Claude Bernard, que é considerado o pai da Fisiologia Experimental Contemporânea e destacava a importância da experimentação.

No século XX, diversos processos foram desvendados, e o entendimento da Bioquímica e da Biologia Molecular foi fundamental para o aprofundamento do conhecimento em Fisiologia. Com os avanços tecnológicos, essa área continua a crescer e muitos processos ainda serão entendidos.

Fonte: brasilescola.uol




Os artigos mais populares