Chikungunya e o uso indiscriminado de corticosteroides


Especialistas alertam para os riscos da automedicação e o uso crônico de fármacos corticosteroides (ex: prednisona, prednisolona) por pessoas que sofrem com as dores articulares da chikungunya. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) vem recebendo, desde o ano passado, relatos sobre a venda indiscriminada de comprimidos e da aplicação de injetáveis em farmácias.

Entre 20% e 30% dos pacientes crônicos admitem o uso prolongado da classe terapêutica. A medicação, que tem alta potência anti-inflamatória, não exige retenção de receita e, em situações como a que descremos aqui, pode haver perigo à saúde da população, por conta da maior automedicação.

Muitos dos indivíduos acometidos pela chikungunya podem desconhecer os efeitos colaterais importantes associados aos corticosteroides, tais como hipertensão, diabetes, osteoporose, entre outros.

Fonte: Folha de Pernambuco


Vacinação em drogarias pode parar na justiça


Recém-autorizada pela Anvisa, a possibilidade de as drogarias comercializarem e aplicarem vacinas tem gerado polêmica entre entidades de saúde. A discussão pode, inclusive, ir parar na Justiça.

Até então, a oferta desses serviços só era permitida no Sistema Único de Saúde (SUS) e em clínicas de vacinação privadas. Na últimas semanas, porém, a Anvisa decidiu estender a possibilidade desse aval também a outros estabelecimentos de saúde - incluindo farmácias e drogarias.

Entidades que representam médicos e clínicas privadas, no entanto, têm reagido contra a ampliação da vacinação para esses locais, alegando que as farmácias não possuem estrutura suficiente para essa atividade. Também criticam a retirada da obrigatoriedade do médico como responsável técnico por estes serviços.

Para o diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM), Sidnei Ferreira, a ausência de médicos expõe pacientes a risco e pode dificultar a assistência nos casos de eventos adversos à vacina. "Não estamos reivindicando que tenha médico na farmácia. O que não queremos é que a farmácia aplique vacinas. Quem decide sobre o atendimento em caso de evento adverso é o médico, que é o único capacitado para isso" afirma Ferreira.

Fonte: Bayer Notícias




Atualização em regras para MIPs


A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 98/16 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou as exigências para que um medicamento seja registrado como Medicamento Isento de Prescrição (MIP) e possa ser vendido diretamente ao consumidor através do autosserviço de farmácias e drogarias.

A nova resolução estabelece ainda critérios para que as indústrias farmacêuticas que têm hoje registros de medicamentos tarjados, mas que sejam passíveis de enquadramento como MIP, possam contar com regras claras para solicitar à Agência o reenquadramento desses medicamentos.

De acordo com o procedimento estabelecido pela RDC, após ter seu medicamento aprovado como isento de prescrição, as empresas devem providenciar a adequação da bula e também a retirada da tarja do medicamento. Somente após essas adequações realizadas pela indústria é que o medicamento poderá ser disponibilizado no autosserviço das farmácias e drogarias.

Link para leitura do documento: RDC 98/2016

Fonte: snifbrasil.com.br


Efeitos do álcool associado a medicamentos


É comum que pacientes questionem se podem ou não consumir bebidas alcoólicas durante um determinado tratamento farmacológico. Em alguns casos, o álcool não interfere na ação dos medicamentos. Contudo, em outros, a interação ocorre e poderá reduzir ou potencializar a ação de determinados fármacos.

A fim de que o paciente receba orientação adequada, seguem algumas possibilidades de interação entre medicamentos e álcool. Obviamente, não estão listadas todas as interações possíveis; o intuito não é esgotar o assunto, mas prestar auxílio a profissionais de saúde que sejam questionados a este respeito.





- AINEs: irritação e desconforto estomacal.
- Ansiolíticos: sedação potencializada, falta de coordenação e prejuízo da memória, com risco de acidentes.
- Anticonvulsivantes: a interação intensifica a sedação.
- Antidepressivos: além de produzir sedação, há redução da eficácia antidepressiva.
- Antifúngicos: apneia, cefaleia, angina, rubor da pele, arritmia cardíaca, tontura, náusea e vômito.
- Antibacterianos: aumento da micção, acelerando a excreção renal do medicamento e consequente redução de sua eficácia contra infecções.
- Antidiabéticos: hipoglicemia.
- Anti-hipertensivos: vertigens e alterações na pressão arterial.

Fonte: Bayer Notícias

Relação entre antidepressivos e hiponatremia


Os transtornos de humor e ansiedade são prevalentes e algumas das medicações mais comumente utilizadas para seu tratamento são os antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Uma ocorrência indesejada de seu uso é a hiponatremia. Um artigo recente publicado na revista American Journal of Kidney Diseases desenvolveu profundamente o tema.

