Transporte dos Fármacos


Embora muitos fármacos sejam lipofílicos o suficiente para atravessar passivamente as membranas celulares, sabe-se, hoje em dia, que muitos fármacos também precisam ser transportados ativamente para o interior das células. Esse fato possui consequências significativas para a biodisponibilidade oral (transporte nos enterócitos ou excreção ativa na luz intestinal), para o metabolismo hepático (transporte nos hepatócitos para metabolismo enzimático e excreção na bile) e para a depuração renal (transporte nas células tubulares proximais e excreção na luz tubular).

Esses processos são mediados por diversas moléculas importantes. A proteína de resistência a múltiplos fármacos 1 (MDR1, multidrug resistance protein 1) ou a P-glicoproteína, que é um membro da família ABC de transportadores de efluxo, transporta ativamente compostos de volta à luz intestinal. Esse processo limita a biodisponibilidade oral de vários fármacos importantes, incluindo a digoxina e os inibidores da protease do HIV-1.





Com freqüência, o metabolismo dos fármacos na circulação porta (isto é, efeito de primeira passagem) exige o transporte de compostos nos hepatócitos através da família de proteínas do polipeptídio transportador de ânions orgânicos (OATP, organic anion transporting polypeptide) e transportador de cátions orgânicos (OCT, organic cation transporter).

Esses transportadores exibem importância particular no metabolismo de vários inibidores HMG-CoA, que são utilizados no tratamento da hipercolesterolemia. Por exemplo, o metabolismo do inibidor da HMG-CoA redutase, a pravastatina, depende do transportador OATP1B1, que transporta o fármaco nos hepatócitos. Acredita-se que a captação do fármaco nos hepatócitos através do OATP1B1 seja a etapa que limita a velocidade no processo de depuração da pravastatina.

A captação da pravastatina em sua primeira passagem pelo fígado também representa uma vantagem potencial, visto que mantém o fármaco fora da circulação sistêmica, a partir da qual poderia ser captado pelas células musculares, causando efeitos tóxicos, como rabdomiólise. A família de transportadores do transportador de ânions orgânicos (OAT, organic anion transporter) é responsável pela excreção renal de numerosos fármacos aniônicos de importância clínica, como antibióticos lactâmicos, anti-inflamatórios não-esteroides e análogos nucleosídicos antivirais.

Fonte: ufpi.br




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