Ansiolíticos: da revolução ao abuso


Os primeiros ansiolíticos benzodiazepínicos foram sintetizados em meados da década de 1950. Após exaustivas avaliações clínicas, o primeiro fármaco, clordiazepóxido, é lançado no mercado em 1960, causando um grande impacto para o tratamento dos transtornos de ansiedade.

Era o inicio do que foi chamado naquela década de “revolução dos benzodiazepínicos”. Em pouco tempo os benzodiazepínicos tornaram-se os medicamentos mais populares e prescritos para o tratamento de transtornos de ansiedade em todo o mundo.


A dimensão do consumo foi verificada em estudos internacionais de prevalência, mostrando que uma entre dez pessoas usava regularmente esses medicamentos. No Brasil, a prevalência de ansiolíticos na cidade de São Paulo foi estimada em 10,2% no ano de 1989.





Mais recentemente, estimativas realizadas pelo CEBRID, através de levantamento domiciliar, mostraram que o uso na vida de ansiolíticos foi de 3,3% da população brasileira (entre 12 e 65 anos). Contudo, o mais importante desses resultados é a observação de mudanças do padrão de prescrição no uso crônico dos medicamentos ao longo dos últimos anos.

Após mais de 50 anos do lançamento do clordiazepóxido, o uso de benzodiazepínicos continua a instigar controvérsia, em particular o potencial de abuso e dependência. Apesar da conhecida eficácia ansiolítica dos benzodiazepinicos, o incremento de consumo tem proporcionado o uso indevido ou abusivo. De fato, os ansiolíticos passaram ser usados em excesso quase sempre em indivíduos com histórico de uso abusivo de outras substâncias, como os opioides.





Em meados da década de 1970, os relatos de casos de dependência passaram a ser mais frequentes na literatura médica. Esses relatos influenciaram muito os padrões de prescrição de BZD nos países britânicos e EUA. No Brasil, foi avaliado o impacto da legislação mais restritiva na venda de medicação psicotrópica.


No mundo atual, muitos indivíduos usam abusivamente os ansiolíticos para lidar com situações estressantes em atividades cotidianas, na tentativa de solucionar problemas individuais e sociais (perda de emprego) ou então, para obter sensações prazerosas (euforia).

Fonte: Jornal USP


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