Acredita-se que o mecanismo responsável por isso estaria associado à síndrome da secreção inapropriada de ADH. O quadro resultante pode se relacionar à confusão mental, convulsão e até mesmo óbito. Tal evento seria mais observado em idosos, geralmente após quatro semanas de início do uso da medicação.

Neste estudo de coorte retrospectiva, realizado no Canadá, foram utilizados diversos bancos de dados do país. A avaliação se deu através de dados eletrônicos entre pacientes doentes (com transtornos de humor ou ansiedade) que receberam a medicação e os não doentes que não receberam a medicação. Os fármacos avaliados foram: citalopram, escitalopram, paroxetina, fluoxetina, fluvoxamina, duloxetina e sertralina.





Foram analisadas admissões hospitalares para os diagnósticos de hiponatremia ou delirium associado à hiponatremia. Grupos especiais de pacientes também foram avaliados e pareados, como aqueles portadores de doença renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva ou em uso de diuréticos. Tais condições podem relacionar-se naturalmente a alterações nos níveis séricos de sódio.

Sobre os sujeitos das pesquisas, observa-se que entre os usuários de antidepressivos de segunda geração, a maioria seria de mulheres, que possuem maiores chances de residirem em centros de cuidados prolongados, além de maior probabilidade de apresentarem comorbidades e receberem polifarmácia. A média de idade descrita foi de 76 anos. Em relação aos fármacos, o mais frequentemente prescrito foi o citalopram (46%).

Em conclusão, o início do tratamento antidepressivo nos cuidados de rotina está associado a um aumento relativo de cinco vezes o risco de 30 dias de hospitalização com hiponatremia. Embora um aumento absoluto do risco de hospitalização com hiponatremia de 1,3% pareça pequeno, no contexto da prevalência do uso de antidepressivos, ele se traduz em números elevados de eventos anuais.

Fonte: pebmed.com.br




Sertralina e ansiedade em crianças e adolescentes


A sertralina é segura e eficaz no tratamento de desordem de ansiedade pediátrica. Desordem generalizada de ansiedade em crianças e adolescentes podem ser tratadas com segurança e eficácia com inibidor seletivo de recaptação de serotonina, a sertralina, segundo pesquisadores da Universidade da Pensilvânia.

Os pesquisadores estudaram 22 indivíduos (cinco a sete anos) com escore na escala de ansiedade de Hamilton pelo menos de 16 pontos em estudo duplo-cego, controlado por placebo. Após duas a três semanas de avaliação, no período pré-estudo, os pacientes foram aleatoriamente classificados em quatro blocos de tratamento com sertralina ou placebo. A dose máxima de sertralina foi 50mg/dia.

A medida primária, escore total na escala de depressão de Hamilton e escores de fatores psíquicos e somáticos, assim como a impressão global clínica e a melhora nas escalas, mostrou significativa diferença entre o tratamento em favor da sertralina na quarta semana do estudo.

Foi verificado que a medida autorrelacionada refletiu estes resultados, no final do estudo, e mostrou redução significativamente maior dos sintomas no grupo de sertralina. Os pesquisadores não observaram diferenças entre os grupos de sertralina e placebo, quanto a efeitos adversos.

Fonte: cff.org.br




Metilfenidato: Altamente benéfico quando bem indicado, segundo neuropediatra


Quando indicado corretamente, o metilfenidato, conhecido pelo nome comercial de Ritalina, ajuda a melhorar a concentração e o poder de memorização, a curto prazo. A médio prazo, facilita as funções executivas, como poder de abstração, noção espaço-temporal, capacidade de planejamento, organização e iniciativa.

A longo prazo, de acordo com o neuropediatra e professor da Universidade de Brasília Carlos Aucélio Nogueira, ele atua na plasticidade cerebral, que é a capacidade do cérebro de mudar a sua forma de funcionar.

No caso das pessoas que sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, chamado de TDAH, o medicamento age no cérebro estimulando neurotransmissores que têm deficiência ou são produzidos em baixa quantidade chamados de dopamina e noradrenalina. Os sintomas mais clássicos são a irritabilidade, dificuldade de concentração, agitação e impulsividade.

A incidência, segundo o professor Carlos, vem subindo em todo o mundo nas últimas décadas e atualmente varia de 6 a 8% das crianças em idade escolar. Esse crescimento, contudo, não acompanha o aumento exponencial da venda do medicamento no país (Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, de 2000 a 2008, a venda de caixas de metilfenidato saltou de 71 mil para 1.147.000, um aumento de 1.615%) e, por isso, virou alvo de críticas de especialistas ligados a pediatria e à educação.

