Fluoxetina e alterações no peso corporal


Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) começaram a ser utilizados no início da década de 1980 para o tratamento da depressão. Pacientes tratados com fluoxetina, por menos de um ano, não só melhoravam da depressão como também perdiam peso.

É apontado que a serotonina (5-HT) tem um papel como regulador do apetite e da escolha de macronutrientes (hidratos de carbono, gorduras, proteínas). Concentrações altas de 5-HT nos núcleos hipotalâmicos mediais levam à redução do apetite e à preferência por alimentos protéicos. Baixos níveis de 5-HT neste local produzem aumento do apetite e preferência por hidratos de carbono. Por isso, ela tem sido postulada como agente anorexígeno, embora seu efeito na perda de peso a longo prazo não tenha sido demonstrado.

Foltin et al., em um estudo randomizado e controlado, investigaram o efeito a curto prazo do uso da fluoxetina na ingestão energética de indivíduos saudáveis mantidos em alojamento laboratorial. Estudou-se durante 16 dias a ingestão de dietas ricas em carboidrato ou em gordura, comparando-as com dieta controle que continha quantidades adequadas de macronutrientes, concomitantemente ou não ao uso de 40mg de fluoxetina.

Observou-se diminuição de ingestão energética em 400kcal pelo uso da fluoxetina, sem evidências de efeitos da droga na ingestão de carboidratos. O efeito observado foi a diminuição no número e na quantidade das refeições.

Entretanto, a longo prazo, a mudança de peso parece ser o oposto, com ganho de peso que, nem sempre, é relacionado ao efeito colateral do fármaco, mas à recuperação da depressão. Michelson et al. avaliaram os efeitos da fluoxetina durante 50 semanas de tratamento, em ensaio clínico randomizado e controlado, com maior tamanho amostral.

Observou-se modesta perda de peso nas primeiras 4 semanas e ganho ponderal similar para todos os pacientes (grupo que recebeu fluoxetina e grupo placebo), durante o tratamento. O ganho de peso foi relacionado à melhora da inapetência no início do estudo, devido à recuperação da depressão.

Fonte: scielo.br


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