Tratamento farmacológico da dependência do álcool


O dissulfiram (DSF) foi a primeira intervenção farmacológica aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da dependência de álcool. Para o êxito do tratamento com DSF é importante que os pacientes estejam engajados em algum programa de tratamento.

O DSF oral supervisionado é eficaz quando incorporado a um tratamento que inclua uma abordagem de reforço comunitário; isto é, intervenções elaboradas com a finalidade de criar novas habilidades sociais por meio de aconselhamento, além de atividades de ressocialização (por ex.: clubes sociais) e recreacionais, que estimulem a abstinência.

É importante a adoção de estratégias que aumentem a aderência ao tratamento, tais como contratos sociais de contingência – que consistem em acordos terapêuticos entre o paciente e as pessoas envolvidas no seu tratamento, com o objetivo de determinar a supervisão da administração do medicamento por algum familiar. A efetividade do tratamento aumenta com essas intervenções.

O DSF é um inibidor irreversível e inespecífico de enzimas, que decompõe o álcool no estágio de acetaldeído. Ao inibir a enzima acetaldeído-desidrogenase (ALDH), ocorre um acúmulo de acetaldeído no organismo, levando à reação etanol-dissulfiram.

Fonte: scielo.br




Saccharomyces boulardii na terapêutica da diarreia aguda


Probióticos contendo Saccharomyces boulardii têm sido utilizados no tratamento de diarreias de etiologias diversas, incluindo infecciosa e inflamatória. Os mecanismos de ação e efeitos benéficos desses microrganismos no controle do quadro diarreico consistem na redução da hipersecreção de água e eletrólitos, estimulação da atividade de dissacaridases dos enterócitos, produção de aminopeptidases, secreção de IgA, atividade antitoxina, antiinflamatória, metabólica, e antimicrobiana.

Tais propriedades biológicas desses microrganismos não patogênicos permitem a sua utilização no tratamento de doenças gastrintestinais endêmicas especialmente em países em desenvolvimento com gastroenterites por rotavírus, diarreia dos viajantes, além de doenças inflamatórias intestinais como a doença de Crohn e colite ulcerativa.

Para que os efeitos terapêuticos de Saccharomyces boulardii ocorram, ainda que por diferentes mecanismos e etiologias infecciosas, a concentração desse probiótico deve ser adequada a cada fase da gastroenterite aguda.

A administração de Saccharomyces boulardii nas primeiras horas atua contrapondo o efeito do aumento de velocidade de trânsito intestinal e incrementando a quantidade de microrganismos terapêuticos presentes na luz intestinal, assim como seu tempo de permanência, permitindo que os efeitos terapêuticos sejam mais eficazes.

Fonte: Moreira Jr




Lamotrigina em transtornos do humor


Os ensaios clínicos realizados há 20 anos com a lamotrigina em pacientes com epilepsia já mostravam seu efeito benéfico sobre o humor. Seu papel no transtorno bipolar foi estabelecido no final da década de 90 e, desde então, lamotrigina tem sido indicada para o tratamento de manutenção em várias formas de transtorno bipolar em indivíduos acima de 18 anos de idade.

Lamotrigina é eficaz no tratamento do transtorno bipolar e previne tanto episódios maníacos como depressivos, o que levou à sua aprovação pelo FDA para tratamento de manutenção do transtorno bipolar em 2003. Contudo, é menos efetiva do que o lítio na prevenção de mania, mas tem menos efeitos adversos do que este.

Em um transtorno em que agentes terapêuticos como o lítio podem causar alterações renais e teratogenicidade, antipsicóticos de segunda geração são associados a ganho de peso e sedação, além de apresentarem custo elevado, valproato de sódio associado à sedação, queda de cabelos e síndrome dos ovários policísticos e, por fim, a carbamazepina à indução enzimática, o perfil de efeitos adversos da lamotrigina a torna uma opção terapêutica considerável.

Fonte: Moreira Jr


Mecanismos de resistência da Candida albicans aos antifúngicos


A resistência envolve mecanismos moleculares e pode ser intrínseca ou adquirida. A resistência intrínseca é uma característica fenotípica de determinada espécie de microrganismo e confere a ele a resistência inata antes da exposição deste ao antifúngico. Isso ocorre, por exemplo, com a espécie de C. krusei, que possui resistência intrínseca ao fluconazol.

A resistência adquirida ocorre em microrganismos que desenvolveram mutações após a exposição ao antifúngico e posteriormente houve a seleção, sobrevivência e proliferação daqueles mutantes resistentes. Fatores de transcrição mutantes contribuem com a formação de resistência microbiológica aos antifúngicos.

A resistência que ocorre em C. albicans inclui uma variação que tem como fundo a descendência clonal. A falta de recombinação sexual leva à aquisição de resistência a drogas através da plasticidade do genoma e aumento de taxas de mutação e de recombinação mitóticas. Entretanto, a resistência mediada por bombas de efluxo é uma das mais comuns.

Fonte: rbac.org.br


Pregabalina e dor ciática


A pregabalina é muito utilizada no tratamento da dor neuropática, ansiedade e fibromialgia. Um artigo recente publicado no New England Journal of Medicine examinou se o fármaco é eficaz na redução da dor crônica lombar tipo ciática.