Fonte: ebc.com.br




Dexametasona x Digoxina


Dexametasona é um corticosteroide utilizado em processos inflamatórios e manifestações alérgicas, possuindo também atividade imunossupressora

Digoxina é um glicosídeo digitálico indicado no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca congestiva. Altera a distribuição iônica através da membrana celular, produzindo aumento da contratilidade do miocárdio.

INTERAÇÃO: O tempo de protrombina deve ser verificado frequentemente nos pacientes que estejam recebendo simultaneamente corticosteroides e anticoagulantes cumarínicos, dadas as referências de que os corticosteroides têm alterado a resposta a estes anticoagulantes. Estudos têm mostrado que o efeito usual da adição dos corticosteroides é inibir a resposta aos cumarínicos, embora tenha havido algumas referências conflitantes de potenciação, não corroborada por estudos.




Vantagens da risperidona sobre a quetiapina


Tanto risperidona como a quetiapina são classificadas como antipsicóticos de segunda geração e foram lançadas em 1994 e 1997, respectivamente. Esta classe de medicamento demonstrou efetividade tanto na redução da psicopatologia quanto na redução do número de recaídas e consequentes reospitalizações. Ao longo dos anos estes medicamentos vêm ganhando cada vez mais indicações.

Além do uso na esquizofrenia, a risperidona está indicada para tratamento de transtornos do comportamento em pacientes com demência (como agressividade, agitação psicomotora ou sintomas psicóticos), tratamento a curto prazo para mania aguda ou episódio misto em pacientes com transtorno afetivo bipolar. Já a quetiapina está indicada para o tratamento da esquizofrenia e no tratamento de episódios de mania em paciente com transtorno afetivo bipolar como monoterapia ou adjuvante.

Tanto a risperidona como a quetiapina possuem eficácia bastante consagrada no tratamento da esquizofrenia. No entanto, em uma meta-análise bastante difundida, Leucht et al. encontraram que, para o tratamento de esquizofrenia, a risperidona - assim como clozapina e olanzapina - apresentava maior eficácia em relação aos antipsicóticos de primeira geração, tendo a quetiapina eficácia semelhante aos neurolépticos mais antigos. 





No grupo de pacientes com esquizofrenia crônica, que tinha acabado de interromper o tratamento com um antipsicótico atípico, risperidona e olanzapina foram mais eficazes do que a quetiapina e ziprasidona. Também nos algoritmos do tratamento de esquizofrenia, quando há uma falha terapêutica com o primeiro neuroléptico, aconselha-se introduzir risperidona ou olanzapina, mas não quetiapina.

A quetiapina é um antipsicótico associado à sonolência. Dessa forma, a sonolência durante o dia vinculada ao uso de quetiapina pode ser um grande empecilho na manutenção de uma rotina ativa. Outro aspecto que pode comprometer a independência do paciente é a tontura, efeito colateral também vinculado à quetiapina

A interação medicamentosa também é algo que deve ser levado em conta no tratamento em longo prazo. Dessa forma, vale ressaltar que se recomenda cautela no uso concomitante de quetiapina com medicamentos utilizados em quadros infecciosos - como o cetoconazol, rifampicina e eritromicina -, por possuírem uma importante via de metabolização concomitante com a quetiapina, a CYP3A4.

Já a risperidona, que é metabolizada principalmente pela CYP2D6, teoricamente não possui interação com as medicações referidas. Em relação a efeitos arritmogênicos, a quetiapina parece ter efeitos moderados, enquanto a risperidona apresenta apenas efeitos leves.

Fonte: scielo.com




Flunarizina x Contraceptivos orais - Risco aumentado de galactorreia


Em pacientes tratados com a flunarizina, relatou-se que o uso de contraceptivos orais aumenta o risco de galactorreia, a qual corresponde à lactação em mulheres que não estão amamentando.

A lactação anormal não se define de modo quantitativo; é a saída de leite inapropriada, persistente e que causa preocupação no paciente. A lactação espontânea é mais incomum que o leite liberado em resposta à expressão manual. Mulheres com galactorreia habitualmente apresentam também amenorreia ou oligomenorreia.

Mulheres com galactorreia e amenorreia também podem apresentar sinais e sintomas de deficiência de estrógeno, incluindo dispareunia, em razão da inibição da liberação pulsátil de LH e FSH pelas altas concentrações de prolactina. Entretanto, a produção de estrógenos pode ser normal e sinais de excesso de andrógenos foram observados em algumas mulheres com hiperprolactinemia.

