Atuação dos IECA no remodelamento cardíaco após infarto


O processo de remodelação cardíaca se caracteriza por alterações da geometria, volume, massa e constituição do coração em resposta a uma agressão. A hipertrofia miocárdica é um importante componente da remodelação cardíaca, que permite ao coração manter suas funções básicas em vigência do aumento das condições de carga. Em longo prazo, entretanto, a hipertrofia representa fator de risco dependente para morbidade e mortalidade das doenças cardíacas.

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), usados em pacientes infartados, reduzem as arritmias, previnem o desenvolvimento de insuficiência cardíaca e diminuem a incidência de reinfarto. Dado interessante e com pouca atenção dada refere-se à variação de proteínas no coração infartado, a concentração proteica total diminui no após o estabelecimento da necrose miocárdica.





Como as proteínas contráteis representam cerca de 80% do conteúdo protéico miocárdico, pode-se especular que há comprometimento dessas proteínas no coração remodelado após o IM, o que poderia explicar o menor desempenho mecânico observado no coração infartado, mesmo se corrigindo os valores de força ou de pressão desenvolvidas para a massa de tecido muscular sobrevivente. O uso de captopril acentua a queda proteica, fato esse que poderia ser decorrente da redução na produção local de angiotensina II.

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Assim, a redução da deposição de colágeno no interstício miocárdico de ratos infartados e tratados com captopril poderia representar apenas uma das facetas de um fenômeno mais abrangente, ou seja, uma diminuição generalizada da síntese proteica cardíaca. Os inibidores da ECA devem ser administrados precocemente a todos os pacientes com disfunção ventricular ou infarto anterior, pelas vantagens desses fármacos em relação à remodelação e à melhora hemodinâmica (vasodilatação e redução da pós carga).

A diminuição da mortalidade foi verificada em estudos clínicos que selecionaram pacientes com disfunção ventricular e infartos anteriores, assim como em estudos que não selecionaram um grupo específico, utilizando IECA em todos os pacientes com infarto por até 1 a 4 anos após o evento. Sendo assim, há possibilidade de benefício com o uso dos IECA em todos os infartos, independente da função ventricular. O uso prolongado também resultou em benefícios cardiovasculares.

Fonte: Unieuro




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