Propriedades anti-inflamatórias dos anti-histamínicos H1


Desde que foi demonstrada, em 1953, a capacidade dos anti-histamínicos H1 de inibirem a liberação da histamina dos mastócitos, numerosos estudos in vitro e in vivo têm sido conduzidos para determinar se essas drogas possuem propriedades que vão além da inibição dos efeitos da histamina e que poderiam contribuir na eficácia clínica do controle das doenças alérgicas.

Tem-se postulado que alguns efeitos anti-inflamatórios dos anti-H1 são subsequentes à sua interação com os receptores da histamina, enquanto outros são independentes desses receptores. Na verdade esses efeitos anti-inflamatórios são questionados quando estudados in vivo. Em 1996, Perzanowska et al. administraram dois anti-H1, cetirizina e loratadina, ambos na dose de 10 mg/dia, via oral, quatro horas antes da provocação da liberação de histamina pela injeção intradérmica de 3 mg/L e 10 mg/L de codeína.

Os resultados demonstraram uma diminuição evidente da resposta na formação do eritema e do edema dérmico, demonstrando que ambas as drogas foram absorvidas e apresentaram bioatividade. No entanto, com o uso da técnica de microdiálise dérmica, utilizada com a finalidade de recuperar a histamina liberada no fluido extracelular, observou-se que nenhuma das duas drogas reduziu a liberação da histamina. Assim, parece improvável que a inibição da liberação da histamina pelos mastócitos contribua para os efeitos terapêuticos no tratamento das reações alérgicas e inflamatórias.





Uma vez que as concentrações das drogas necessárias para evitar a liberação da histamina dos mastócitos e basófilos in vitro são da ordem de 1 a 10 μM, e assim maiores do que a obtida in vivo com o uso desses medicamentos, esse efeito anti-inflamatório parece irrelevante do ponto de vista clínico.

Um possível mecanismo de ação para o efeito de inibição dos anti-H1 sobre o acúmulo de células inflamatórias e sua ativação nos tecidos é sua capacidade de suprimir a ativação do NFκB, um complexo proteico que desempenha funções como fator de transcrição e que se liga às regiões promotoras de muitos genes reguladores da produção de citocinas pró-inflamatórias e moléculas de adesão.

O NFκB pode ser ativado pela histamina e pelo TNFα. Baixas concentrações de cetirizina e azelastina suprimiram a expressão do NFκB de forma paralela com a síntese de citocinas, interleucinas e fator de necrose tumoral (TNFα). No entanto, a intensidade desse efeito será dependente da potência anti-histamínica e da dose na qual os agentes são usados.

Fonte: scielo.br




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