A hiperprolactinemia pode ocorrer com outros distúrbios do ciclo menstrual além da amenorreia, incluindo ovulações infrequentes e disfunção de corpo lúteo.




Ação do Lansoprazol sobre a produção de ácido gástrico e sobre a pepsina


1. Sobre a produção de ácido gástrico 

O volume de ácido gástrico estimulado pelo alimento é reduzido em 90% com lansoprazol 30 mg, durante sete dias. O lansoprazol aumenta o pH intragástrico de três a cinco de modo similar ao omeprazol e ao pantoprazol. Com 60 mg induz a inibição total da secreção de ácido gástrico em 24 horas e volta ao normal dentro de três a cinco dias após a cessação da dose. A ação farmacológica do lansoprazol depende da concentração e de seus metabólitos ativos dentro das células parietais.

A supressão de ácido gástrico pelo lansoprazol 30 mg ao dia, em voluntários saudáveis, foi superior ao omeprazol (20 mg ao dia), pantoprazol (40 mg ao dia) e ranitidina (50 mg quatro vezes ao dia). Nos pacientes com úlcera duodenal o lansoprazol é duas vezes mais potente que omeprazol na inibição de ácido gástrico.

2. Sobre a pepsina 

Lansoprazol inibe a atividade do pepsinogênio, diminuindo a secreção da pepsina. A inibição da secreção da pepsina e a sua atividade são maiores quando o lansoprazol (30 mg) é administrado sete dias durante à noite (67% a 88%), contra (45% a 58%) durante o dia. Lansoprazol 30 mg diminui a produção da pepsina na hipoglicemia estimulada pela insulina em 56% a 88%.

Fonte: moreirajr




Lisdexanfetamina e o TDAH


Até 2011, ano em que foi disponibilizado no mercado brasileiro a substância lisdexanfetamina, o tratamento medicamentoso do TDAH no país era quase que exclusivamente feito pelo psicoestimulante metilfenidato. Nos Estados Unidos, contudo, há mais tempo está disponível uma gama maior de substâncias, muitas delas pertencentes à família das anfetaminas. 

As anfetaminas são drogas de maior potência quando comparadas ao metilfenidato, muito conhecidas por sua capacidade de inibição do apetite e diminuição drástica do sono. Assim como o metilfenidato, atuam diretamente sobre o neurotransmissor dopamina, resultando em efeitos de maior energia, euforia, concentração, redução do sono, apetite e cansaço. 

Segundo o fabricante, a lisdexanfetamina deve ser usada como parte de um programa total de tratamento, que pode incluir aconselhamento psicológico ou outras terapias. Na bula, o laboratório adverte: “As anfetaminas têm sido alvo de extenso uso abusivo. Tolerância, dependência psicológica extrema e incapacidade social grave ocorreram. Há relatos de pacientes que aumentaram a dose muito acima dos níveis recomendados”. 

Ainda na linha das advertências, segue o laboratório: “O abuso deste medicamento pode causar dependência. O uso indevido de anfetaminas pode causar eventos adversos cardiovasculares graves”. Com relação a efeitos colaterais, ele pode causar redução do apetite, problemas para dormir, cefaleia, perda de peso e boca seca.

Fonte: dda-deficitdeatencao.com.br




Estazolam e interações medicamentosas


A ação de estazolam, assim como de outros benzodiazepínicos, pode ser potencializada por anticonvulsivantes (ex:carbamazepina), anti-histamínicos (especialmente os de primeira geração, como a hidroxizina), barbitúricos (ex: fenobarbital), inibidores da MAO (ex: selegilina), álcool e fenotiazinas (ex: clorpromazina). Os fumantes têm a depuração de benzodiazepínicos aumentada, se comparados com os não-fumantes; fato que foi constatado nos estudos com estazolam.

O estazolam é primeiramente metabolizado pela a isoforma CYP3A4 e seu principal metabólito no plasma, 4-hidroxiestazolam e o metabolismo de outros triazolbenzodiazepinicos são catalisados por esta isoenzima. Consequentemente, o fármaco deve ser evitado em pacientes recebendo cetoconazol e itraconazol, que são potentes inibidores do CYP3A4. Do mesmo modo, há necessidade de atenção com alguns antibióticos macrolídeos, fluvoxamina e diltiazem, pelo mesmo motivo.

Apesar da ausência de estudos in vivo de interações entre estazolam com fenitoína e rifampicina, é provável que ocorra diminuição das concentrações do benzodiazepínico resultante de indução enzimática.

Há estudos que sugerem a participação do estazolam também com outras isoformas hepáticas, a exemplo de CYP2D6, a qual tem importância no metabolismo de antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. No entanto, não ficou clara qualquer relação existente entre o seu uso e o aumento de concentrações séricas de fármacos metabolizados por esta via que sejam associados em polifarmácia.

