O que o uso de antibióticos em fazendas e a globalização têm a ver com as resistências bacterianas?


As fazendas, de modo geral, são verdadeiros campos de treinamento para as bactérias. Por um lado, a aglomeração de animais facilita as infecções que requerem uso frequente e maciço de antibióticos. Além disso, esses medicamentos são usados, em pequenas doses, para engordar os animais.

Esses tratamentos banalizados são uma forma involuntária de vacinar as bactérias, permitindo que se familiarizem com um medicamento que, em tese, deveria acabar com elas. Os microrganismos que sobrevivem costumam fazê-lo por meio de mutações que lhes conferem resistência aos antibióticos.




O fenômeno da globalização está influenciando na difusão internacional de resistências, que viajam junto com as pessoas ao redor do mundo. “Há bactérias resistentes originárias da Índia, por exemplo, que chegam à Grã-Bretanha”, assinala Juan Pablo Horcajada, chefe do setor de doenças infecciosas do Hospital del Mar de Barcelona.

A mobilidade humana afeta a eficiência das normas criadas para controlar o surgimento de resistências, como a proibição nos países mais desenvolvidos de se usar antibióticos em doses baixas para engordar os animais. As bactérias fortalecidas em países onde há menos cuidado podem viajar em pouco tempo para aqueles que adotam medidas de controle mais rigorosas.

Fonte: El País

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