Efeito antipirético de ibuprofeno e dipirona em pacientes pediátricos (estudo comparativo)


Em estudo com o objetivo de determinar se o ibuprofeno em dose oral única proporcionaria efeito antipirético equivalente ou superior ao da dipirona em dose oral única, em pacientes pediátricos febris, os achados indicam que o ibuprofeno determinou uma antipirese mais rápida, mais potente e de duração mais longa do que uma dose oral única de dipirona em crianças randomizadas para o grupo de temperatura alta (39,1ºC).

No grupo de pacientes com febre baixa, o início de ação do ibuprofeno também foi mais rápido em relação à dipirona; neste grupo, porém, a intensidade e a duração do efeito foram semelhantes para os dois fármacos.





Alguns aspectos metodológicos do estudo, entretanto, merecem comentários adicionais. Uma das limitações do estudo foram a baixa velocidade de inclusão de pacientes, particularmente aqueles com temperatura alta, e que não tivessem recebido medicação analgésica, antipirética ou anti-inflamatória nas últimas 6-12 horas, demonstrando claramente a tendência disseminada de automedicação entre a população.

Adicionalmente, a análise pode eventualmente conduzir a um viés, por não estimar o efeito antipirético nos pacientes que saíram do estudo. A posologia utilizada de dipirona neste estudo foi de 15 mg/kg, contra 10mg/kg de ibuprofeno.

Cabe ressaltar que a dose, empírica e equivocadamente empregada pelos profissionais de saúde, assim como por pacientes e cuidadores, é muitas vezes de 1 gota/kg (considerando-se as formulações em que 1 gota equivale a 25 mg, de modo a exceder recomendações). Esse fator contribui para a percepção eventual de eficácia antipirética superior da dipirona em relação a outros fármacos.

Fonte: Moreira Jr




Vacina contra câncer


Pesquisadores da Universidade de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos, descobriram uma vacina contra o câncer. Trata-se da aplicação de células T - responsáveis pela defesa do organismo - diretamente em tumores. Os experimentos foram realizados em ratos, e foi verificado que, ao aplicar um pouco de agentes estimulantes de imunidade diretamente em seus tumores, todos os traços de câncer são eliminados do animal, inclusive metástases.

Agora, os cientistas se preparam para testar o tratamento em pacientes humanos com linfoma. Caso a eficácia seja comprovada, o método seria mais econômico em relação a outros tratamentos e não causaria todos os efeitos colaterais da quimioterapia.

Para isso, serão utilizados oligodesoxinucleótidos de CpG - responsáveis por estimular a imunidade e ativar as células T para guiar o caminho contra as células cancerígenas.

Fonte: Bayer




Diuréticos tiazídicos e reações no metabolismo da glicose


Muitas das alterações eletrolíticas e metabólicas dos tiazídicos foram observadas quando se utilizaram inicialmente doses elevadas no tratamento da hipertensão arterial. Sabe-se há muito que a curva dose-resposta dos tiazídicos é plana; em consequência, passou-se a utilizar doses baixas desses medicamentos (6,25 a 25 mg/dia), sem perda da eficácia anti-hipertensiva, porém com redução importante dos efeitos metabólicos adversos. 

Os efeitos adversos dos tiazídicos no metabolismo da glicose em pacientes diabéticos têm sido observados desde a sua introdução na prática clínica. Entretanto, o desencadeamento de intolerância à glicose, em pacientes não diabéticos em uso crônico de tiazídicos, é controverso.

Um estudo com seguimento de 10 anos mostrou que o tratamento com diuréticos tiazídicos em doses baixas, associado à suplementação de potássio, não piorou a tolerância à glicose. A hipocalemia tem sido apontada como possível mecanismo fisiopatogênico relacionado à alteração do metabolismo de carboidratos.

O uso contínuo de diuréticos de alça induz alterações mínimas no metabolismo da glicose, provavelmente pela ação de curta duração, ensejando que mecanismos compensatórios sejam utilizados para neutralizar os efeitos relacionados à intolerância à glicose.

Fonte: departamentos.cardiol.br




Fisiopatologia da úlcera péptica


A úlcera péptica é uma das principais indicações clínicas para reduzir a secreção de suco gástrico. Uma úlcera péptica é uma ferida bem definida, circular ou oval, formada no revestimento do trato gastrintestinal. Os nomes das úlceras identificam a sua localização anatômica ou as circunstâncias em que se desenvolvem.

A úlcera duodenal, o tipo mais comum de úlcera péptica, surge no duodeno. As úlceras gástricas normalmente se situam na parte alta da curvatura do estômago. A fisiopatologia da úlcera péptica pode ser considerada um desequilíbrio entre os fatores de defesa da mucosa e fatores agressivos. A regulação da secreção de ácido pelas células parietais é especialmente importante na patogênese da úlcera péptica e constitui um alvo para a ação de fármacos.

O desenvolvimento de úlceras pépticas está relacionado à infecção da mucosa do estômago por H. pylori, bem como ao uso de determinados medicamentos (como os AINEs), os quais provocam erosões e úlceras no estômago, especialmente nas pessoas de idade avançada. Esses efeitos, no entanto, são revertidos pela interrupção do tratamento, sendo a recidiva pouco provável, a menos que se reinicie o mesmo tratamento.

As prostaglandinas, sintetizadas na mucosa gástrica, principalmente pela ciclo-oxigenase­ subtipo 1 (COX-­1), estimulam a secreção de muco, diminuem a secreção de ácido e causam vasodilatação. Essas ações protegem o estômago contra lesões. Isto, provavelmente, explica a capacidade de muitos AINEs inespecíficos de causar sangramento e erosões gástricas, visto que são inibidores da COX-­1.

Fonte: periodicos.ufsm.br


Benzodiazepínicos no transtorno do pânico


Os benzodiazepínicos vêm sendo utilizados no transtorno do pânico (TP) como uma opção eficaz e bem tolerada. O principal objetivo dos benzodiazepínicos no pânico é a redução da intensidade e frequência dos ataques de pânico (AP), tendo também importante aplicação como medicação de uso ocasional em caso de crise. Seu uso regular também pode ajudar a reduzir a ansiedade antecipatória e a esquiva fóbica.

A escolha do benzodiazepínico dependerá da potência, meia-vida e disponibilidade de evidência de eficácia por ensaios clínicos. O mais estudado deles no TP é o alprazolam, havendo 11 estudos disponíveis, sendo sete deles controlados por placebo. Destes, seis demonstraram superioridade do alprazolam com relação ao placebo na redução da frequência de AP e cinco observaram a melhora da ansiedade antecipatória.