Fonte: Anvisa




Buprenorfina: maior potência em relação à morfina


A buprenorfina é um fármaco mais potente do que a morfina, pois a dose de 0,4 mg dela tem equivalência analgésica a 10mg de morfina. O pico de concentração sanguínea para administração oral é de 1 a 2 horas e para a administração intramuscular ou intravenosa é de 5 minutos.

A meia-vida de dissociação desse opioide é de 166 minutos, o que sugere que seus níveis plasmáticos não acompanham as manifestações fisiológicas, sendo que a meia-vida plasmática é de aproximadamente 3h e isso não guarda relação com o desaparecimento dos efeitos. Seus metabólitos são excretados na urina e nas fezes.

Esse fármaco é metabolizado pela CYP3A4 para norbuprenorfina, que pode exercer ação farmacológica de analgesia mínima. Causa sintomas mínimos de abstinência e estes, quando aparecem, são tardios, não são tão graves e desaparecem em 1 a 2 semanas. Pesquisadores relataram que a buprenorfina apresenta uma curva dose-efeito em forma de sino, o que indica que as doses baixas têm efeito e que doses tetos, responsáveis por desencadear um efeito de depressão respiratória, não precisam ser alcançadas. O fato de pequenas doses produzirem efeitos esperados confere segurança em relação aos efeitos indesejáveis, tornando-a mais segura.

Inibe a dessensibilização dos receptores opioides, por ter uma cinética lenta de associação e dissociação do receptor, o que impede a tolerância comum aos opioides; o fato de ser um agonista parcial lhe confere incapacidade de desencadear disforia. Essas características únicas da buprenorfina distinguem-na de outros opioides, o que denota sua relevância na prática clínica.

Fonte: repositorio.unesp.br




Farmacologia da Isotretinoína


A isotretinoína é um retinóide de 1ª geração, a qual afeta a diferenciação celular, interagindo com as células através de dois receptores; receptores de ácido retinóico e os receptores retinóides (RAR/RXR), bem como suas isoformas, onde o complexo ligante-receptor ativa genes promotores, e a expressão dos mesmos é responsável pelos efeitos farmacológicos desejáveis, assim como pelos efeitos adversos. Observa-se a subdivisão dos receptores em α, β, γ, sendo o receptor envolvido com o efeito teratogênico o RAR-α.

Sua ação primária consiste em diminuir a produção de sebo, que auxilia no tratamento da acne nodular e cística (acne conglobata). O tamanho da glândula sebácea diminui, ocorrendo alteração na morfologia e na capacidade secretória das células (desdiferenciação). Ocorre em cerca de 90% dos casos, a redução completa das lesões.





Segundo Duailibe, Alves (2007), a isotretinoína apresenta ainda mais ações no organismo, tais como:

- Atividade sebossupressora de até 90%, pela modificação da composição dos lipídeos cutâneos;
- Aumento dos esteróides livres e ceramidas, diminuição dos glicerídeos e ácido graxos livres;
- Inibição da síntese de hormônios andrógenos, especialmente diidrotestosterona;
- Diminuição da queratose folicular e da comedogênese, aparentemente por diminuição da formação e/ou aumento no grau de separação dos corneócitos dentro do ducto pilossebáceo;
- Inibição da formação e número de comedões; expulsão de comedões maduros (abertos/fechados);
- Inibição da formação de novos comedões (tratamento de manutenção);
- Diminuição do número de Propionibacterium acnes, microrganismo envolvido no processo inflamatório da pele;
- Atenua o processo inflamatório cutâneo diminuindo a migração de polimorfonucleares e monócitos. Cessam-se, então, as condições para a proliferação bacteriana, resultando na cura da acne.

Esta normalização do folículo pilossebáceo se mantém depois de concluído o tratamento. Promove remissões prolongadas e até permanentes, atraindo principalmente o tratamento com isotretinoína aos adolescentes.

Fonte: www.itpac.br




Haloperidol + Prometazina para pacientes agitados


Serviços de saúde não raramente precisam lidar com pessoas agitadas ou violentas e, em emergências psiquiátricas, este comportamento é particularmente prevalente (10%). Em ambiente psiquiátrico, a maioria destes episódios é conseqüência de doenças graves, como esquizofrenia ou abuso de drogas.

Os principais manuais recomendam que os pacientes sejam verbalmente tranqüilizados, que uma história pregressa seja colhida e que um exame físico e testes laboratoriais sejam realizados antes do início do tratamento farmacológico.

