Comparação entre hidroclorotiazida e clortalidona


Alguns estudos comparam o efeito anti-hipertensivo da hidroclorotiazida (HCTZ) e da clortalidona. Ernst et al. realizaram estudo clínico randomizado, cruzado e mono-cego. Os pacientes utilizaram HCTZ (dose inicial de 25 mg e aumento mandatório para 50 mg) ou clortalidona (dose inicial de 12,5 mg e aumento mandatório para 25 mg) durante oito semanas e, após quatro semanas de intervalo, cruzaram para o tratamento oposto. Realizou-se monitorização ambulatorial da PA anteriormente e ao final de cada período de tratamento.

Durante o estudo, 24 pacientes hipertensos sem tratamento (PA sistólica 140-179 mmHg ou diastólica 90-109 mmHg) concluíram as duas fases do estudo. A PA sistólica no período de 24 horas reduziu 12,4±1,8mmHg com a clortalidona e 7,4±1,7mmHg com HCTZ, porém sem significância estatística. Durante o período do sono, a clortalidona reduziu a PA sistólica em 13,5±1,9mmHg e a HCTZ reduziu 6,4±1,8mmHg.

Não houve diferença na PA de consultório ao final de oito semanas nem em relação à ocorrência de hipopotassemia. Esse estudo comprovou que a clortalidona, com a metade da dose da HCTZ, possui maior potência e período de ação mais prolongado que a HCTZ. Essas diferenças entre a HCTZ e a clortalidona foram discutidas recentemente na Diretriz de Hipertensão Arterial Refratária. Nessa publicação, recomenda-se que se deve preferir o uso da clortalidona em pacientes portadores de hipertensão arterial refratária.

Apesar das evidências em favor da clortalidona, a HCTZ continua sendo o diurético tiazídico mais comum utilizado na prática clínica. Essa diferença ocorre principalmente em relação ao reduzido nú- mero de combinações fixas contendo clortalidona comparado com a grande disponibilidade de combinações fixas contendo HCTZ. No entanto, o médico deve considerar as diferenças clínicas e farmacológicas ao escolher o diurético tiazídico mais apropriado.

Fonte: departamentos.cardiol.br




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