Como desvantagem, o alprazolam apresenta a meia-vida curta, podendo ser necessária a administração frequente e provocando “efeito rebote” entre as doses. Atualmente, está disponível o alprazolam XR (de liberação prolongada), que foi aprovado pelo FDA para o tratamento do TP, em dose única diária e não apresenta tais desvantagens.

Outros benzodiazepínicos também já foram testados para o tratamento do TP e o mais utilizado deles é o clonazepam. Este é um benzodiazepínico muito potente, com ação rápida e meia-vida longa, por isso, uma opção bastante interessante para o TP. O clonazepam conta com apresentação sublingual de sua dose mínima (0,25 mg), com ação rápida, sendo muito útil durante o AP.

Pacientes com subtipo respiratório do TP apresentam melhor resposta ao clonazepam no curto prazo do que pacientes com subtipo não respiratório. Porém, no longo prazo as respostas de ambos os grupos ao clonazepam se igualam.

Fonte: Moreira Jr


Eficácia da fluvoxamina na depressão


A fluvoxamina, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), cujos primeiros estudos referentes às depressões remontam ao início da década de 1980, tem se mostrado eficaz mesmo no tratamento das depressões severas. Assim, a fluvoxamina foi utilizada com sucesso no tratamento de depressões graves.

A fluvoxamina foi comparada à clomipramina, mostrando-se ambas igualmente eficazes no tratamento das depressões graves. Também foi utilizada no tratamento das depressões delirantes e sua eficácia em monoterapia nas depressões psicóticas tem sido atribuída à alta afinidade pelos receptores sigma de tipo 1.





Tem-se amplamente utilizado a fluvoxamina também no tratamento dos transtornos de ansiedade, entre eles o transtorno obsessivo-compulsivo, a ansiedade generalizada, a fobia social, o transtorno de estresse pós-traumático e os estados mistos de ansiedade e depressão, além da depressão maior com ansiedade co-mórbida.

Dos 104 pacientes que iniciaram um estudo com fluvoxamina na depressão maior, 81 (78%) concluíram o seguimento previsto, e 60 (58%) continuaram com a medicação após o término do estudo. Dos 23 pacientes que não concluíram o estudo, apenas dois o fizeram por indicação médica (efeitos adversos) e dois por alegada falta de eficácia.

Seis pacientes não retornaram para dar seqüência ao tratamento (perda de acompanhamento), e um deixou de se tratar por razões administrativas. Doze pacientes pediram para sair do estudo em virtude de supostos eventos adversos, sem que houvesse indicação médica para sua interrupção. Os resultados encontrados pelos pesquisadores sugere que a fluvoxamina é eficaz e segura no tratamento da depressão maior.

Fonte: scielo.br




Gentamicina e alterações renais


Um marco histórico dos aminoglicosídeos se deu na década de 60 com a descoberta da gentamicina. Todos os aminoglicosídeos têm o potencial de produzir toxicidade renal reversível ou irreversível. Os eventos bioquímicos que levam à lesão das células e à disfunção glomerular ainda não estão bem elucidados, mas podem envolver perturbações nas estruturas das membranas celulares.

Estudos remotos realizados com a microscopia óptica e o uso de uma pequena variedade histoquímica de corantes para a morfologia apontavam para as alterações produzidas pelos aminoglicosídeos nas células do túbulo proximal

Segundo Hanslik et al, a nefrotoxicidade da gentamicina nos túbulos contorcidos proximais se deve ao fato de que o fármaco é internalizado pelos lisossomos, causando liberação de enzimas hidrolases, conseqüentemente causando necrose das células e obstrução do túbulo proximal.

Um avanço nos métodos de análise e elucidações mais precisas sobre o envolvimento das estruturas lisossomais observado no estudo de Gurnani et al mostrou o acúmulo de gentamicina no interior dos lisossomos, inibindo a atividade das fosfolipases e esfingomielinases, causando a formação de corpos mielóides.

O inchaço e explosão dos lisossomos resultam na liberação de enzimas lisossomais e aminoglicosídeos, seguida de necrose das células do túbulo proximal, prejudicando as funções renais.

Fonte: Scielo




Tratamento farmacológico da dependência do álcool


O dissulfiram (DSF) foi a primeira intervenção farmacológica aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da dependência de álcool. Para o êxito do tratamento com DSF é importante que os pacientes estejam engajados em algum programa de tratamento.

O DSF oral supervisionado é eficaz quando incorporado a um tratamento que inclua uma abordagem de reforço comunitário; isto é, intervenções elaboradas com a finalidade de criar novas habilidades sociais por meio de aconselhamento, além de atividades de ressocialização (por ex.: clubes sociais) e recreacionais, que estimulem a abstinência.

É importante a adoção de estratégias que aumentem a aderência ao tratamento, tais como contratos sociais de contingência – que consistem em acordos terapêuticos entre o paciente e as pessoas envolvidas no seu tratamento, com o objetivo de determinar a supervisão da administração do medicamento por algum familiar. A efetividade do tratamento aumenta com essas intervenções.

O DSF é um inibidor irreversível e inespecífico de enzimas, que decompõe o álcool no estágio de acetaldeído. Ao inibir a enzima acetaldeído-desidrogenase (ALDH), ocorre um acúmulo de acetaldeído no organismo, levando à reação etanol-dissulfiram.

Fonte: scielo.br




Saccharomyces boulardii na terapêutica da diarreia aguda


Probióticos contendo Saccharomyces boulardii têm sido utilizados no tratamento de diarreias de etiologias diversas, incluindo infecciosa e inflamatória. Os mecanismos de ação e efeitos benéficos desses microrganismos no controle do quadro diarreico consistem na redução da hipersecreção de água e eletrólitos, estimulação da atividade de dissacaridases dos enterócitos, produção de aminopeptidases, secreção de IgA, atividade antitoxina, antiinflamatória, metabólica, e antimicrobiana.

Tais propriedades biológicas desses microrganismos não patogênicos permitem a sua utilização no tratamento de doenças gastrintestinais endêmicas especialmente em países em desenvolvimento com gastroenterites por rotavírus, diarreia dos viajantes, além de doenças inflamatórias intestinais como a doença de Crohn e colite ulcerativa.

Para que os efeitos terapêuticos de Saccharomyces boulardii ocorram, ainda que por diferentes mecanismos e etiologias infecciosas, a concentração desse probiótico deve ser adequada a cada fase da gastroenterite aguda.