Na prática, a urgência desta situação geralmente faz com que a equipe necessite atuar dispondo de um histórico curto e fragmentado, um diagnóstico puramente especulativo e um exame físico apenas superficial. Na maioria das vezes, a necessidade de garantir a segurança de todos os envolvidos torna a tranquilização farmacológica rápida inevitável.





Os medicamentos utilizados nesta situação deveriam assegurar que a pessoa se tranqüilizasse de maneira segura e rápida. No entanto, os manuais geralmente se resumem a consensos de especialistas e diferem quanto à droga recomendada. Inquéritos sobre a preferência e a prática dos clínicos quanto ao tratamento farmacológico revelam alguma variação, embora as classes mais freqüentemente usadas sejam os antipsicóticos de primeira geração e/ou benzodiazepínicos.

A combinação haloperidol e prometazina administrada por via intramuscular é consistentemente usada no Brasil e na Índia. Esta combinação tem um custo muito baixo e ambas as drogas fazem parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde. Em estudos, as doses utilizadas no grupo de intervenção variaram de 5 a 10mg de haloperidol e de 25-50mg de prometazina.




No Brasil, para os pacientes que receberam a combinação, os clínicos optaram por 5mg para cerca de metade dos pacientes e, para a maioria, a dose de prometazina foi de 50mg. Na Índia, a quase totalidade dos participantes recebeu 10mg de haloperidol e 50mg de prometazina.

Um inquérito preliminar nos serviços de emergência psiquiátrica do Rio de Janeiro indicou a combinação Haloperidol/Prometazina como a medicação favorita. Midazolam, um benzodiazepínico de ação rápida disponível na rede pública, era uma outra opção. Trabalhando em conjunto com os clínicos dessas emergências psiquiátricas, o desenho de um ensaio clínico foi então publicado e posto em prática.

Fonte: psiquiatriabh.com.br

Imunoterapia em alérgicos: benefícios e contraindicações


A modificação da resposta imune do paciente alérgico é o ponto de capital interesse da imunoterapia. Muitos estudos demonstram a eficácia da imunoterapia com alérgenos na rinite, na asma e nos quadros de alergia a veneno de insetos.

As vacinas para alergia provocam diminuição dos sintomas de rinite e asma, com melhora perceptível na qualidade de vida da pessoa alérgica. Em pacientes com rinite existem estudos demonstrando que a imunoterapia pode prevenir o surgimento de sensibilização para outros alérgenos e também impedir a evolução de rinite para asma.

O emprego de imunoterapia com veneno de insetos é muito eficaz em bloquear a reatividade do alérgico, provocando o desaparecimento da sensibilização alérgica.

Em pacientes asmáticos é necessário maior cautela, uma vez que estes indivíduos apresentam risco elevado de desenvolverem reações. Pacientes com asma não controlada ou em crise de asma não devem receber aplicação de imunoterapia.

Além disso, a imunoterapia é contraindicada em pacientes com doença coronariana, em pacientes sob tratamento com betabloqueadores (Ex: propranolol, atenolol, metoprolol) ou que apresentem imunodeficiências e doenças autoimunes.

Fonte: asbai.org.br




Drogasil já aplica vacinas em São Paulo


A Drogasil da Rua Pamplona, 1.792, localizada no bairro dos Jardins, em São Paulo (SP), passou a oferecer o serviço de vacinação no último dia 20 de dezembro. A rede é a primeira do setor a ser autorizada pela Vigilância Sanitária de São Paulo para a imunização na capital paulista.

A escolha do endereço está relacionada à localização central e ao fácil acesso para os consumidores. "Essa unidade já prestava serviços farmacêuticos e contamos com profissionais bem treinados para a função", ressalta o vice-presidente de Relações com Investidores e Planejamento da RD, Eugênio De Zagottis.





Neste primeiro momento serão aplicadas vacinas somente em adultos. Estão disponíveis imunizações para febre amarela, hepatite B, herpes-zóster e HPV (dois tipos: tetra e bivalente). É possível solicitar o serviço diretamente na loja com a receita médica em mãos. Caso o cliente não tenha carteirinha de vacinação, esta será fornecida pela Drogasil.

A aplicação de vacinas pelas drogarias foi recentemente liberada na capital paulista pela Lei Municipal 16.739/17, além de ser regulamentada nacionalmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da RDC nº 197.

Com essa liberação, a RD prevê a expansão do serviço nos próximos meses para 16 filiais da Drogasil e da Droga Raia em São Paulo. A rede pretende expandir o serviço para todo o Estado, o que será possível após a promulgação do Projeto de Lei 27/2017, mediante sanção do governador Geraldo Alckmin.