Para o estudo, pesquisadores realizaram um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, de pregabalina em 207 pacientes com dor crônica lombar tipo ciática. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber uma dose de 150mg/dia de pregabalina ajustada para uma dose máxima de 600 mg/dia ou um placebo correspondente por até 8 semanas.

O desfecho primário foi a intensidade da dor na perna em uma escala de 10 pontos (com 0 indicando nenhuma dor e 10 a pior dor possível) na semana 8. A intensidade da dor também foi avaliada na semana 52, um ponto de tempo secundário para o desfecho primário. Os desfechos secundários incluíram a extensão da incapacidade, a intensidade da dor nas costas e as medidas de qualidade de vida em momentos pré-especificados ao longo de um ano. Um total de 106 pacientes receberam pregabalina e 101 receberam placebo.

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que o tratamento com pregabalina não reduziu significativamente a intensidade da dor na perna associada à compressão ciática e não melhorou significativamente outros resultados, em comparação com placebo, ao longo de 8 semanas. A incidência de eventos adversos foi significativamente maior no grupo de pregabalina, sugerindo que a escolha do fármaco nos casos de dor ciática precisa ser repensada.

Fonte: pebmed.com.br


Segurança do Naproxeno


Estudos demonstraram que o naproxeno foi considerado o analgésico mais seguro para pacientes que precisam usar anti-inflamatórios constantemente e são mais propensos a problemas cardiovasculares.

Entretanto, foram analisados também os efeitos adversos gastrointestinais e de aumento da pressão arterial do naproxeno comparando outros anti-inflamatórios não esteroides, que mostraram que o naproxeno teve índices um pouco aumentados em relação a outras opções de AINEs tradicionais, demonstrando que os riscos e os benefícios de cada fármaco devem ser avaliados para uma prescrição mais segura.

São considerados fatores de alto risco para hemorragia gastrointestinal: Grupo de idosos; Antecedentes pessoais de úlcera péptica; Utilização de corticosteroides sistêmicos; Utilização de anticoagulantes; Utilização concomitante de ácido acetilsalicílico; Infecção por H. pylori.

São considerados fatores de alto risco cardiovascular: Antecedentes pessoais de acidente vascular cerebral; Antecedentes pessoais de acidente isquêmico transitório; Antecedentes pessoais de síndrome coronária aguda; Angina estável; Antecedentes pessoais de revascularização arterial; Doença arterial periférica.

Fonte: editorarealize.com.br


Venlafaxina na depressão maior


Em estudo conduzido pela faculdade de medicina da UFMG, no qual comparou-se a velafaxina aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), tais como fluoxetina, paroxetina e outros, para o tratamento da depressão maior, ou transtorno depressivo maior (TDM), a venlafaxina foi associada a uma resposta mais evidente quanto à remissão de sintomas.

Na comparação com tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina e outros), a resposta ao tratamento à base de venlafaxina foi estimada como sendo maior, mas não diferindo de maneira estatisticamente significativa. Não se observaram diferenças quanto à taxa de remissão, embora os tricíclicos foram bem menos tolerados do que a venlafaxina, a qual possibilitou maior adesão ao tratamento.

Meta-análise do estudo forneceu evidências da eficácia clínica da venlafaxina de liberação controlada em alcançar a resposta terapêutica e a remissão em pacientes com depressão maior. A venlafaxina parece ser mais eficaz do que os ISRS e pelo menos tão eficaz quanto os tricíclicos, no tratamento de depressão maior. Além disso, a venlafaxina é eficaz na redução da recaída quando dada a longo prazo após episódio depressivo maior.

Fonte: Moreira Jr




Fibratos


Os fibratos, tais como o ciprofibrato, fenofibrato ou bezafibrato, são fármacos indicados, principalmente, no tratamento das hipertrigliceridemias endógenas, da disbetalipoproteinemia e de algumas das hiperlipidemias mistas, quando os níveis de triglicérides forem superiores a 500 mg/dL.

Mais recentemente, demonstrou-se a validade do uso de fibratos em pacientes com níveis baixos de HDL-C, mesmo com níveis considerados normais de colesterol total ou LDL-C, para pacientes em prevenção secundária da doença arterial coronariana (DAC) e, especialmente e em pacientes com diabetes mellitus ou síndrome metabólica.




Estes fármacos estimulam o receptor nuclear PPAR-alfa (peroxisome proliferator activated receptor), determinando múltiplas ações no metabolismo lipídico, como aumento da expressão de apo AI e AII, redução de apo CIII, aumento da lipase lipoproteica, entre outras ações. Dessa forma,aumentam a depuração de lipoproteínas ricas em triglicérides e favorecem o transporte reverso do colesterol, observando-se redução de VLDL-C e aumento do HDL-C.

Meta-análises de estudos que empregaram fibratos demonstraram que os fármacos têm efeito nulo nos desfechos cardiovasculares de longo prazo; no entanto, quando se analisaram separadamente os pacientes com níveis elevados de triglicéride e baixos de HDL-C, observou-se benefício semelhante ao encontrado com os inibidores da HMG-CoA redutase.

Assim, os novos guidelines europeus e americanos preconizam que os níveis de TG moderadamente elevados em indivíduos de alto risco devam ser tratados de maneira mais intensiva com medicamentos, de preferência os fibratos, uma vez que está estabelecendo maior associação entre hipertrigiliceridemia e doença cardiovascular (DCV).

Fonte: Moreira Jr


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