A administração de Saccharomyces boulardii nas primeiras horas atua contrapondo o efeito do aumento de velocidade de trânsito intestinal e incrementando a quantidade de microrganismos terapêuticos presentes na luz intestinal, assim como seu tempo de permanência, permitindo que os efeitos terapêuticos sejam mais eficazes.

Fonte: Moreira Jr




Lamotrigina em transtornos do humor


Os ensaios clínicos realizados há 20 anos com a lamotrigina em pacientes com epilepsia já mostravam seu efeito benéfico sobre o humor. Seu papel no transtorno bipolar foi estabelecido no final da década de 90 e, desde então, lamotrigina tem sido indicada para o tratamento de manutenção em várias formas de transtorno bipolar em indivíduos acima de 18 anos de idade.

Lamotrigina é eficaz no tratamento do transtorno bipolar e previne tanto episódios maníacos como depressivos, o que levou à sua aprovação pelo FDA para tratamento de manutenção do transtorno bipolar em 2003. Contudo, é menos efetiva do que o lítio na prevenção de mania, mas tem menos efeitos adversos do que este.

Em um transtorno em que agentes terapêuticos como o lítio podem causar alterações renais e teratogenicidade, antipsicóticos de segunda geração são associados a ganho de peso e sedação, além de apresentarem custo elevado, valproato de sódio associado à sedação, queda de cabelos e síndrome dos ovários policísticos e, por fim, a carbamazepina à indução enzimática, o perfil de efeitos adversos da lamotrigina a torna uma opção terapêutica considerável.

Fonte: Moreira Jr


Mecanismos de resistência da Candida albicans aos antifúngicos


A resistência envolve mecanismos moleculares e pode ser intrínseca ou adquirida. A resistência intrínseca é uma característica fenotípica de determinada espécie de microrganismo e confere a ele a resistência inata antes da exposição deste ao antifúngico. Isso ocorre, por exemplo, com a espécie de C. krusei, que possui resistência intrínseca ao fluconazol.

A resistência adquirida ocorre em microrganismos que desenvolveram mutações após a exposição ao antifúngico e posteriormente houve a seleção, sobrevivência e proliferação daqueles mutantes resistentes. Fatores de transcrição mutantes contribuem com a formação de resistência microbiológica aos antifúngicos.

A resistência que ocorre em C. albicans inclui uma variação que tem como fundo a descendência clonal. A falta de recombinação sexual leva à aquisição de resistência a drogas através da plasticidade do genoma e aumento de taxas de mutação e de recombinação mitóticas. Entretanto, a resistência mediada por bombas de efluxo é uma das mais comuns.

Fonte: rbac.org.br


Pregabalina e dor ciática


A pregabalina é muito utilizada no tratamento da dor neuropática, ansiedade e fibromialgia. Um artigo recente publicado no New England Journal of Medicine examinou se o fármaco é eficaz na redução da dor crônica lombar tipo ciática.

Para o estudo, pesquisadores realizaram um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, de pregabalina em 207 pacientes com dor crônica lombar tipo ciática. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber uma dose de 150mg/dia de pregabalina ajustada para uma dose máxima de 600 mg/dia ou um placebo correspondente por até 8 semanas.

O desfecho primário foi a intensidade da dor na perna em uma escala de 10 pontos (com 0 indicando nenhuma dor e 10 a pior dor possível) na semana 8. A intensidade da dor também foi avaliada na semana 52, um ponto de tempo secundário para o desfecho primário. Os desfechos secundários incluíram a extensão da incapacidade, a intensidade da dor nas costas e as medidas de qualidade de vida em momentos pré-especificados ao longo de um ano. Um total de 106 pacientes receberam pregabalina e 101 receberam placebo.

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que o tratamento com pregabalina não reduziu significativamente a intensidade da dor na perna associada à compressão ciática e não melhorou significativamente outros resultados, em comparação com placebo, ao longo de 8 semanas. A incidência de eventos adversos foi significativamente maior no grupo de pregabalina, sugerindo que a escolha do fármaco nos casos de dor ciática precisa ser repensada.

Fonte: pebmed.com.br


Segurança do Naproxeno


Estudos demonstraram que o naproxeno foi considerado o analgésico mais seguro para pacientes que precisam usar anti-inflamatórios constantemente e são mais propensos a problemas cardiovasculares.

Entretanto, foram analisados também os efeitos adversos gastrointestinais e de aumento da pressão arterial do naproxeno comparando outros anti-inflamatórios não esteroides, que mostraram que o naproxeno teve índices um pouco aumentados em relação a outras opções de AINEs tradicionais, demonstrando que os riscos e os benefícios de cada fármaco devem ser avaliados para uma prescrição mais segura.

São considerados fatores de alto risco para hemorragia gastrointestinal: Grupo de idosos; Antecedentes pessoais de úlcera péptica; Utilização de corticosteroides sistêmicos; Utilização de anticoagulantes; Utilização concomitante de ácido acetilsalicílico; Infecção por H. pylori.

São considerados fatores de alto risco cardiovascular: Antecedentes pessoais de acidente vascular cerebral; Antecedentes pessoais de acidente isquêmico transitório; Antecedentes pessoais de síndrome coronária aguda; Angina estável; Antecedentes pessoais de revascularização arterial; Doença arterial periférica.

Fonte: editorarealize.com.br


Venlafaxina na depressão maior


Em estudo conduzido pela faculdade de medicina da UFMG, no qual comparou-se a velafaxina aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), tais como fluoxetina, paroxetina e outros, para o tratamento da depressão maior, ou transtorno depressivo maior (TDM), a venlafaxina foi associada a uma resposta mais evidente quanto à remissão de sintomas.

Na comparação com tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina e outros), a resposta ao tratamento à base de venlafaxina foi estimada como sendo maior, mas não diferindo de maneira estatisticamente significativa. Não se observaram diferenças quanto à taxa de remissão, embora os tricíclicos foram bem menos tolerados do que a venlafaxina, a qual possibilitou maior adesão ao tratamento.

Meta-análise do estudo forneceu evidências da eficácia clínica da venlafaxina de liberação controlada em alcançar a resposta terapêutica e a remissão em pacientes com depressão maior. A venlafaxina parece ser mais eficaz do que os ISRS e pelo menos tão eficaz quanto os tricíclicos, no tratamento de depressão maior. Além disso, a venlafaxina é eficaz na redução da recaída quando dada a longo prazo após episódio depressivo maior.

