Barreiras Hematoencefálica e Placentária


Recebe o nome de barreira hematoencefálica a barreira entre o sangue capilar cerebral e o líquido intersticial do encéfalo. Ela permite a passagem de compostos lipossolúveis, do oxigênio e do dióxido de carbono, excluindo as substâncias hidrossolúveis. A passagem do fármaco pela barreira hematoencefálica ocorre na forma livre, não ligada às proteínas plasmáticas.

A placenta pode ser identificada como um órgão de troca entre os organismos materno e fetal, o qual proporciona as condições necessárias para o desenvolvimento intrauterino. Todas as necessidades do feto são supridas a partir do sangue materno, meio pelo qual os catabólitos resultantes do metabolismo fetal também são eliminados.

Alguns exemplos de fármacos que atravessam a barreira placentária são: captopril, metildopa, fenobarbital, carbamazepina, ácido valproico, metronidazol, tinidazol, mebendazol, alprazolam, clozapina, entre outros.




Ligação a proteínas plasmáticas


Quando os fármacos estão presentes na corrente circulatória, em sua maioria, ligam-se de maneira reversível a uma ou mais macromoléculas plasmáticas, sobre tudo à albumina, glicoproteínas e lipoproteínas.

A concentração plasmática necessária para que o efeito clínico seja produzido é inferior à capaz de atingir o ponto de saturação da albumina, para a maioria dos fármacos. Para alguns, no entanto, a ligação à proteína aproxima-se da saturação; isso significa que uma pequena adição do fármaco pode elevar desproporcionalmente a quantidade livre.

Considerando-se a adminstração de dois ou mais fármacos, seja simultânea ou em intervalos curtos, é possível que a ligação de um deles seja afetada pelo outro, intensificando a ação farmacológica do agente que foi deslocado. Por outro lado, há encurtamento da meia-vida deste fármaco cuja ação foi intensificada, o qual é excretado mais rapidamente por meio da filtração glomerular.

Dentro da terapêutica, para cada fármaco, é estabelecida a faixa de concentração plasmática considerada útil, para que exista eficácia acompanhada da menor toxicidade possível. Esta faixa recebe o nome de janela terapêutica, a qual é determinada experimentalmente em voluntários seguindo-se protocolos padronizados.




Vias Parenterais


O termo parenteral encontra sua origem no grego, possuindo os significados de "além" e "énteron", o segundo correspondendo a intestino. A junção destes vocábulos proporciona a ideia de algo que é realizado fora do trato gastrintestinal, com a utilização de outra via que não seja a digestória.

A aplicação da via parenteral é útil no caso de fármacos instáveis no TGI e também os que apresentam difícil absorção. Além disso, considera-se a administração parenteral em pacientes inconscientes e quando há necessidade do início rápido de ação de um fármaco.

As três principais vias parenterais são a intramuscular (IM), subcutânea (SC) e intravenosa (IV), mas  é importante ressaltar que estas não são as únicas.

A via IM é frequentemente escolhida para fármacos que não podem ser admnistrados por via oral, seja por motivo de absorção lenta, interação com alimentos ou degradação pelo suco gástrico. A via SC constitui um método de administração utilizado para agentes que podem ser dissolvidos em pequenos volumes, sem provocar lesão no local de aplicação. A via IV é a mais comum, utilizada para a obtenção de efeitos imediatos e concentrações sistêmicas exatas.




Captopril x Celecoxibe


Captopril é um anti-hipertensivo inserido no grupo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

Celecoxibe é  um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que atua por inibição da via de síntese das prostaglandinas, com ação seletiva sobre COX-2.

INTERAÇÃO: O efeito anti-hipertensivo produzido pelos inibidores da ECA podem ser reduzidos na coadministração com AINEs, incluindo os que possuem ação seletiva sobre COX-2. A mesma informação deve ser considerada quando houver o uso associado do anti-inflamatório com diuréticos ou antagonistas dos receptores de angiotensina, como seria o caso da losartana.

Em pacientes com função renal comprometida, especialmente em idosos, o cuidado precisa ser redobrado, pois há possibilidade de deterioração adicional e insuficiência renal aguda.




