Sobre a dipirona e suas complicações clínicas


Alguns levantamentos bibliográficos citam que a ação da dipirona é melhor quando comparada com outros AINEs, porém, como cita Diogo (2003), pode desencadear graves reações adversas a medicamentos (RAMs), como anemia aplástica, síndrome de Stevens-Johnson, Necrose Epidérmica Tóxica e Agranulocitose, que são raras, mas potencialmente fatais.

Sua comercialização foi proibida em alguns países, como Suécia e EUA, devido à incidência de agranulocitose, entretanto sua venda é liberada em países como o Brasil e México (DANIELI; LEAL 2003).

Conforme a base de dados utilizada pela OMS, VigiAccess®, as notificações de RAMs relacionadas com a dipirona, desde 1.968 até 2.015, a nível mundial, giram em torno de 15.000 e a maior prevalência é na Europa com 57% (8.365 casos), seguida pelas Américas 30% (4.433 casos). A Ásia, África e Oceania ocupam aproximadamente 13,40% no total (VIGIACCESS, 2015).

É notável a discrepância entre os valores, que pode estar relacionada, além das diferenças genéticas, com falhas nas notificações de RAMs ou nos diagnósticos, provavelmente em decorrência do despreparo dos profissionais de saúde e falta de orientação à população.

Em relação à intoxicação, no ano de 1998, a dipirona estava entre os 5 princípios ativos mais frequentes de toxicidade devido à erro de administração, erro de prescrição e automedicação (GANDOLFI; ANDRADE, 2006).




Devido à falta de consenso mundial sobre o seu consumo seguro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) realizou um debate conhecido como “Painel Internacional de Avaliação da Segurança da Dipirona”, sobre o esclarecimento dos aspectos de segurança da dipirona, comprovando casos de agranulocitose, porém verificou-se que a sua incidência era baixa. Como resultado, manteve-se então o seu status de venda livre (ANVISA, 2001).

Contudo, alguns autores questionam esse resultado, afirmando que o material que embasou o Painel é antigo e continha erros metodológicos, sendo necessária a realização de mais estudo para se obter um consenso real sobre os riscos e os benefícios do uso da dipirona.

Muitos casos de intoxicações em decorrência de medicamentos estão relacionados com a dipirona, em virtude da sua classificação de venda livre, facilitando a prática da automedicação, além da existência de falhas na prescrição.

Existem divergências quanto aos reais índices das reações adversas, principalmente sobre a agranulocitose e a falta de consenso referente ao uso seguro da dipirona, colocando em risco a saúde da população em geral. Então torna-se evidente a necessidade da realização de mais estudos epidemiológicos, principalmente onde o uso da dipirona é abundante.

Instagram: @interacaomedicamentosa

Fonte: saocamilo-sp.br


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