Staphylococcus aureus resistente à vancomicina


Em junho de 2002 o primeiro S. aureus com resistência plena à vancomicina (VRSA: vancomycin resistant Staphylococcus aureus) foi identificado em Michigan-EUA. Foi o primeiro caso conhecido de S. aureus resistente à vancomicina que possuía o gene vanA. Esta cepa foi obtida de material colhido do orifício de saída de um cateter e de uma úlcera no pé, de um paciente em diálise.

O mecanismo pelo qual esta cepa adquiriu o gene vanA foi esclarecido logo depois. Envolveu a transferência de um plasmídeo contendo o transposon do gene vanA, Tn1546, de um Enterococcus faecalis resistente à vancomicina para um S. aureus resistente à oxaxilina (MRSA), que já possuía um plasmídeo, codificando resistência à gentamicina e produção de beta-lactamase.

O transposon foi incluído no plasmídeo estafilocócico e o restante do plasmídeo enterocócico se perdeu. Este novo plasmídeo manteve a capacidade de ser transmitido para outros estafilococos e de expressar de forma plena a resistência à vancomicina. Centenas de culturas de vigilância foram realizadas pelo Departamento de Saúde coletiva de Michigan e pelo CDC em pacientes, profissionais de saúde, família e amigos que tiveram contato com o paciente. Nenhuma foi positiva para VRSA.

Apenas dois meses depois um segundo VRSA foi isolado na Pennsylvania-EUA e uma terceira cepa de VRSA foi descrita em Nova Iorque-EUA depois de mais um ano e meio. O quarto, quinto e sexto isolados de VRSA foram também isolados em Michigan, o último em janeiro de 2006. Recentemente, foram alterados os breakpoints de concentração inibitória mínima para vancomicina recomendados pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI), antigo NCCLS.

Há algumas novas opções de antimicrobianos com atividade contra estas cepas resistentes. Entretanto, mesmo com o surgimento de novas opções terapêuticas, é preciso prevenir a disseminação destas cepas. Para isso, é vital evitar o uso de vancomicina de forma abusiva e desnecessária, além de instituir vigilância epidemiológica estrita.

Fonte: fcmsantacasasp.edu.br




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