Fonte: Moreira Jr




Fibratos


Os fibratos, tais como o ciprofibrato, fenofibrato ou bezafibrato, são fármacos indicados, principalmente, no tratamento das hipertrigliceridemias endógenas, da disbetalipoproteinemia e de algumas das hiperlipidemias mistas, quando os níveis de triglicérides forem superiores a 500 mg/dL.

Mais recentemente, demonstrou-se a validade do uso de fibratos em pacientes com níveis baixos de HDL-C, mesmo com níveis considerados normais de colesterol total ou LDL-C, para pacientes em prevenção secundária da doença arterial coronariana (DAC) e, especialmente e em pacientes com diabetes mellitus ou síndrome metabólica.




Estes fármacos estimulam o receptor nuclear PPAR-alfa (peroxisome proliferator activated receptor), determinando múltiplas ações no metabolismo lipídico, como aumento da expressão de apo AI e AII, redução de apo CIII, aumento da lipase lipoproteica, entre outras ações. Dessa forma,aumentam a depuração de lipoproteínas ricas em triglicérides e favorecem o transporte reverso do colesterol, observando-se redução de VLDL-C e aumento do HDL-C.

Meta-análises de estudos que empregaram fibratos demonstraram que os fármacos têm efeito nulo nos desfechos cardiovasculares de longo prazo; no entanto, quando se analisaram separadamente os pacientes com níveis elevados de triglicéride e baixos de HDL-C, observou-se benefício semelhante ao encontrado com os inibidores da HMG-CoA redutase.

Assim, os novos guidelines europeus e americanos preconizam que os níveis de TG moderadamente elevados em indivíduos de alto risco devam ser tratados de maneira mais intensiva com medicamentos, de preferência os fibratos, uma vez que está estabelecendo maior associação entre hipertrigiliceridemia e doença cardiovascular (DCV).

Fonte: Moreira Jr


Relaçao entre Diabetes e Alzheimer


Com o envelhecimento, tanto o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). como a Doença de Alzheimer (DA) se tornam mais frequentes. Esta associação sempre intrigou os cientistas, principalmente após terem descoberto que as alterações nas células do sistema nervoso na população com DA são semelhantes às verificadas nas células do pâncreas que produzem insulina.

Descobertas neste campo incluem a informação de que o cérebro, além do pâncreas, também pode produzir insulina. Considerando esta hipótese, a ideia é a de que em ambas as doenças a insulina não faz seu trabalho adequadamente, resultando em maior grau de inflamação e lixo celular (substância beta amilóide). 

Pesquisadores têm mostrado que os diabéticos apresentam risco entre 50% a 65% maior de desenvolver DA do que um indivíduo de mesma idade não diabético. A resistência à insulina (RI), diagnosticada no exame médico através da medida da cintura abdominal, é apontada como o mecanismo básico que precede tanto o DM2 como a DA.

Este dado ajuda a entender porque alguns portadores de DA não são obrigatoriamente diabéticos. A RI cerebral pode ser mais grave do que a periférica, ou seja, o pâncreas consegue se recuperar da RI. O cérebro, por sua vez, perde progressivamente sua massa de células funcionante.

O conjunto de informações até aqui alcançadas foi suficiente para que a comunidade científica se referisse à RI associada à DA como uma nova forma de Diabetes Mellitus, recebendo a designação de tipo 3.

Fonte: institutoalzheimerbrasil.org.br




Testes para nova opção terapêutica contra Herpes


O vírus do herpes simples (HSV-1) é um dos mais comuns na população mundial. Tem contágio fácil, pois ocorre por meio de fluidos corporais, como a saliva; e poucas opções terapêuticas disponíveis. Por isso, cientistas buscam criar medicamentos com potencial para melhorar o combate a esse micro-organismo. Nessa linha, uma equipe americana encontrou uma substância capaz de eliminar o patógeno em células humanas e de ratos. Os resultados promissores foram publicados na última edição da revista Science Translational Medicine e poderão render opções de tratamento para outros subtipos da enfermidade.

Os investigadores explicam que, além da oferta limitada no tratamento do herpes, outro problema enfrentado no combate à doença é a resistência dos remédios prescritos. Os medicamentos disponíveis para tratar a infecção HSV-1 impedem o vírus de produzir proteínas que se replicam, conhecidas como análogos de nucleósidos. O uso contínuo dessas substâncias, porém, tem reduzido o efeito delas.

Segundo Deepak Shukla, professor de microbiologia e imunologia na Universidade de Illinois (EUA), essa é uma demanda antiga. Precisamos de medicamentos alternativos, que funcionem em novos alvos, porque os pacientes que desenvolvem resistência aos análogos de nucleósidos têm poucas opções eficazes para tratar a infecção. Shukla e a equipe resolveram estudar a molécula BX795, usada em experimentos científicos diversos. Ela age como um inibidor da TBK1, uma enzima envolvida na inflamação.

A substância foi aplicada em células da córnea humana e de ratos contaminadas pelo vírus do herpes simples, e os resultados foram extremamente positivos: a BX795 “limpou” as células infectadas. “Nós encontramos uma molécula que funciona de uma maneira totalmente nova. Em vez de trabalhar com o vírus, funciona nas células hospedeiras e ajuda a limpá-lo”, explicou Shukla.

Fonte: correiobraziliense.com.br




Descoberta de novo antibiótico


Pesquisadores da Rockefeller University, em Nova York, descobriram em amostras do solo recolhidas em diversos pontos dos Estados Unidos uma nova família de antibióticos com potencial para combater infecções difíceis de tratar na atualidade..

Testes realizados mostraram que os compostos naturais, chamados de malacidins, foram capazes de debelar uma série de doenças bacterianas que se tornaram resistentes à maioria dos antibióticos disponíveis, entre elas as que são causadas pela cepa MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina, traduzindo a sigla).

De acordo com a opinião de especialistas, a descoberta renova esperanças relacionadas à busca de antibióticos mais eletivos. Resistências bacterianas representam um problema grave no mundo todo, com números que atingem a casa dos 700mil óbitos anuais. Deste modo, há pressa para a descoberta de novos tratamentos.

Fonte: noticias.uol.com.br/ciencia




Amoxicilina x Acetilcisteína


Amoxicilina é uma penicilina com ação bactericida, pertencente ao grupo dos antimicrobianos beta-lactâmicos. Age por meio da inibição da síntese de parede celular nos agentes patógenos.

Acetilcisteína é um fármaco com atividade mucolítico-fluidificante das secreções mucosas e mucopurulentas, indicado como expectorante.

