Saúde da população ou saúde financeira do negócio?


O título deste texto foi motivado pela reflexão diante do cenário que podemos observar, considerando a necessidade que a população tem de cuidados à saúde e de quem ela depende para acesso aos tratamentos. Seguem algumas palavras a respeito da atuação de indústrias farmacêuticas e drogarias, tendo em vista a grande expectativa da população sobre o correto funcionamento destas instituições, já que seus produtos geram recuperação e manutenção da saúde.

Atualmente há uma série de medicamentos descontinuados por seus fabricantes, os quais nos oferecem o argumento de precisarem investir mais em pesquisas para inovações. Sem dúvida isso é importante e desejamos que as pesquisas sejam constantes, gerando resultados para acesso a novos tratamentos. Contudo, as inovações são proporcionais às descontinuações?

O que verdadeiramente está em foco? A preocupação com a saúde da população, de modo a  mostrar que um medicamento deixou de ser encontrado nas drogarias por haver substituto mais eficaz ou a preocupação com a viabilidade de manter um produto em prateleira, quando este já não é tão lucrativo quanto antes?

Quando se retira do mercado um anti-hipertensivo, por exemplo, sendo que se tratava de um medicamento consumido por um paciente idoso, sabemos que ele terá resistência para aceitar que o genérico, ou mesmo outra marca, será exatamente igual. Uma mudança como essa, sem partir da conduta médica, é impactante aos pacientes em condição mais delicada, os quais não desejam adaptações a essa altura da vida.




E quanto às drogarias? Bem, a pergunta frequentemente colocada entre os integrantes de uma equipe de loja não é "quantas pessoas atendemos em suas necessidades hoje?", mas "quanto vendemos hoje?". Isso diz bastante sobre onde está o foco das empresas, ou pelo menos sobre como as pessoas que atuam neste segmento são treinadas.

É claro que nós compreendemos que nenhum negócio se mantém sem visão estratégica, incluindo todas as medidas que geram o crescimento constante; isso é, em realidade, a única forma de sua manutenção no mercado, gerando empregos e tudo o mais. Contudo, oferecemos saúde e os números são consequência disso ou temos os números como objetivo e a saúde como aquilo que os produzem? Esta é, essencialmente, a pergunta que poderia (ou deveria) visitar nossas reflexões.

Então, para finalizar, retomemos a pergunta que entitula o texto: "saúde da população ou saúde financeira do negócio?". Uma boa resposta a esta pergunta seria "ambos", de modo que a visão comercial não se sobreponha à área sobre a qual a permite atuar. Um comércio literário, por exemplo, deve respeitar a literatura, mantendo-a em foco. Sendo o nosso assunto a saúde, nem se fala na importância do foco sobre ela.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os artigos mais populares