Fonte: Panorama Farmacêutico




Pesquisa envolvendo fármaco antidiabético reverte danos causados pelo Alzheimer


Um novo fármaco para tratar o diabetes tipo 2 pode ajudar também a reverter a perda de memória de pacientes com Alzheimer. O estudo, feito por universidades do Reino Unido e da China, é o primeiro a observar que combinada com três diferentes substâncias, o fármaco em questão poderia ser usado em pacientes com Alzheimer e outras doenças degenerativas.

O tratamento combina GLP-1, GIP (incretinas) e glucagon, que protegem contra a deterioração neurológica. O estudo, feito em ratos com mutações genéticas causadas pelo Alzheimer, consistiu em dois meses de injeções diárias do composto.

Os ratos que receberam o tratamento começaram a mostrar melhoria significativa em desafios em labirintos projetados especialmente para testar a memória. Os ratos ainda mostraram níveis menores de um tipo de proteína que se acumula, formando plaquetas no cérebro de pessoas com Alzheimer, e responsável pela inibição da capacidade das células nervosas de se comunicar, levando-as à morte.

Fonte: Bayer Notícias




Glicoproteína-P


A glicoproteína-p (gp-P) foi descrita pela primeira vez em 1976 como uma glicoproteína de superfície presente na membrana citoplasmática. Esta é uma bomba de efluxo que pertence à família de transportadores ABC e que participa do fenômeno de resistência a múltiplos fármacos. Encontra-se amplamente distribuída nos tecidos e participa em variadas funções fisiológicas importantes.

É expressa nos pontos de entrada dos xenobióticos (trato gastrointestinal, fígado, rins, cérebro, placenta) e consegue efetuar o transporte destes para o exterior das células. É também expressa em barreiras hemato-teciduais e em células tumorais, impedindo a entrada de substâncias nestes tecidos graças ao seu transporte para fora das células. Desempenha um papel crucial na absorção, distribuição, metabolização e excreção de muitos fármacos no organismo.

Atua na proteção dos tecidos contra xenobióticos tóxicos e metabolitos endógenos, através da excreção destes compostos para o lúmen intestinal, bílis, urina e promovendo também a sua expulsão do sistema nervoso central. As interações farmacológicas ocorrem quando os efeitos de um fármaco são alterados pela presença de outro fármaco, alimento, ou outro agente químico.

A co-adminstração de fármacos que são indutores ou inibidores da gp-P pode originar evetnos decorrentes de interação medicamentosa. Quando os fármacos atuam como inibidores de gp-P originam aumento dos seus substratos a nível intracelular, graças ao decréscimo do transporte de efluxo de fármacos. Para além dos fármacos que têm a capacidade de inibir a gp-P, outras moléculas como os surfactantes usados na indústria farmacêutica também podem inibi-la.

A gp-P é ainda considerada de fácil indução, seja in vivo ou in vitro, com vários tipos de indutores conhecidos. Estes atuam aumentando o transporte de efluxo, diminuindo assim a biodisponibilidade dos fármacos que são transportados por esta proteína. Quanto maior o número de fármacos co-administrados maior é a probabilidade de ocorrer interação medicamentosa.

Fonte: bdigital.ufp.pt




Incretinas


As incretinas são hormônios secretados pelas células endócrinas localizadas no epitélio do intestino delgado. Existem dois hormônios principais: o GLP-1 (do inglês glucagonlike peptide-1) e o GIP (do inglês glucose-dependent insulinotropic peptide). O GLP-1 é o mais importante na patogenia do diabestes mellitus tipo 2 (DM-2).

Embora as incretinas sejam liberadas após o consumo de nutrientes, as refeições que contém carboidratos e lipídios são as que mais estimulam a secreção da GIP. As incretinas desempenham um papel importante na modulação da resposta das ilhotas de Langerhans e potencializam a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas decorrente do aumento dos níveis de glicemia após ingestão de alimentos.

Em pessoas saudáveis, 70% da secreção de insulina estimulada pela ingestão de glicose ocorre através da liberação das incretinas. A denominação “efeito incretina” se refere a um aumento da resposta de insulina à glicose, e este efeito econtra-se reduzido ou ausente em pacientes com DM2.





O GLP-1 é clivado do pró-glucagon intestinal e secretado das células do íleo e do cólon, depois da ingestão oral de nutrientes, sendo rapidamente inativado através da clivagem pela enzima dipeptidil-peptidase 4 (DPP-4). Ele atua inibindo a secreção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e funciona como um regulador da saciedade levando a uma diminuição da glicose circulante. Estudos in vivo (não realizados em humanos) e in vitro relatam ainda que ele promove a proliferação das células beta e redução da apoptose.

