Vantagens de ARAs comparados aos IECAs


Com o lançamento dos Antagonistas de Receptor de Angiotensina II (ARA II), a ciência médica se perguntou se essa classe seria superior aos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), já consolidada em sua eficácia de redução da pressão arterial. Assim como a classe dos IECA, os ARA II também vão agir farmacodinamicamente impedindo a ação da Angiotensina II. Porém, como farão isso por outra via, manterão intacta a enzima responsável pela conversão da Angiotensina I a Angiotensina II (Cininase II).

Esta enzima é a responsável pelo processo fisiológico natural de degradação da bradicinina. Inibindo-a, como ocorre com os IECA, haverá acúmulo de bradicinina gerando efeitos colaterais como, por exemplo, a característica tosse seca, presente em 30% dos tratamentos com IECA. Contudo, o acúmulo de bradicinina não acontece normalmente em um tratamento com fármacos da classe dos ARA II.

Em um estudo controlado de oito semanas sobre a incidência de tosse em pacientes hipertensos com história de tosse durante a terapia com um IECA, as incidências de tosse relatadas pelos pacientes tratados com losartana ou por um agente não-associado à tosse induzida por um IECA (hidroclorotiazida) foram semelhantes e significativamente menores que a de pacientes submetidos à nova exposição a um IECA. Além disso, em uma análise global de 16 estudos clínicos duplo-cegos conduzidos em 4.131 pacientes, a incidência de tosse relatada de forma espontânea em pacientes tratados com losartana foi semelhante (3,1%) à de pacientes tratados com o placebo (2.6%) ou com a hidroclorotiazida (4,1%), ao passo que a incidência com inibidores da ECA foi de 8,8%.




Uma segunda diferença é que os IECA não bloqueiam a formação da angiotensina II pelas vias alternativas, a quantidade desse peptídeo permanece livre para exercer suas ações em ambos os receptores AT1 e AT2. Diferentemente os ARA II parecem promover um completo bloqueio da angiotensina II, apenas nos receptores AT1, que são responsáveis por mediar as ações mais conhecidas desse hormônio.

Os antagonistas de receptores AT1 de angiotensina II oferecem a esperança de que, em função de sua ação mais específica, possam trazer benefícios adicionais. A expectativa sugerida pelo estudo ELITE I (em que os ARA II mostraram diminuir mais a morbi-mortalidade em comparação aos IECA) não se confirmou por inteiro na conclusão do estudo mais adequado que foi o ELITE II. Neste último, os resultados comparativos da losartana com o captopril foram semelhantes para mortalidade e morbidade em geral.

Com os dados publicados até agora se pode concluir que os ARA II são uma excelente opção para os pacientes que não toleram os IECA, e que, se ao se considerá-lo clinicamente indicado pode-se prescrevê-los no lugar dos IECA, pois seu efeito clínico e na redução da mortalidade são semelhantes. A grande vantagem dos ARA II é sua boa tolerabilidade, uma vez que todos os estudos vêm mostrando baixa incidência de efeitos colaterais, pequeno número de pacientes em que foi necessário suspender a medicação e reduzido número de abandonos ao tratamento.

Fonte: uninter.com




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