Obesidade e Sibutramina


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prevalência global de obesidade é de 8,2% da população. Contudo, esses valores podem alcançar 17,1% em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde aproximadamente 50% da população adulta apresenta sobrepeso. O número de óbitos devido à obesidade no Reino Unido e nos EUA aproxima-se, respectivamente, de 30.000 e 300.000, tornando-se a principal causa de doença e morte prematura.

Indivíduos obesos apresentam maior risco de dislipidemia, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e síndrome metabólica, reduzindo a expectativa de vida nessa população e aumentando os gastos com saúde pública. Apesar de diversos componentes estarem envolvidos na gênese da obesidade, a dieta hipercalórica, decorrente do consumo exagerado de carboidratos e gorduras, associada ao sedentarismo, têm sido os principais fatores relacionados a essa morbidade nos últimos 20 anos.

Nesse contexto, o seu tratamento referencial se sustenta nos pontos cardinais: dieta e atividade física. Por outro lado, o suporte farmacológico tem demonstrado redução segura do peso em menor tempo. Contudo, os efeitos adversos, o abuso e uso dissociado de dietas e atividade física, podem limitar o sucesso terapêutico. Existem diferentes opções de tratamento farmacológico para obesidade, sendo a sua escolha baseada em critérios como indução da perda de peso sustentada, boa tolerabilidade ao fármaco e interferência favorável nos fatores cardiovasculares.





Dentre esses agentes, o mono-hidrato de sibutramina apresenta melhores relações custo-benefício em comparação a terapias anteriores. A sibutramina inibe a recaptação da noradrenalina em menor proporção de serotonina e dopamina, induz a saciedade e aumenta o gasto energético termogênico. Os efeitos sobre a saciedade envolvem ações centrais nos adrenorreceptores alfa-1 e beta-1, receptores de serotonina 5-HT2c e, provavelmente, 5-HT2a.

O tratamento com a sibutramina minimiza a redução adaptativa no gasto de energia de repouso, contribuindo com o aumento metabólico para a perda de peso. Mais de 13 estudos duplo-cegos, controlados com placebo utilizando sibutramina nas doses de 5 a 30 mg/dia durante 12 a 96 semanas, foram documentados. De fato, o efeito dose-resposta com até 30mg sugere a relação direta entre a dose administrada e o tempo de resultado observado. Nesse contexto, estão apenas disponíveis as apresentações de 10 ou 15mg no Brasil, indiretamente desestimulando a prescrição ou adesão terapêutica de doses superiores a 15 mg/dia.

Leia também:

Sobre a Sibutramina:
http://www.interacaomedicamentosa.com/2017/04/sobre-sibutramina.html

Sibutramina x Claritomicina:
http://www.interacaomedicamentosa.com/2015/11/sibutramina-x-claritromicina.html

Fonte: Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada




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