Os pacientes com DM2 possuem resposta insulinotrópica deficiente à administração exógena de GIP, no entanto possuem resposta preservada ao GLP-1 exógeno. Isso nos mostra que os diabéticos tipo 2 têm baixas concentrações de GLP-1 endógeno, mas respondem ao GLP-1 exógeno secretando insulina.

Esse tipo de confirmação sustenta o potencial tratamento com GLP-1 em pacientes DM2. O defeito das incretinas no DM2 parece ser decorrente de duas causas: redução da secreção de GLP-1 e efeitos insulinotrópicos excessivamente deteriorados do GIP. O efeito prejudicado das incretinas ocasiona redução significativa da secreção de insulina estimulada pela ingestão de nutrientes, gerando hiperglicemia pós-prandial considerável.

Fonte: repositorio.unesc.net




Fenitoína e cicatrização de feridas


A fenitoína é um fármaco anticonvulsivante introduzido no mercado em 1937. Atua bloqueando a excitação neuronal por ligar-se aos canais de sódio em repouso, impedindo-os de se tornarem funcionais e gerarem potenciais de ação excitatória.

A hipótese de seu uso como agente cicatrizante passou a ser investigada por estudos experimentais primários no campo da odontologia, quando, em 1939, a hipergranulação do tecido gengival foi reconhecida como seu efeito adverso, o que sugeriu possibilidades do uso deste fármaco como agente cicatrizante em feridas.





O mecanismo exato pelo qual a fenitoína induz a cicatrização tecidual não está claro, bem como as formas de sua aplicação para esta finalidade não estão padronizadas. No entanto, a divulgação de resultados satisfatórios de pesquisas empíricas quanto ao desempenho da fenitoína na cicatrização de feridas crônicas, como úlcera por pressão, vasculares e diabéticas, tem despertado atenção dos enfermeiros que lidam com tal temática, a exemplo daqueles especialistas em Enfermagem em Estomaterapia.

Benefícios decorrentes do uso da fenitoína foram associados ao aumento do tecido de granulação, da angiogênese e diminuição do tamanho das feridas que receberam intervenção.




Nos casos em que o fármaco foi utilizado por via sistêmica, para o manejo das fístulas, houve diminuição significativa do débito efluente – o que aponta para provável diminuição do tamanho das fístulas e que pode ser justificado por um processo de cicatrização anastômica subjacente provavelmente induzido pela fenitoína.

Ainda que os mecanismos pelos quais a fenitoína cicatrize tecidos humanos não estejam esclarecidos, os estudos in vitro, em animais de laboratório e histopatológico em humanos trouxeram algumas informações que contribuem para o entendimento deste fenômeno. Houve demonstração de ação estimuladora do fármaco sobre os fibroblastos, síntese de colágeno, remodelação celular, inibição da colagenase e aceleração da atividade autócrina e parócrina dos fatores de crescimento por meio de regulação bioquímica dos receptores celulares envolvidos.

Fonte: Scielo

Endometriose


A endometriose é definida como a presença de tecido endometrial fora do útero. O tecido endometriótico implanta-se durante a menstruação, principalmente em locais como o peritôneo e os ovários, e desenvolve um suprimento vascular eficiente, o qual permite seu posterior crescimento no local de implantação.

O desenvolvimento de tecido endometriótico fora do útero parece estar associado a profundas alterações do sistema imunológico em mulheres com endometriose. A menstruação retrógrada, fenômeno comum em mulheres em idade reprodutiva, poderia facilitar o implante de células endometrióticas na cavidade peritoneal, embora nem todas as mulheres com menstruação retrógrada apresentem endometriose.

A endometriose pode ser considerada como um processo inflamatório pélvico, com função alterada de células do sistema imunológico e número aumentado de macrófagos ativados no fluido peritoneal, os quais secretam vários fatores locais, tais como fatores de crescimento e citocinas. Assim, o desenvolvimento da endometriose parece ser um fenômeno complexo, facilitado por fatores múltiplos, incluindo quantidade e qualidade de células endometriais no fluido peritoneal, atividade inflamatória aumentada no fluido peritoneal, expressão aumentada de moléculas de adesão, angiogênese aumentada e eliminação reduzida das células endometrióticas por um sistema imunológico deficiente.

Esta doença complexa é um problema ginecológico comum e, freqüentemente, associado à infertilidade e dor pélvica. A deficiência reprodutiva associada à endometriose e à infertilidade idiopática estão ainda entre os problemas mais difíceis que o ginecologista enfrenta. Um número significativo de mulheres que se queixam de dismenorreia e dor pélvica têm endometriose e mais da metade das mulheres com infertilidade não explicada são diagnosticadas com endometriose por laparoscopia.

Fonte: Scielo



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