Uso crônico de diazepam em idosos


Em estudo realizado no interior de São Paulo, a população participante foi composta por idosos com 60 anos ou mais, de ambos os gêneros, e que faziam uso do diazepam diariamente há pelo menos seis meses, período esse considerado de risco para o aumento da toxicidade, déficit cognitivo, desenvolvimento de dependência e ainda aumento de taxas de acidentes, quedas e fraturas entre idosos, segundo a Associação Psiquiátrica Americana.

Além da dose de 10 mg/dia, as demais posologias encontradas foram de 5mg/dia (8,57%) e 20 mg/dia (10%), dose essa que ultrapassa as recomendações de uso para esta faixa etária. Pôde-se observar que o tempo mediano de utilização de diazepam pelos pacientes idosos entrevistados foi de 60 meses, sendo o tempo mínimo de seis meses e o máximo de 360 meses.

Em relação aos possíveis efeitos adversos associados ao uso crônico do diazepam, os resultados foram estatísticamente significantes e revelaram aumento para sintomas de angústia, dores articulares, depressão e tontura. Não houve diferença na freqüência de efeitos adversos naqueles pacientes que não seguiam orientação médica (10%). Os sintomas referidos quando da retirada abrupta do medicamento, caracterizando síndrome de ausência também foram estatísticamente significativos, sinalizando que os pacientes apresentaram insônia, ansiedade e irritabilidade.

O estudo evidenciou que 80% dos pacientes idosos utilizavam também outros medicamentos, entre eles a teofilina, cimetidina, digoxina e propranolol, que podem predispor a interações potencialmente negativas com o uso do diazepam. Foi aventada a possibilidade da freqüência de ocorrência destas interações aumentar a incidência de efeitos adversos relatados pelos pacientes, porém a análise estatística entre estas duas variáveis não revelou significância.

Vale ressaltar que 21,5% dos pacientes idosos entrevistados utilizam outros depressores do sistema nervoso central (por exemplo, outro BZD, neurolépticos ou anticonvulsivantes) o que também leva a aumento do potencial de risco para o aparecimento de efeitos adversos e interações negativas com o uso do diazepam concomitante, mas a análise estatística também não revelou significância no aumento desta incidência de efeitos adversos.

Fonte: serv-bib.fcfar.unesp.br


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