INTERAÇÃO: Há possibilidade de aumento na biodisponibilidade do antimicrobiano, decorrente de interferência direta na velocidade de absorção, em caso de administração simultânea. A implicação disso consiste no fato de não se garantirem os níveis séricos desejados da amoxicilina até o horário da próxima dose, prejudicando, assim, a posologia recomendada. A fim de que um problema neste sentido seja evitado, a recomendação é a de intervalo de 2h entre as doses do antimicrobiano e do mucolítico.




Eficácia da memantina na doença de Alzheimer


A memantina é um fármaco antagonista, não-competitivo, voltagem-dependente do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA), que bloqueia os efeitos patológicos dos níveis elevados de glutamato. Os achados sugerem que os pacientes com doença de Alzheimer (DA) de estágios moderado a grave podem experimentar benefícios com o tratamento antiglutaminérgico, diminuindo a progressão da deterioração característica da doença, principalmente no que diz respeito à atividade da vida diária.

A utilização da memantina, na dose de 20mg por dia, pode reduzir tempo e custo dos gastos por parte dos cuidadores e, ao mesmo tempo, melhorar os domínios global, funcional e comportamental dos pacientes portadores de DA. A eficácia, a segurança e a tolerabilidade do uso da memantina em pacientes portadores de DA nos estágios de moderado a grave foram demonstradas na avaliação dos quatro estudos selecionados.

Artigos analisados evidenciaram benefícios do uso da memantina nas doses de 10mg ou 20mg ao dia, quando comparada com o placebo, apresentando melhora da capacidade funcional, das atividades da vida diária e dos distúrbios comportamentais, com diferenças estatisticamente significativas. A melhora da cognição, entretanto, não foi superior à do placebo em dois estudos.

A memantina aumenta a autonomia do paciente portador de DA, principalmente na habilidade de levantar-se, mover-se de forma independente, tomar banho ou ir ao banheiro, vestir-se, orientar-se no espaço, realizar atividades em grupos e interessar-se por hobbies. Portanto as pressões e o estresse sofridos pelo cuidador diminuirão, bem como o tempo gasto com o paciente e o risco de depressão, aumentando então a sua qualidade de vida.

Fonte: scielo.br




Antimicrobianos em infeccções urinárias


A escolha do antibiótico deve levar em consideração o espectro de ação contra os prováveis agentes, as contraindicações específicas, os efeitos colaterais e o custo do tratamento. Seguem considerações sobre algumas opções terapêuticas:


Sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP): é uma boa opção para tratamento empírico de infecções urinárias, desde que não haja evidências de resistência bacteriana. Em áreas com alta incidência de resistência bacteriana e em situações que predizem essa possibilidade, como uso prévio ou frequente de antimicrobianos, a SMX-TMP deixa de ser boa opção ou, pelo menos, deve ser usada com cautela.

Fluoroquinolonas: possuem excelente atividade e tolerância. As fluoroquinolonas de terceira geração (levofloxacino e gatifloxacino) permitem o tratamento seguro de infecções com doses únicas diárias, o que aumenta a adesão e a tolerabilidade dessas drogas. Porém, o uso irrestrito dessa classe de medicamentos em ambiente hospitalar tem ocasionado um aumento importante na incidência de resistência bacteriana às fluoroquinolonas. Atualmente, os dois principais fatores associados às infecções urinárias resistentes são a instrumentação do trato urinário e o uso recente de antibióticos quinolônicos.

Nitrofurantoína: é uma droga com boa atividade que possui pouca resistência bacteriana, tornando-se ótima opção em pacientes que fizeram uso recente de outro antibiótico. Seu maior problema é o uso necessariamente prolongado e a consequente repercussão gastrointestinal.

Fonte: Moreira Jr




Dados farmacológicos do Nebivolol


O nebivolol é um betabloqueador altamente seletivo para o receptor β1 com uma ação adicional de vasodilatação mediada pela maior liberação de óxido nítrico. Essa combinação de ações não somente potencializa a redução da pressão, como também leva a um perfil hemodinâmico favorável, que é clinicamente relevante para o tratamento de pacientes hipertensos.

Entre os betabloqueadores em uso, é o que apresenta maior afinidade pelo receptor β1 adrenérgico. Parece, também, ter melhor perfil metabólico que os betabloqueadores mais antigos.

Novos estudos focando as propriedades vasodilatadoras do nebivolol demonstraram que: a) seu efeito anti-hipertensivo é acompanhado pela ação vasodilatadora, observada após dose única e crônica de 5 mg/dia; b) a vasodilatação pode ser documentada sistemicamente, em vários leitos regionais, e é acompanhada por aumento da distensibilidade arterial de pequenas artérias; c) o aumento das concentrações de óxido nítrico não é apenas por aumento da síntese via arginina, mas também pela preservação do óxido nítrico da degradação oxidativa.

O perfil hemodinâmico favorável do nebivolol (preservação do débito cardíaco, redução da resistência periférica e melhora da função diastólica) parece ter benefícios clinicamente relevantes sobre a função sistólica e a diastólica prejudicadas, que são complicações frequentemente observadas na doença hipertensiva.

Fonte: departamentos.cardiol.br




Avaliação de Hedera helix como expectorante


Uma pesquisa clínica com Hedera helix analisou amostra inicial de 6.025 pacientes, sendo que 175 (2,9%) tiveram o tratamento descontinuado. Dos 5.850 pacientes tratados corretamente, 5.780 (98,8%) apresentaram tosse na 1ª consulta.

Analisando a amostra geral, segundo o teste de McNemar, verificou-se que a queda de 93,4% no sintoma tosse da 1ª consulta (98,8%) para a 2ª consulta (5,4%) foi altamente significativa. Dos 5.780 pacientes com tosse na 1ª consulta, 94,6% registraram ausência e 5,4%  apresentaram tosse inalterada ou piorada na 2ª consulta. Não se verificou existe diferença significativa no percentual de melhora entre sexos ou faixas etárias.

Observou-se também que 311 pacientes permaneceram com tosse e houve modificação significativa no tipo de tosse. Neste subgrupo dos 71 pacientes que apresentavam tosse seca na 1ª consulta, 7,0% persistiram com este tipo de tosse, 40,9% passaram a apresentar tosse produtiva e 52,1% tosse paroxística. Dos 200 pacientes com tosse produtiva na 1ª consulta, 11,5% passaram a apresentar tosse seca, 26,5% mantiveram tosse produtiva e 62% passaram para tosse paroxística. Dos 23 pacientes com tosse paroxística na 1ª consulta, 4,3% passaram a apresentar tosse seca, 60,9% tosse produtiva e 34,8% tosse paroxística na 2ª consulta.