Canais Iônicos


Os canais iônicos são classificados basicamente em dois tipos, dois quais trataremos a seguir:

Canais ligados a receptor: estes canais são ativados quando o receptor adjacente for ocupado por um agonista. São formados por subunidades proteicas que atravessam a membrana celular em toda sua extensão. A permeabilidade de determinados íons é alterada de acordo com a ação de agonistas ou antagonistas no receptor, o que acarretará na abertura ou fechamento do canal.

Canais iônicos isolados: a função destes canais é modulada por interação direta de fármacos em suas regiões ativas. Pode ocorrer também interação indireta envolvendo a proteína G e outros intermediários.

A atuação dos fármacos bloqueadores dos canais de cálcio (ex: nifedipinio, verapamil, diltiazem) consiste em inibir o transporte transmembrânico do íon através de canais dependentes de voltagem situados nas membranas celulares.




Atenolol x Zolpidem


Atenolol é um antagonista dos receptores beta-1 adrenérgicos (betabloqueador seletivo) indicado no tratamento da hipertensão arterial, angina e arritmias.

Zolpidem é um ansiolítico do grupo das imidazopiridinas com ação agonista seletiva gabaérgica. Facilita o início do sono, assim como prolonga a sua duração.

INTERAÇÃO: O uso combinado destes fármacos pode produzir efeitos anti-hipertensivos aditivos. Alguns sintomas que podem sugerir esta ocorrência são cefaleias, tontura, alterações na frequência cardíaca ou até desmaio. Entretanto, tais sintomas são mais comuns em situações de início do tratamento e alteração na posologia.

Drug Interaction: Atenolol x Zolpidem

Atenolol and zolpidem may have additive effects in lowering your blood pressure. You may experience headache, dizziness, lightheadedness, fainting, and/or changes in pulse or heart rate. These side effects are most likely to be seen at the beginning of treatment, following a dose increase, or when treatment is restarted after an interruption.




Populações Especiais de Pacientes


Quando os fármacos são administrados às populações de pacientes que são particularmente vulneráveis aos seus efeitos, algumas precauções e adaptações são necessárias. Vejamos alguns casos:

Recém-nascidos e crianças: por conta do peso e do alto percentual de água corporal, recém-nascidos e crianças precisam de dosagens adaptadas que devem levar em consideração também a idade e o estágio de desenvolvimento.

Mulheres grávidas e em período de amamentação: durante a gestação, a placenta age como uma barreira entre os sistemas circulatórios da mãe e da criança; essa barreira, no entanto, não é muito eficiente quando se trata de fármacos. Na amamentação, moléculas de fármacos podem passar da corrente sanguínea para o leite materno.

Pacientes com comprometimento hepático e renal: tanto o fígado quanto os rins são importantes no témino da ação dos fármacos. Alterações na biotransformação e na excreção podem levar ao acúmulo de fármaco no organismo, de forma que ajustes na dosagem serão requeridos.

Idosos: Este grupo de indivíduos exige cuidados especiais, levando em consideração as alterações produzidas no organismo, com consequente redução na função de órgãos importantes na atuação dos fármacos. Além disso, a polimedicação é uma característica particular, assim como a baixa cooperação com os esquemas de tratamento propostos.




Levotiroxina x Alimentos


Levotiroxina é um hormônio tireoidiano utilizado na terapia de reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia.

INTERAÇÃO: A absorção da levotiroxina pode ser afetada na presença de determinados alimentos, tais como farinha de soja, nozes, fibras dietéticas e produtos ricos em cálcio, de forma que tais alimentos devem ser consumidos em horário distante em relação à dose. Além disso, deve-se considerar o cuidado com a posologia, a fim de que as doses sejam mantidas nos horários pré-determinados. O nível sérico e, consequentemente, o efeito pretendido com o uso do fármaco, pode apresentar oscilação se o horário entre a dose adminsitrada e as refeições flutuar.

Drug Interaction: Levothyroxine x Food

The timing of meals relative to your levothyroxine dose can affect absorption of the medication. Therefore, levothyroxine should be taken on a consistent schedule with regard to time of day and relation to meals to avoid large fluctuations in blood levels, which may alter its effects. In addition, absorption of levothyroxine may be decreased by foods such as soybean flour, cotton seed meal, walnuts, dietary fiber, calcium, and calcium fortified juices. These foods should be avoided within several hours of dosing if possible.