Dados da relação entre omeprazol e câncer de estômago


Há algum tempo, sugeriu-se que o uso prolongado do omeprazol aumenta o risco de lesões gástricas pré-malignas, como pólipos, atrofia e metaplasia intestinal (transformação da mucosa gástrica em outra de tipo intestinal), assim como de câncer de estômago.

Alguns estudos demonstraram que o risco de câncer de estômago cresce até 43% entre as pessoas que utilizam o omeprazol durante muito tempo, embora não se tenha levado em conta o possível papel da infecção pelo H. pylori nesse processo (demonstrou-se que a erradicação dessa bactéria reduz o risco de desenvolver câncer gástrico, embora uma proporção considerável desses indivíduos possa progredir para o câncer de estômago mesmo depois de eliminá-la).

Um estudo recente, publicado em 31 de outubro de 2017 na prestigiosa revista inglesa Gut, conclui que o uso prolongado do omeprazol (e outros fármacos do grupo) está associado a um risco de câncer gástrico 2,4 vezes maior em indivíduos que tiveram a H. pylori eliminada (sendo ainda maior em quem continuava infectado).





O estudo também confirmava que o risco de câncer de estômago aumentava conforme a dose e a duração do uso desse tipo de fármaco, recomendando que os médicos tenham cuidado e rigor ao receitar omeprazol de forma prolongada aos pacientes, inclusive para aqueles nos quais o H. pylori já foi erradicado.

Diante disso, e sempre pensando na segurança dos pacientes, cada vez mais se tende a desprescrever o omeprazol, ou seja, a reduzir a dose, suspendê-lo ou usar uma dose “sob medida” em adultos que tenham completado um mínimo de quatro semanas de tratamento.

Em termos gerais, os benefícios do tratamento com omeprazol, tanto em curto como em longo prazo, superam os possíveis riscos ou efeitos secundários, desde que a indicação clínica da sua administração, a dose e duração do tratamento sejam adequadas.

Fonte: El País




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os artigos mais populares