Embora novos estudos sejam necessários para confirmar os resultados obtidos como sendo decorrentes da intervenção efetuada, afirmou-se que os pacientes que receberam tratamento com Hedera helix tiveram excelentes desfechos clínicos, não só quando analisado o sintoma tosse, mas também quando analisada a evolução da secreção pulmonar, traduzida pela tríade propedêutica roncos, sibilos e expectoração. Além disso, a tolerabilidade geral ao medicamento foi excelente e a ocorrência de efeitos adversos, mínima.

Fonte: Moreira Jr




Carbamazepina - Farmacodinâmica


A carbamazepina (CBZ) é um bloqueador neuronal dos canais de sódio voltagem dependentes que atua estabilizando a hiperexcitação das membranas das células nervosas. Age também inibindo as descargas neuronais repetitivas e reduzindo a propagação dos impulsos excitatórios sinápticos dos neurônios despolarizados via bloqueio dos canais de sódio voltagem dependentes.

Alguns autores sugerem que a CBZ também estimula a liberação do hormônio antidiurético, promovendo também outras ações secundárias, tais como: efeitos anticolinérgicos, antidepressivos, miorelaxante e antiarrítmico. No entanto, seu mecanismo exato de ação anticonvulsivante ainda não foi completamente esclarecido; estudos sugerem que esta pode deprimir a atividade do núcleo ventral anterior do tálamo, entretanto o significado deste efeito ainda não está completamente demonstrado na literatura.





Como antineurálgico pode atuar no Sistema Nervoso Central (SNC) diminuindo a transmissão sináptica ou a adição da estimulação temporal que origina descargas neuronais. Devido ao influxo de sódio, pode ser observado na célula neuronal o início da propagação do potencial de ação, e os neurônios que apresentam uma maior freqüência excitatória de disparo reduzem a sua atividade

A CBZ pode exercer efeito potencializador da ação neuronal GABAérgica, por meio da inibição da geração dos potenciais de ação. A ação do GABA inibe diversos sistemas de neurotransmissão, funcionando como um depressor do SNC.

Enquanto a redução da liberação de glutamato e a estabilização das membranas neuronais podem contribuir principalmente para os efeitos antiepilépticos, a literatura sugere que a CBZ atua também em nível pré-sináptico, diminuindo a neurotransmissão sináptica. Acredita-se que este efeito é provavelmente responsável pela sua ação anticonvulsivante. Por sua vez, os efeitos depressivos sobre o "turnover" da dopamina e da noradrenalina podem ser responsáveis pelas suas propriedades antimaníacas.

Fonte: Revista Eletrônica de Farmácia (Vol. VII)




Omeprazol x Levotiroxina


Omeprazol é um inibidor da bomba de prótons (H+K+ATPase) utilizado no tratamento de patologias que exigem a redução da secreção gástrica.

Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: Se estes dois fármacos forem utilizados simultaneamente, há risco de variação dos níveis de TSH (com redução ou elevação) O mecanismo da interação é justificado pela redução na secreção de ácido gástrico, gerando como consequência a possibilidade de menor absorção do hormônio tireoidiano.




Hidroxizina e Ansiedade


Existem vários relatos sobre o emprego de fármacos anti-histamínicos no tratamento de sintomas de ansiedade. Entre eles, a hidroxizina, um antagonista H1, parece ser o melhor avaliado. Estudos mais antigos, com vários problemas metodológicos (particularmente quanto ao emprego de um critério diagnóstico padronizado), já sugeriam efeito ansiolítico atribuído à hidroxizina.

Mais recentemente, estudo controlado com pacientes com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) indicou o efeito ansiolítico da hidroxizina, em comparação com o placebo, já na primeira semana de tratamento. Este efeito foi mantido durante quatros semanas, não sendo observados sintomas de retirada até uma semana após descontinuidade abrupta.

Os sintomas mais sensíveis à hidroxizina são do grupo da ansiedade psíquica (irritabilidade, apreensão, dificuldades de concentração e de contatos sociais). Houve uma boa tolerabilidade, sendo o efeito colateral mais comum a sonolência (28% dos pacientes), que diminui com a manutenção do tratamento.

Fonte: uesb.br




Lorazepam na prevenção de crises convulsivas relacionadas ao uso de álcool


O abuso de álcool é uma das principais causas de crises convulsivas de início na vida adulta. Em geral, tais crises iniciam-se após a parada ou diminuição do uso do álcool em indivíduos com ingestão abusiva prévia. As explicações para esta relação com o álcool não são completamente conhecidas. Autores já relataram a frequência de eventos deste tipo em até 10% dos indivíduos dependentes do álcool e que interrompem ou diminuem o uso da bebida.

Existem medicações que abortam as crises e também as previnem, dentre elas os benzodiazepínicos (classe de medicamentos com funções ansiolíticas, hipnóticas e anticonvulsivantes) são os mais utilizados. Pesquisadores realizaram um estudo com o intuito de quantificar a eficácia do lorazepam, um benzodiazepínico, para o tratamento e prevenção das crises desencadeadas por álcool.

Os indivíduos que participaram da pesquisa foram aleatoriamente divididos em dois grupos: um que recebeu a medicação (grupo do lorazepam) e outro que recebeu um placebo (grupo placebo). Os participantes foram selecionados a partir de dois serviços de emergência em Boston (USA) no decorrer de um ano.

Dos 186 pacientes estudados, 100 receberam a medicação e os demais, placebo. No grupo do lorazepam, apenas 3 (3% do total) pacientes apresentaram uma nova crise após o uso do mesmo, enquanto no grupo placebo a recorrência deu-se em 21 (24% do total) pacientes. Outro dado: 42% dos pacientes do grupo placebo permaneceram internados enquanto no grupo da medicação este número foi de 29%.

Fonte: cisa.org.br




Combinações duplas na farmacologia da hipertensão


Inibidores do sistema renina angiotensina + diuréticos

A combinação de um inibidor da enzima conversora de angioetnsina (IECA) ou de um bloqueador de receptores de angiotensina II (BRA) com um diurético tiazídico (hidroclorotiazida, clortalidona ou indapamida) em baixas doses resulta em efeito adicional significativo na redução da PA. A associação atenua ainda a ativação reflexa do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) pelos diuréticos e a hipocalemia em pacientes suscetíveis.

Inibidores do sistema renina angiotensina + antagonistas dos canais de cálcio

Essa combinação resulta em uma redução significativa da PA e melhora, pela ação simpaticolítica e venodilatadora dos IECA ou BRA, a tolerabilidade aos antagonistas dos canais de cálcio (ACC), atenuando a taquicardia reflexa e o edema periférico causado pela ação arteriolodilatadora predominante deste grupo.

