Clonazepam contra o zumbido


A otorrinolaringologista Jeanne Oiticica, chefe do grupo de pesquisa em Zumbido do HC-FMUSP e responsável pelo Ambulatório de Surdez Súbita do Departamento de Otorrinolaringologia da FMUSP, informa se a utilização do clonazepam como medicamento é mesmo eficaz para a redução do zumbido.

Segundo a especialista, o cérebro de um paciente com zumbido é completamente diferente do cérebro de um paciente que não é acometido por este distúrbio. O desequilíbrio entre a liberação de substâncias químicas inibitórias e excitatórias é o que mais se destaca. No cérebro humano, a principal substância química inibitória e que, portanto, reduz a atividade cerebral é o GABA, e a principal substância química excitatória, que aumenta a atividade cerebral, é o GLUTAMATO.

Em parte dos pacientes com zumbido crônico persistente, a balança acaba pesando mais para a liberação de substâncias químicas excitatórias ou para a redução na liberação de substâncias químicas inibitórias.

O clonazepam age aumentando, no cérebro, a quantidade de substâncias químicas inibitórias. Portanto, ele pode funcionar em alguns pacientes, proporcionando alívio. Além disso, um distúrbio comum frequente nos pacientes com zumbido crônico é a insônia ocasional, transitória ou crônica, correspondendo a um distúrbio que precisa ser tratado nestes pacientes. O clonazepam entra também como opção neste caso.

É evidente, entretanto, que este fármaco não deve ser usado de forma aleatória ou sem adequado acompanhamento médico, assim como o tempo de uso não deve ser indeterminado.

Fonte: deficienciaauditiva.com.br


Mecanismo de ação molecular da metformina


O principal efeito anti-hiperglicemiante da metformina consiste na redução da gliconeogênese hepática. Além disso, ela diminui a absorção gastrointestinal de glicose, aumenta a sensibilidade à insulina nos tecidos muscular e adiposo e melhora indiretamente a resposta da célula β à glicose por reduzir a glicotoxicidade e os níveis de ácidos graxos livres.

Nos tecidos periféricos, a metformina facilita o transporte de glicose por aumentar a atividade da tirosina-quinase nos receptores de insulina e a translocação de transportadores de glicose para a membrana celular. Em adição, um efeito protetor nas células β tem sido demonstrado em ensaios in vitro.

Em nível molecular, a metformina gera muitos dos seus efeitos a partir da ativação (exceto no hipotálamo) da proteína quinase ativada por adenosina monofosfato (AMPK). A AMPK tem uma importante função na regulação do metabolismo e controla tanto o gasto de energia como o apetite.

O mecanismo pelo qual a metformina ativa essa enzima não é totalmente conhecido; entretanto, foi demonstrado que as biguanidas ativam a AMPK indiretamente via inibição do complexo I da cadeia respiratória, o que resulta em um aumento da relação AMP/ATP. De qualquer forma, isso é controverso, já que alguns experimentos in vitro não encontraram grandes mudanças nas concentrações desses nucleotídeos.

Além disso, foi proposto um caminho diferente, no qual a AMPK é ativada via aumento de espécies reativas ao nitrogênio (RNS). A serina-treonina quinase (LKB1), uma enzima que tem sua atividade aumentada pela metformina, também é requerida na ativação da AMPK e sua atividade parece ser modulada por RNS.

Fonte: researchgate.net


Farmacogenética: origem e perspectivas


Garrod, no início do século XX, foi pioneiro ao propor que medicamentos sofrem biotransformação, da mesma maneira que substratos endógenos e que defeitos nestas rotas poderiam alterar sua concentração e ação. Entretanto, somente em 1957 foi documentado pela primeira vez o conceito de que defeitos herdados no metabolismo de fármacos podiam explicar as diferenças individuais na resposta farmacológica.

Dois anos depois, Friedrich Vogel cunhou o termo ‘farmacogenética’. A partir da década de 90, com o desenvolvimento do Projeto Genoma Humano, maiores subsídios começaram a ser fornecidos para o estabelecimento desta nova área. Hoje, 23 milhões de Single Nucleotide Polymorphism (SNPs) são estimados no nosso genoma, além de milhares de inserções, deleções, e VNTRs (variable number of tandem repeat polymorphisms).

A ideia de que muitos destes polimorfismos podem estar envolvidos com a resposta a medicamentos tem resultado em várias associações entre polimorfismos e genes que codificam enzimas metabolizadoras, proteínas transportadoras ou receptores com diferenças na resposta a muitos fármacos. Em linhas gerais, a farmacogenética representa o estudo da resposta farmacológica do indivíduo segundo o genótipo, tanto no que diz respeito à eficácia como a efeitos adversos.

A abordagem envolve a análise de genes individuais denominados ‘candidatos’, os quais são selecionados para estudo a partir do conhecimento prévio de alvos ou caminhos metabólicos do fármaco utilizado. Como o efeito de um medicamento é determinado pela ação de vários genes, a farmacogenética se propõe a desenvolver modelos poligênicos capazes de predizer a resposta farmacológica e toxicidade em pacientes individuais.

No futuro, a farmacogenética, aliada às ferramentas de biologia molecular, bioinformática e bioestatística, poderá mudar de forma significativa a conduta terapêutica para várias doenças.

Fonte: researchgate.net




Antagonistas do cálcio na vertigem


São fármacos que bloqueiam os canais lentos do cálcio. Entre as substâncias mais utilizadas, temos a cinarizina e a flunarizina.