Antagonistas de canais de cálcio + diuréticos tiazídicos

A combinação desses fármacos resulta em efeito aditivo com pequena repercussão na PA, provavelmente pela sobreposição de seus efeitos farmacológicos. Os ACC aumentam a excreção renal de sódio, embora não com a mesma potência que os diuréticos. Em longo prazo, ambos demonstraram vasodilatação sem depleção de volume.





Betabloqueadores + diuréticos tiazídicos

Embora os betabloqueadores (BB) tenham demonstrado a capacidade de reduzir desfechos clínicos em estudos placebo controlados, meta-análises (principalmente com atenolol) sugerem que os BB são menos efetivos que os diuréticos, IECA, BRA e ACC. Como os IECA e BRA, os BB atenuam a ativação do SRAA induzida pelos diuréticos resultando, portanto, em uma redução adicional da PA.

Diuréticos tiazídicos + diuréticos poupadores de potássio

A associação fixa de hidroclorotiazida ou clortalidona com a amilorida é capaz de potencializar ainda mais a redução nos níveis pressóricos preservando os níveis plasmáticos de potássio, o que é muito interessante no tratamento anti-hipertensivo em virtude das ações vasodilatadoras do potássio, além de reduzir a incidência de hipocalemia.

Antagonistas dos canais de cálcio + betabloqueadores

Os efeitos farmacológicos dessas duas classes são complementares na redução da PA. No estudo M-FACT (Metoprolol Succinate-Felodipine Antihypertension Combination Trial), a combinação de baixas doses de anlodipino e metoprolol resultou em redução da PA comparável às doses máximas de cada um isoladamente, com incidência de edema similar ao placebo.

Fonte: arquivosonline.com.br




Dados da relação entre omeprazol e câncer de estômago


Há algum tempo, sugeriu-se que o uso prolongado do omeprazol aumenta o risco de lesões gástricas pré-malignas, como pólipos, atrofia e metaplasia intestinal (transformação da mucosa gástrica em outra de tipo intestinal), assim como de câncer de estômago.

Alguns estudos demonstraram que o risco de câncer de estômago cresce até 43% entre as pessoas que utilizam o omeprazol durante muito tempo, embora não se tenha levado em conta o possível papel da infecção pelo H. pylori nesse processo (demonstrou-se que a erradicação dessa bactéria reduz o risco de desenvolver câncer gástrico, embora uma proporção considerável desses indivíduos possa progredir para o câncer de estômago mesmo depois de eliminá-la).

Um estudo recente, publicado em 31 de outubro de 2017 na prestigiosa revista inglesa Gut, conclui que o uso prolongado do omeprazol (e outros fármacos do grupo) está associado a um risco de câncer gástrico 2,4 vezes maior em indivíduos que tiveram a H. pylori eliminada (sendo ainda maior em quem continuava infectado).





O estudo também confirmava que o risco de câncer de estômago aumentava conforme a dose e a duração do uso desse tipo de fármaco, recomendando que os médicos tenham cuidado e rigor ao receitar omeprazol de forma prolongada aos pacientes, inclusive para aqueles nos quais o H. pylori já foi erradicado.

Diante disso, e sempre pensando na segurança dos pacientes, cada vez mais se tende a desprescrever o omeprazol, ou seja, a reduzir a dose, suspendê-lo ou usar uma dose “sob medida” em adultos que tenham completado um mínimo de quatro semanas de tratamento.

Em termos gerais, os benefícios do tratamento com omeprazol, tanto em curto como em longo prazo, superam os possíveis riscos ou efeitos secundários, desde que a indicação clínica da sua administração, a dose e duração do tratamento sejam adequadas.

Fonte: El País




Paracetamol durante gravidez é associado ao risco de TDAH


O uso de paracetamol na gestação pode estar associado ao aumento no risco de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), afirmam os autores de um grande estudo prospectivo.

"O uso prolongado de paracetamol durante a gravidez está relacionado a um aumento de mais de duas vezes no risco de TDAH no feto", após ajustar para fatores de risco genéticos, indicações para o uso de paracetamol pela mãe, uso do medicamento antes da gravidez e outros potenciais fatores. O estudo tem como autor principal Eivind Ystrom (e colaboradores) em artigo publicado na edição de novembro de 2017 do jornal Pediatrics.

Por outro lado, o uso de paracetamol por menos de oito dias durante a gravidez foi associado à redução do risco de TDAH, sugerindo que o efeito antipirético "poderia ser benéfico em relação ao desenvolvimento fetal", acrescentam os autores.

Em um comentário associado, o Dr. Mark L. Wolraich, que não esteve envolvido no estudo, adverte que esses resultados não estabelecem uma relação causal entre a exposição pré-natal ao paracetamol e o risco de TDAH", mas sugerem a possibilidade e aumentam a necessidade de um estudo mais aprofundado e uma consideração mais cautelosa do uso de paracetamol durante a gravidez".

Fonte: portugues.medscape.com




Ezetimiba - Farmacologia


Ezetimiba é um inibidor da absorção do colesterol que é glucuronidado no fígado após sua rápida absorção nos enterócitos, onde juntamente com os seus metabólitos, exerce as suas ações hipolipidêmicas, reduzindo a absorção do colesterol através da inibição do transporte por enzimas transportadoras específicas.

O fármaco pode ser utilizado uma vez ao dia, em função de sua meia-vida plasmática prolongada e normalmente é muito bem tolerada. A eliminação da ezetimiba e de seus metabólitos é feita principalmente pela excreção fecal. Em geral, o uso da ezetimiba isolada promove modestos efeitos no LDL plasmático, entretanto, quando combinada às estatinas, importantes mudanças no perfil lipídico podem ser observadas.

A ezetimiba tem a característica de ser rapidamente captada pelas células intestinais após ingestão oral quando passa a sofrer processo de glucuronidação na parede intestinal originando um metabolito glucuronideo farmacologicamente ativo. Nesta forma ela é absorvida e atinge concentração plasmática máxima cerca de 1 hora após, quando então é captada pelo fígado e retorna à luz intestinal ,onde vai permanecer na borda vilosa dos enterócitos, bloqueando a captação dos esteróis.

Sua meia vida plasmática apresenta uma variabilidade de duração efetiva idade-dependente, alcançando maior permanência plasmática nos indivíduos mais idosos. Entretanto, apesar do discreto aumento da sua absorção quando ingerida conjuntamente com a alimentação, não se observou diferenças da concentração plasmática de ezetimiba com o índice de massa corporal ou mesmo com o sexo dos indivíduos.

Fonte: scielo.br




Alcaloides


Alguns compostos presentes nas folhas e flores das plantas que lhes conferem um gosto bastante amargo são chamados de alcaloides, que significa “semelhante aos álcalis”, pois eles são alcalinos, isto é, básicos.

Os alcaloides são compostos derivados das aminas (compostos obtidos pela substituição de um ou mais hidrogênios da amônia – NH3). Mais especificadamente, os alcaloides são aminas de cadeia fechada que possuem o nitrogênio entre carbonos do ciclo. Apesar de serem de origem vegetal, os alcaloides podem também ser sintetizados em laboratório.

Um dos alcaloides mais antigos empregados pelo homem é a morfina, extraída da flor da papoula (Papaver somniferum). Essa planta originou o ópio, que já era prescrito para pacientes desde meados de 400 a.C. Outros exemplos de fármacos alcaloides bastante empregados são a atropina, papaverina e escopolamina, por sua atividade anticolinérgica.

Outros exemplos de substâncias alcaloides são: nicotina - extraída das folhas do tabaco, que são mascadas e também usadas para produzir o fumo presente nos cigarros; cocaína - extraída das folhas da coca cultivadas principalmente na Colômbia, Peru e Bolívia. São folhas mascadas para combater o cansaço, já tendo sido usadas também como medicamento e ingrediente de bebidas. Atualmente a cocaína é conhecida como droga de abuso; cafeína - presente no chá preto e no café, agindo como estimulante do sistema nervoso central.

Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br




Alprazolam no transtorno do pânico


A revisão de estudo realizado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal São Paulo confirma e reforça achados de vários ensaios clínicos sobre a eficácia e da tolerabilidade do alprazolam no tratamento do transtorno do pânico (TP).

Os pesquisadores afirmaram que o alprazolam é um fármaco efetivo para o tratamento do TP, sendo mais efetivo e mais aceito, medida esta através dos números de abandonos, que o placebo. O alprazolam foi tão efetivo quanto a imipramina, mas tem uma aceitabilidade superior. Em contraste, não foram encontradas diferenças entre o alprazolam e outros benzodiazepínicos estudados, tanto em relação à eficácia quanto à aceitação.





Embora alguns críticos possam ser contrários ao uso do alprazolam como fármaco de primeira linha para o tratamento do TP, recentemente o interesse sobre esta opção tem sido pesquisado. Bruce et al mostraram que ainda é o fármaco mais prescrito para o tratamento do TP por psiquiatras norte-americanos, mesmo após a introdução dos inibidores seltivos da recaptação de serotonina (ISRS). 

Apesar de serem os ISRS os fármacos de primeira linha descritos nos manuais de condutas clínicas, não existem na literatura ensaios clínicos controlados e randomizados comparando estes com o alprazolam ou outro benzodiazepínico de alta potência como o clonazepam, por exemplo.

O alprazolam é o benzodiazepínico de alta potência mais estudado no tratamento do TP. Sua ação rápida, assim como a melhor tolerabilidade, provavelmente o tornam mais aceitável aos pacientes. Estas são características que podem justificar o alto número de prescrições para tratamento da referida condição clínica.

Fonte: Moreira Jr




Domperidona é associada a riscos cardíacos graves


Alguns estudos epidemiológicos demonstraram que a domperidona está associada ao aumento do risco de arritmia ventricular grave e morte cardíaca súbita. Esses riscos podem ser mais significantes em pacientes com idade superior a 60 anos e em pacientes que recebem doses orais diárias superiores a 30 mg.

Embora a domperidona seja muito prescrita para o tratamento de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), tal abordagem terapêutica tem fundamento em limitadas evidências científicas; nestes casos, recomenda-se o uso de um inibidor da bomba de prótons (ex.: omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol) ou antagonista do receptor H2 (ex.: ranitidina, famotidina).





De acordo com La Revue Prescrire, uma revista francesa independente de renome internacional, é inaceitável expor pacientes com simples refluxo gastresofágico ou náusea e vômito a um risco de arritmia ventricular grave e morte súbita; por isso, o uso de domperidona deveria ser evitado. 

Um alerta divulgado pela Health Canada (agência reguladora canadense), em março de 2012, já advertia sobre riscos cardíacos associados ao uso de domperidona. No alerta, os fabricantes deste medicamento informaram aos profissionais da saúde daquele país sobre os riscos e recomendaram início do tratamento com a menor dose possível em adultos. Se necessário, a dose pode ser aumentada com cautela até que se alcance o efeito esperado, na condição de o benefício do aumento superar os potenciais riscos ao paciente.

O alerta também ressaltou o aumento do risco de prolongamento do intervalo QT quando a domperidona é associada a inibidores da CYP3A4 (ex.: fluconazol, cetoconazol, eritromicina, etc) em razão do aumento da concentração plasmática do procinético.

Fonte: cff.org.br




Novo tratamento contra febre amarela é testado em SP e MG



Depois dos transplantes de fígado em pessoas que desenvolveram a forma grave da febre amarela, realizados no Hospital das Clínicas e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pacientes de São Paulo e de Minas Gerais começaram neste mês a receber tratamento com um remédio para hepatite C, técnica que será estudada por pesquisadores dos dois Estados para ver se é possível começar a tratar a doença utilizando medicamentos. Não há tratamento específico para a doença.

“Percebeu-se que o vírus da febre amarela é do mesmo grupo do vírus da hepatite C, que se beneficiou muito com o tratamento. A primeira possibilidade foi avaliar se era possível fazer a mesma coisa com o vírus da febre amarela”, explica o secretário de Estado da Saúde David Uip.

Nesta fase inicial, a oferta está sendo feita por meio do uso compassivo. “É quando um laboratório consente usar o remédio para outra definição, o pesquisador acha que vai dar certo e quando o paciente e seus familiares permitem que isso seja feito. Está ocorrendo neste mês de janeiro em alguns hospitais do Estado de São Paulo e também de Minas Gerais. Percebeu-se que pode ser uma alternativa e isso está sendo transformado em um protocolo de pesquisa”, diz o secretário.

Segundo ele, todas as fases do protocolo clínico voltado para o uso desses medicamentos para casos de febre amarela serão realizadas, como os testes e a análise pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), mas que o objetivo é que haja agilidade na pesquisa. “Todas as etapas serão respeitadas.” O estudo será realizado pela Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Infectologia Emílio Ribas e um hospital de Minas.

Fonte: exame.abril.com.br




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