A cinarizina e a flunarizina são derivadas da piperazina e, além de bloquear os canais lentos de cálcio, também bloqueiam os receptores H1 da histamina. A cinarizina é um bloqueador seletivo da entrada dos canais de cálcio e também tem atividade anti-histamínica e antisserotoninérgica. A flunarizina é um derivado da cinarizina, com maior potência.

São substâncias bastante eficazes, mas seu uso prolongado pode induzir distúrbios do movimento (parkinsionismo) e depressão. Existe relação direta entre o tempo de uso da cinarizina e da flunarizina (geralmente, mais de 6 meses), a idade avançada (mais de 50 anos) e o surgimento dos distúrbios de movimento (Parkinson surge, em média, após 16 meses de uso).

Fonte: uerj


Ondansetrona nas náuseas e vômitos gestacionais


A ondansetrona, um antagonista dos receptores de 5-hidroxitriptamina tipo 3 (5-HT3), é geralmente utilizada quando outros medicamentos não foram efetivos no tratamento de náuseas e vômitos intensos.

Um estudo caso-controle realizado em um banco de dados populacional multicêntrico (National Birth Defects Prevention Study - NBDPS) encontrou uma associação entre o uso de ondansetrona no primeiro trimestre e fenda palatina.

Em outro estudo, usando dados do Registro Médico de Nascimentos e do Registro Nacional de Pacientes da Dinamarca, foi estabelecida uma corte histórica nacional que incluiu todas as gestações de partos não gemelares (nascidos vivos, natimortos ou que terminaram em abortamento) ocorridas entre 1º de janeiro de 2004 e 31 de março de 2011.

Foram usadas as informações do Registro Nacional de Prescrição para a identificação das prescrições usuais de ondansetrona. A exposição ocorreu em 1.970 de 608.385 gestações (0,3%) e as análises não evidenciaram associação desse antiemético com risco aumentado de desfechos fetais desfavoráveis (abortamento espontâneo, natimortos, defeitos congênitos maiores, parto prematuro ou recém-nascidos com baixo peso).

No entanto, os autores, ao apontar as fragilidades do estudo, reconhecem que o mesmo não teve poder estatístico para avaliar o risco de defeitos individuais e admitem a necessidade de estudos adicionais para melhor investigar a associação entre ondansetrona e fenda palatina.

Fonte: moreirajr.com.br


O mecanismo "chave-fechadura" enzimático


Na catálise de uma reação química, as enzimas interagem com os substratos, formando com eles, temporariamente, o chamado complexo enzima-substrato.

Na formação das estruturas secundária e terciária de uma enzima, acabam surgindo certos locais na molécula que servirão de encaixe para o alojamento de um ou mais substratos, do mesmo modo que uma chave se aloja na fechadura.

Esses locais de encaixe são chamados de sítio ativo e ficam na superfície da enzima. Ao se encaixarem nos sítios ativos, os substratos ficam próximos um do outro e podem reagir mais facilmente.

Assim que ocorre a reação química com os substratos, desfaz-se o complexo enzima-substrato, liberam-se os produtos e a enzima volta a atrair novos substratos para a formação de outros complexos..

Fonte: sobiologia.com.br



Anti-histamínicos na vertigem


O dimenidrinato é um potente supressor da função vestibular e antiemético. As contraindicações ao seu uso incluem hipersensibilidade, glaucoma, asma, bronquite crônica, enfisema e hipertrofia prostática.

Deve ser administrado com precauções quando do uso concomitante de álcool, depressores do Sistema Nervoso Central (SNC) e inibidores da monoamino-oxidase (MAO). Os efeitos colaterais incluem sonolência, secura da boca, nariz e garganta. Seu uso prolongado prejudica a compensação labiríntica.

A meclizina é um anti-histamínico com propriedades anticolinérgicas. É também um supressor vestibular e antiemético, mas a contraindicação ao seu uso se refere apenas às reações de hipersensibilidade. Entretanto, deve-se ter cuidado na sua administração em presença de hipertrofia prostática, glaucoma e obstrução gastroduodenal.

Como tem propriedades anticolinérgicas, pode produzir confusão, perda de memória, boca seca, olhos secos, incontinência urinária e constipação, além de sonolência, aumento de peso, fadiga e visão borrada. Seu uso pode retardar a compensação vestibular.

Fonte: uerj




Enzimas


A vida depende da realização de inúmeras reações químicas que ocorrem no interior das células e também fora delas. Por outro lado, todas essas reações dependem, para a sua realização, da existência de uma determinada enzima. As enzimas são substâncias do grupo das proteínas e atuam como catalisadores de reações químicas.

Catalisador é uma substância que acelera a velocidade de ocorrência de uma certa reação química. Muitas enzimas possuem, além da porção proteica propriamente dita, constituída por uma sequência de aminoácidos, uma porção não-proteica.

O mecanismo de atuação da enzima se inicia quando ela se liga ao reagente, mais propriamente conhecido como substrato. É formado um complexo enzima-substrato, instável, que logo se desfaz, liberando os produtos da reação.

Para a ocorrência de uma reação química entre duas substâncias orgânicas que estão na mesma solução é preciso fornecer certa quantidade de energia, geralmente na forma de calor, favorecendo o encontro e a colisão entre elas. A energia também é necessária para romper ligações químicas existentes entre os átomos de cada substância, favorecendo, assim a ocorrência de outras ligações químicas e a síntese de uma nova substância a partir das duas iniciais.

Essa energia de partida, que dá um “empurrão” para que uma reação química aconteça, é chamada de energia de ativação e possui um determinado valor.

Fonte: sobiologia.com.br




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